Truco! Quero e retruco!

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O primeiro milho é dos pintos. Quem me faz acreditar nisso é o Riograndense. Com o estádio não liberado, fez a primeira partida fora de casa, contra o Glória, e perdeu. Mesmo com um trabalho bem executado, o bom resultado não veio no primeiro jogo da Divisão de Acesso. Doze dias após essa derrota, o Estádio dos Eucaliptos foi liberado e, com isso, o Riograndense voltaria a sestear em seus próprios pelegos. No domingo passado, venceu por 3 a 1 o Riopardense.

Ontem, o jogo era contra o Brasil de Pelotas. Talvez a grande equipe do interior a ser batida, mas, como disse o presidente do clube antes da partida, que não se difere muito das demais do interior. Quarta-feira, todos sabem, é um dia sagrado destinado ao futebol. Mas normalmente à noite. Jogando às 15h30, sob um sol que insistia em queimar o côco de quem estava nos Eucaliptos, o Riograndense atraiu um público razoável e apresentou muita vontade e inteligência.

O adversário estava indo para a sua quarta partida no campeonato, sem contar o jogo disputado pela Copa do Brasil, enquanto o Riograndense se preparava para seu terceiro confronto. O Periquito ainda é um time em formação, especialmente tática. Com um elenco numeroso e polivalente, o técnico Círio Quadros testa, sem pudor, jogadores e esquemas ao longo da partida. E o que mais tranquiliza o torcedor esmeraldino: os testes estão rendendo resultados positivos.

A equipe que entrou em campo foi a mesma do jogo contra o Riopardense, exceto pela entrada do uruguaio Foletti no lugar de Vinicius Chimbica, que rompeu o ligamento e vai ficar fora por seis meses. No outro lado, uma equipe concisa, de qualidade conhecida e entrosamento visível. Do Riograndense, podia-se esperar velocidade, jogadas pelas pontas e pouca retenção individual de bola.

O começo do jogo foi de respeito mútuo. Ninguém se atreveu a PEITAR o adversário. Pode-se perceber logo no início que seria uma partida, especialmente, de inteligência tática. A primeira chance chegou pelos pés de Gustavinho, num chute forte de fora da área, que passou sobre o gol do lendário Luiz Müller. O Riograndense começou tomar conta da bailanta, mas quem abriu o placar foi o Brasil. Numa cobrança de falta, Wender tocou no fedor, ninguém achou nada e a NEGA foi parar só no fundo do gol do uruguaio Yai. Na súmula, meio gol deveria ser dado ao Sol.

O Brasil-Pel, que se caracteriza pela constante ofensividade mesmo jogando fora, incrivelmente se retrancou de forma total, tendo, por vezes, TODOS os jogadores no seu campo de defesa. O técnico Rogério Zimmermann parecia não estar a fim de ampliar. Chamou o Riograndense e tomou chumbo. O Periquito viu que precisava de calma e capacidade para achar uma brecha na muralha xavante. Círio Quadros botou o time pra frente, alterou o esquema, colocando o lateral direito Anderson como um PONTEIRO, e cercou de todas as formas o Brasil.

O Xavante jogava no contra-ataque. O que o atacante Alex Amado incomodou o zagueiro Vinicius não foi pouca coisa, mas o capitão do Riograndense segurou o baixinho pelo cangote e mostrou que ali ninguém se cria. Os jogadores estavam ensandecidos em busca do empate e foi no último minuto da primeira etapa que ele chegou. Aos 46’, numa cobrança de falta, no lado direito da intermediária, Gustavinho – o novo Zico (ns) – igualou a peleia.  Era o que o Riograndense precisava pra voltar mordendo ainda mais no segundo tempo.

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E, assim como aconteceu desde que sofrera o gol, o Periquito assumiu a bronca e tomou conta do jogo. Teve as melhores chances e a todo custo, buscava arrumar um tento para passar a frente no placar. Enquanto o jogo estava empatado, o GEB continuou retrancado, buscando jogadas rápidas e apostando todas as fichas nos contra-golpes. Aos 19’, o meia Julio Abu cruzou, Foletti chutou em cima de Luiz Müller, a bola sobrou de novo para o uruguaio, que foi derrubado dentro da área. E o cobrador oficial, Rafael Refatti, assim como contra o Riopardense, deixou o dele. Virada do Riograndense e histeria geral.

Depois de chamar nas ASPAS, o técnico do Brasil-Pel abandonou a filosofia Juarez Roth de ensino e se foi pra cima. Todas as alterações feitas foram para formar uma equipe mais ofensiva. E o Riograndense sentiu. Inevitavelmente, se recuou e acabou tomando uma pressão final do Xavante. Com boas defesas, para se redimir da falha parcial no primeiro gol, o goleiro Yai fechou o arco e quebrou com a invencibilidade do GEB. Mais um foi pra banha no Estádio dos Eucaliptos.

E o som que todos queriam ouvir só veio aos 50 minutos da etapa final. Torcedores, jogadores e comissão técnica pediam o término da partida, o árbitro acatou e a felicidade se estendeu pelo bairro Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. Lá, até agora, ninguém de fora venceu. O próximo jogo é contra o Ypiranga, sábado, no glorioso Colosso da Lagoa. O Riograndense não terá a maior parte da torcida, mas vai incomodar, podem ter certeza.

Ficha Técnica

Riograndense (2) – Yai; Anderson, Marcio Nunes, Vinicius, Lucas; Gudi, Cassel (Michel), Julio Abu (Jeferson Mikimba), Gustavinho; Foletti e Rafael Refatti (Fabio Alemão).
Técnico: Círio Quadros.

Brasil-Pel (1) – Luiz Muller; Wender, Renato Martins, Fernando Cardozo e Edu Silva (Gustavo Papa); Leandro Leite, Washington (Márcio Jonatan), Cleiton e Canhoto (Maicon Sapucaia); Alex Amado e Éder Machado. Técnico: Rogério Zimmermann.

Gols: Gustavinho e Rafael Refatti, para o Riograndense. Wender, para o Brasil-PEL.

Cartões Amarelos: Gudi e Fabio Alemão, para o Riograndense. Éder Machado, Washington e Marcio Jonatan, para o Brasil-PEL.

Arbitragem: André Cieslak, auxiliado por Julio Cesar Barcelos Rodrigues e Mateus Oliverio Rocha.

Galgando passos firmes rumo à primeira,

Bernardo Zamperetti

(Todas as fotos são do Mateus Pereira, assessor do Riograndense FC)

Publicado em Brasil de Pelotas, Divisão de Acesso 2013, Riograndense-SM, Série A2 2013 com as tags , , , , , , , , , , , , , , , . ligação permanente.

3 Respostas a Truco! Quero e retruco!

  1. Belo texto, Bernardo.

    Não gosto de perder, nunca é bom, mas talvez dessa derrota o elenco possa tirar proveito para o restante da competição. O Brasil tem um time entrosado, bastante aguerrido, mas não imbatível – nem perto disso. A competição é difícil e temos que lutar muito ainda para voltar à série A. Temos que vencer todas na Baixada e pontuar fora.

    Parabéns ao Riograndense pela vitória. Acredito que ela veio com o gol de empate no final do primeiro tempo. Ali o índio entregou o PATÊ. Zimmermann estava enlouquecido pedindo aos jogadores do Brasil para não cometerem falta. Fizeram e tomamos NOS BEIÇO.

    Abraço.

  2. NecoMüller diz:

    Julio Abu e Gustavinho, destaques deste inicio de campeonato.

  3. NecoMüller diz:

    Eucaliptos invicto, 3 vitórias, duas do Periquito e uma do Coloradinho.

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