A Fé que move uma Alcateia inteira!

LOBO

O dia começou bem, com um ar diferente. O pessoal sabia que a Boca do Lobo ia ter um BAITA público. Isso sempre alegra o torcedor. É a certeza de que o sofrimento vai ser compartilhado com milhares de pessoas. Ninguém quer ser feliz sozinho. Nem triste. Mas, que seja… A idéia não era ficar triste. Dava pra ver nos arredores do estádio a confiança. Aquela confiança barata, comprada na última hora, mas que deu encorajou muitos. Quando o jogo já ia começar só dava vontade de ficar olhando pra arquibancada. Festa bonita. É O LOBO! As nossas cores, o nosso sentimento, é tudo muito especial. Desculpem, ainda sigo emocionado. 

Mas, fazer o que? A bola teve que rolar. E quando a fase não é boa ela parece quadrada. O Pelotas começou em cima, mas daquela forma desordenada de todo início. O adversário, esqueci de mencionar, era o Passo Fundo. Um dos líderes do grupo. Ainda não haviam perdido na Taça Farroupilha. E – só pra adiantar o causo – seguem sem perder. No primeiro ataque do tricolor, um balde de água fria na torcida áureo-cerúlea. O jogo seguiu por mais alguns minutos sem nada de importante. No segundo ataque do tricolor, um balde de GELO.

Com dois a zero contra, o que já era inacreditável pra quem precisava da vitória, o mais inacreditável foi ver que ninguém arredou o pé de lá. A torcida do Pelotas começou a cantar mais alto. É um misto de completa falta de noção com algo que nem é possível definir. Situação adversa? CANTEMOS, então.

O segundo tempo começou assim, com a torcida cantando. E cantando alto. Aquela natural migração do pessoal do estádio para a arquibancada atrás do gol que o time vai atacar encorpou o coro. “Quem canta seus males espanta”. Aos 35 segundos do segundo tempo, gol do Pelotas. Filipinho. Um guri esmirrado, magrinho, bom de bola. Não deve ter nem 70 quilos. Mas foram os 70 quilos da materialização da ESPERANÇA.

A torcida do Pelotas é um dos meus maiores orgulhos. É o maior patrimônio do clube. Passamos o segundo tempo todo cantando tão alto que contagiamos a outra arquibancada, a da Gonçalves Chaves. Pra quem não sabe, isso não é comum. Quando o Lobo empatou com o gol do Fabiano Gadelha, o estádio explodiu. Era possível. Era real. Era real? Na verdade todo mundo se perguntava, ninguém afirmava. E era real. DOIS A DOIS. Neste momento os bumbos ditavam o ritmo do time, da arquibancada de trás do gol, da arquibancada da Gonçalves Chaves e até dos semáforos da Avenida. O estádio pulava. Éramos todos um só. Um outro jogador. Era possível ver na delegação do Passo Fundo alguns olhares admirados. Afinal, estamos lutando contra o rebaixamento. Essa é a nossa única batalha. Cenas que só situações muito boas ou totalmente ruins proporcionam aos que acompanham o Esporte Clube Pelotas.

Um chute raspando. Uma defesa incrível. Uma bola na trave. Na trave. Ah, a trave… Caprichosa, safada, filha de uma grande china velha. Acabou tudo igual na Boca do Lobo. Ao fim da partida, aplausos. O canto seguiu. E ele não vai parar. Ficou tudo pra última rodada. Precisamos vencer o Caxias pra não depender de mais ninguém. Difícil. Jogo complicado.

É, amigos… Ninguém disse que ia ser fácil. No início do ano tive a “oportunidade” de me reunir com membros da direção do Pelotas. Tomamos umas cervejas e um recém-chegado, cheio de confiança, disse: “Seremos a terceira força do interior. Minha idéia é colocar o Pelotas, a curto prazo, na série B do brasileiro”. Eu duvidei. E fiz isso em voz alta. Apostei que – se isso acontecesse – eu voltaria ao boteco em que estávamos e desfilaria em trajes de banho. A aposta foi concretizada. Hoje, cá estou eu. Tudo o que eu queria era ter a oportunidade de voltar naquele boteco. Pelado, que fosse! Tudo o que eu quero agora é não ser a terceira força do interior com a tabela virada ao contrário.

Vamos a Caxias. Sim, a torcida vai junto. Não milhares, nem centenas. Mas os bumbos vão estar lá. O canto vai estar lá. A esperança também. Vamos a Caxias e vamos voltar na primeira divisão. A fé, que move até montanhas, só precisa fazer um gol e evitar outros tantos. Tarefa fácil pra ela.

Parafraseando o hino: “quem não te ama, nunca sentiu emoção!”.

É isso, meu Lobo. Nas boas e nas más. Pra cima deles, estamos contigo.

Leandro Lopes

(A foto é do Vinícius Conrad)

Publicado em Gauchão 2013, Passo Fundo, Pelotas. ligação permanente.

7 Respostas a A Fé que move uma Alcateia inteira!

  1. Juliano Freitas diz:

    pena que o time da adidas, da pre-temporada para na europa e da maior estrutura do interior está caindo pra segundona… os gremistas no comando do clube e grandes empresário e um baita planejamento anunciado não foram suficientes! Uma pena! Perde o torcedor e apaixonado por futebol que são os pelotenses.

  2. Xavante diz:

    Troque sua garrafa PET por um ingresso é o novo troque seu cachorro por uma criança pobre.

  3. Olavo diz:

    Mas não seria bom trocar um cachorro por uma criança pobre ?

    Um dos motivos da decadência do mundo é humanizar os bichos. Deixando de lado os humanos.

  4. Não entendi a relação de garrafa pet, cachorro e criança pobre no coméntário 2, mas fecho com o comentário 3.

  5. Helder diz:

    #4
    Nem te preocupa com o comentário nº 2. Pelo nome dele, já se nota que é um pobre acéfalo tentando participar do assunto.

  6. Junior II diz:

    E o Lobão foi a Caxias e ganhou a partida nas arquibancadas, o que era esperado, e também no campo, o que era motivo de dúvidas !
    Todos os resultados paralelos que podiam nos ajudar não aconteceram, mas fizemos nossa parte !
    Esta torcida merece todos os aplausos !

  7. Guilherme diz:

    TUDO ESTÁ NO SEU LUGAR.

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