Da sombra à luz, no aconchego do lar

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Foram 24 dias de agonia. Do dia 14 do mês passado, quando representantes do Corpo de Bombeiros foram ao Estádio dos Eucaliptos exigir o cumprimento (impossível) da tal Resolução Técnica 017, até ontem, a direção do Riograndense trabalhou OITENTA E TRÊS vezes mais do que estava planejado. Não houve uma pessoa ligada ao clube que não se envolveu. O esforço deve ser reconhecido, especialmente do presidente Juliano Leite, que, confirmando ocupar o cargo mais importante de um clube, chamou a responsabilidade e obteve, junto com todos os funcionários, o êxito da liberação do estádio.

Findada as burocracias, chegava a hora que todos aguardavam. O que interessava nesse último domingo era o que aconteceria a partir das 15h30 na Rua Mariazinha Domingues, número 0002. Do time que perdeu por 2 a 1 para o Glória, em Vacaria, na única partida disputada até então, houve seis mudanças para o jogo contra o Riopardense. O técnico Círio Quadros mostrou que o Riograndense possui um elenco diversificado e, principalmente, qualificado. Os 11 que começaram ontem montavam um time mais leve, rápido e expansivo.

E foi isso que pode se ver após o apito inicial do árbitro. O Riograndense teve um maior domínio de bola durante os 10 primeiros minutos. Poucas jogadas incisivas de ataque, mas uma boa demonstração de entrosamento na troca de passes da equipe. O time, inclusive, aplicou algumas jogadas ensaiadas que surtiram efeito. Nesse ponto, destaque para o lateral direito Anderson, que marca e apoia muito bem, além de ter uma boa IMAGINAÇÃO futebolística, coisa rara de se ver pelos flancos das canchas do interior.

Com dois meias de bastante movimentação, Julio Abu e Gustavinho, por vezes, o pessoal ficava meio perdido dentro de campo pela fácil movimentação e saída dos volantes adversários. No primeiro tempo, o atacante Rafael Refatti pouco participou, da mesma forma que seu companheiro de posição, Vinicius Chimbica, que saiu machucado ainda no primeiro tempo. Com a entrada do uruguaio Foletti, Refatti tocou mais na bola e segurou os defensores do Riopardense.

Dos volantes esmeraldinos, Cassel e Gudi, apenas este teve mais liberdade para sair, até porque Cassel é zagueiro de origem. Gudi conseguiu fazer boas ligações com os meias e foi o criador da primeira oportunidade de gol, num chute de fora da área, que passou por cima do arco do goleiro Vandré. O mais absurdo, portanto, ficou com os BEQUES. A posição preferida do Bob Marley perdeu um dos maiores nomes do elenco esmeraldino, Rangel. Círio Quadros optou por Márcio Nunes para formar a dupla de zaga com Vinícius. Não que o Márcio Nunes seja um mau zagueiro, mas o Rangel ficar no banco de reservas não fez sentido algum.

Ditando o ritmo da milonga, nada mais justo que o Periquito abrisse o placar. Foi com o meia Julio Abu, aos 14 minutos, numa cobrança de escanteio. O primeiro gol nos Eucalitpos em 2013 foi olímpico, evidentemente, o prenúncio de um ano glorioso. E, mostrando ser um time único, o Riograndense quebrou o paradigma de que quem faz gol deve seguir atacando. A falta de ritmo de jogo evidenciou um leve pavor por parte dos jogadores, mostrando que o caminho da rede ainda não está trilhado – por pouco tempo. E, para sujar a cueca do torcedor, no final do primeiro tempo, a zaga esmeraldina se embaralhou e a bola sobrou para o atacante Wallace, que perdeu a chance de empatar.

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Na etapa final, o Riograndense mostrou ainda mais que a não liberação dos Eucaliptos, sim, acabou influenciando dentro de campo. O Riopardense começou melhor o segundo tempo e encurralou o time da casa. Tanto que, aos 22 minutos, o meia Paulo Henrique empatou, de falta, a partida, o que excitou fortemente a turma do amendoim. Mas logo após o empate, o óbvio se concretizou. O lateral esquerdo do Riopardense, Bartô, que estava descendo o sarrafo desde o início do jogo, tomou o segundo cartão e foi expulso de campo. Com um jogador a menos, o olho da gateada preteou para a equipe de Rio Pardo.

Com um a mais em campo, o técnico Círio tirou o lateral esquerdo Lucas e botou o meia Mikimba. Gustavinho, que até então estava atuando no meio-campo, caiu para a lateral e trouxe as principais jogadas consigo. E foi dele o chute cruzado para o meio da área que desviou no zagueiro Caio, anunciando a virada do placar. Um gol olímpico e um gol contra. 2 a 1 para Riograndense.

O time da casa soube tirar proveito da superioridade numérica e seguiu atacando. Já nos acréscimos, quando não havia a menor possibilidade de uma reação do Riopardense, o goleiro Vandré deu um MANOTAÇO nas FUÇA do atacante Foletti. Pênalti e confusão instalada. O técnico do Riopardense, Sérgio Perini, meteu a boca na arbitragem, lembrando até da tia-avó do árbitro, mas não adiantava mais. A bola já estava na marca da cal e, após colocar no canto direito do goleiro, Refatti perpetuou o placar, fazendo, enfim, o torcedor rubro-esmeraldino sorrir dentro de casa.

Ficha Técnica:

Riograndense: Yai; Anderson, Marcio Nunes, Vinicius, Lucas (Mikimba); Gudi (Michel), Cassel, Julio Abu, Gustavinho; Vinicius Chimbica (Foletti), Rafael Refatti. Técnico: Círio Quadros

Riopardense:  Vandré; Douglas, Vinicius, Caio, Bartô; Rafael, Bolacha, Cássio (Alan), Paulo Henrique (Maurício). Tiago Matos, Wallace (Kauê). Técnico: Sérgio Perini

Gols: Riograndense: Julio Abu, Caio (contra) e Rafael Refatti. Riopardense: Paulo Henrique

Cartões amarelos: André, Douglas, Caio e Rafael (Riopardense); Gustavinho (Riograndense)

Cartões vermelhos: Bartô (Riopardense)

Arbitragem: Tiago Rodrigues, auxiliado por Vagner da Luz e João Pedersen

Chuleando um cocho na elite desde já,

Bernardo Zamperetti

(a primeira foto é do Mateus Pereira, assessor de comunicação do Riograndense, e a segunda é do arquivo pessoal)

Publicado em Divisão de Acesso 2013, Riograndense-SM com as tags , , , , , , , , , , , , , , . ligação permanente.

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