Alegria, Alegria em um Domingo no parque

ricardorimili-lance

Fazer futebol no interior não é fácil, patrocínios minguados, média de público em declínio, contas a pagar, salários de jogadores cada vez mais absurdos. Torcer por um clube do interior não é fácil, as tristezas são invariavelmente maiores que as alegrias e muito por isso nos contentamos com pouco, mas um pouco que vale muito. É aquela falta na entrada da área que o camisa 10 do time adversário manda pra longe, é o milagre do goleiro, é o balão pra frente do zagueiro, é o 1 a 0 comemorado como goleada. 

Caminhando contra o vento, contra o improvável em um sol de quase dezembro o Veranópolis enfrentou o Internacional no domingo. Precisando de uma vitória pra sobreviver, sim, o VEC teve de buscar em um dos instintos mais primitivo do homem forças para bater o adversário, e não é exagero meu, estava em jogo a literal SOBREVIVÊNCIA do Pentacolor mais querido de todos os universos conhecidos.

É de ciência de todos que não é fácil manter ativo um clube do interior, pense então fazê-lo em uma cidade de 23 mil habitantes. Eu tenho medo, todos têm, que o destino de tantos outros seja o destino de nossos clubes, o fechamento das portas. Um rebaixamento do VEC, um time que não tem nem condições de manter um time durante doze meses, certamente representaria o fim do clube.

O clima ao redor de LA FARINERA apontava o momento, grande movimentação de torcedores, os tradicionais vendedores ambulantes, o cambista mau caráter e jornalistas de tudo que é canto do estado. Tinha de ser um dia especial, não podia ser diferente.

“O sol se reparte em crimes” cantou Caetano em 1967 e falando em crimes lembremos 2007. Em um jogo contra o mesmo colorado – campeão do mundo em 2006 – uma vitória maiúscula, uma goleada de 2 a 1. A noite mais improvável, o VEC eliminava o Campeão do Mundo e o rebaixado Glória segurava o Novo Hamburgo, a combinação mais incerta dava a classificação ao time da Terra da Longevidade. O Veranópolis precisava de outro crime, talvez até maior dessa vez.

O FARINÃO lotado, metade pentacolor, metade vermelho e branco, pulsava como invariavelmente pulsa quando um time da capital se faz presente. De um lado a esquadra mais do que titular do Internacional e do outro o franco atirador pentacolor.

jornaloestafaeta

“Em caras de presidente ou em grandes beijos de amor”, emoção! Não foi uma bomba, mas sim linda e elegante como Brigitte Bardot. Aos 9 minutos do primeiro tempo uma testada certeira do beque JONAS fez a redonda balançar as redes do goleiro Muriel, o placar foi aberto e fechado, nada mais aconteceria daí em diante com força suficiente para mudá-lo.

Alegria de um lado e preguiça de outro, Enquanto Datolo, Rafael Moura, Gabriel e o uruguaio comedor de doce de leite Forlan desfilavam em campo como se estivessem passeando no parque, os homens pentacolores postavam-se firmes na defesa comandados pelo camisa 5 Escobar. E que defesa deste time! Os bravos combatentes pentacolores resistiram à pressão do Inter que durou praticamente todo o jogo. Quando ousaram romper a barreira de volantes e zagueiros foram parados pelo MONSTRUOSO João Ricardo que cuidou se suas traves como quem cuida da própria vida.

 “Por entre fotos e nomes, os olhos CHEIOS DE CORES, o peito cheio de amores vãos, eu vou”, Caetano sabia tudo sobre esse jogo desde 1967 (ns).

Aos 35 minutos do segundo tempo Itaqui foi expulso e coube a torcida completar o time. Gritaria e delírio no Farinão para conter os ataques do adversário.Enfim aos 51 minutos do segundo tempo o árbitro ouviu o clamor da torcida da casa que desde os 9 minutos do primeiro tempo pedia o fim da partida e a encerrou. Vitória de 1 a 0 que valeu por uma história.

matheusprimieri

Alegria, alegria no FARINÃO, o Veranópolis está classificado para as quartas da Taça Farroupilha e chutou pra longe, pra muito longe, o desespero cretino de ser rebaixado.

VAMOS SEGUIR VIVENDO!

“Sem lenço sem documento,

Nada no bolso ou nas mãos,

Eu quero seguir vivendo, amor,

Eu vou!

Porque não? Porque não?”

Ficha técnica de Veranópolis 1×0 Internacional:

Veranópolis (1): João Ricardo; Ednei, Jonas, Edson Borges e Anderson Luís (Saulo – 21/2º); Escobar, Itaqui, Eduardinho e Márcio Reis (Leandro Rodrigues – 45/2º); Juninho (Fininho – 37/2º) e Lê. Técnico: Julinho Camargo.

Internacional (0): Muriel; Gabriel, Alan, Juan e Fabrício; Aírton (Otávio – 12/2º), Willians, Dátolo (Fred – intervalo) e D’alessandro; Forlán e Rafael Moura (Caio – 12/2º). Técnico: Dunga.

Gol: Jonas (9/1º) – VEC

Cartões amarelos: Itaqui (10/2º), Escobar (40/2º) e João Ricardo (46/2º) – VEC; Aírton (20/1º), Willians (29/2º), Fred (36/2º) – Internacional

Cartão vermelho: Itaqui (35/2º) – VEC

Arbitragem: Fabrício Neves Corrêa, auxiliado por Alexandre Kleiniche e Leirson Peng Martins. O árbitro reserva foi André Cieslak.

As fotos são de Ricardo Rimoli, do Jornal o Estafeta e de Matheus Galli Primeiri.

Para entender algumas referências e também para curtir uma boa música:

Alegria, alegria. – Caetano Veloso – 1967

Matheus Primieri

Publicado em Gauchão 2013, Veranópolis com as tags , , , , . ligação permanente.

2 Respostas a Alegria, Alegria em um Domingo no parque

  1. Sancho diz:

    Vivam os Vecchi!

  2. Sancho diz:

    Minha torcida na última rodada é para todos os visitantes.

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