O sapo e o escorpião

forlangol

Admito que falta inspiração e ânimo pra escrever após mais uma TRAULITADA, pancada esta que já vai virando tradição, na base de ao menos uma por ano, como se fosse um castigo eterno pelos felizes anos em que tricotamos um gorro verde e branco para um Saci até então moribundo.

O pior é que minha falta de VOIA (que resulta em minha ausência cada vez mais habitual por aqui) não se dá especificamente em relação ao clube ou mesmo ao acadelamento do Juventude no histórico recente dos Juvenais, mas sim por um desencanto em relação ao futebol como um todo, tão ENCHORUMADO pela cada vez maior e mais boçal grenalização que se espraia a rodo, pelo descaso com que os clubes do interior são tratados por terceiros, segundos e até primeiros – no caso, torcedores e dirigentes -, culminando com a mercantilização e afirmação do “não dá nada” que não respeita sequer uma vida de um piá, arrancada de seu crânio por um sinalizador náutico em algum lugar da Bolívia.

kombijaconeraSomados a compromissos já agendados, foram esses os motivos que me levaram a não embarcar na Kombi jaconera, que rumou de Porto Alegre para o meio do mato de Cruzeiro do Sul, a fim de  assistir o enfrentamento do Papo com o circo itinerante dirigido por Michael DUNGLAS em “Um (de seus vários) Dia de Fúria”. Como tô sem o peiperviu do TARSÃO em casa e me nego a extirpar um rim em troca de um jogo avulso, fui testar as benesses de finalmente ter uma internet próxima do decente em casa e catei as ondas da Rádio Caxias enquanto meu filhote de um ano e meio RESSONAVA ao meu lado no sofá. Bem que ele fez…

Mal tinha aberto o streaming e já via pelo tuíter que FORLÃ abria os trabalhos no estádio do Lajeadense. Pra um grupo que passou a semana tagarelando que jogar contra o Inter seria a fudê e o escambau, pela oportunidade, visibilidade, tomar um toco imediato só tornava a tarefa de aparecer na telinha ainda mais ingrata. Porém, pelo que ouvi, foi o que precisou para o Juventude empilhar chances perdidas para o empate. Até que Alan, ao receber um lançamento na área, foi derrubado por Gabriel. Pênalti meio mandrake, já que não foi uma enxadada dentro da área, mas nada que justificasse a cagação de regra já tradicional de Dunga aos microfones no final do jogo, como se fosse crível para alguém que a dupla Grenal seja algum dia prejudicada pela arbitragem no enfrentamento com o interior. Menos, John Rambo brasileiro…

alangolO fato é que o próprio Alan foi lá, bateu bem, empatou o jogo (até porque o Zulu, depois de tentar virar o Palermo BLACK contra o Zequinha, melhor dar um tempo mesmo). Mas foi o que bastou para todo o ânimo alviverde arrefecesse. Instantes após ver igualado o placar e aproveitando mais uma LAMBADA da defesa do Juventude, o colorado marcou mais um, anulado logo em seguida por impedimento, só assinalado após a espirocada de Lisca com o árbitro reserva, que rendeu sua expulsão, e que gerou novo chilique do gringo chicken little rubro, que de tão amado pela arbitragem até recebeu um abraço de um deles neste campeonato, habilitando-o a fazer o que quiser em campo a partir de então. Inclusive a passar de prima pro colega uruguaio e deste pra Damião, que deixou o time “da casa” novamente em vantagem.

Finada a primeira etapa, a segunda fez a papada temer pelo pior. Sim, porque quem tem tomado goleadas deste mesmo adversário cujos placares finais se aproximam do topo da escala Richter, ao começar a tomar um atrás do outro, sempre deve temer pelo pior. E assim foi, com Aírton (muito prazer, desconhecia o cidadão) e Forlán, novamente, contando com a fidalguia do sistema defensivo esmeraldino – incluída aí menção HORROROSA ao goleiro Fernando. A partir daí, dotado de uma humildade até então não vista nos últimos confrontos, o time de vermelho pareceu tirar o pé do acelerador, contentando-se com o placar e poupando a papada lá presente do escárnio ainda maior.

O que fica desse turno para o Juventude? Sinceramente, não sei. Um grupo que teve um mês coçando o saco após a eliminação prematura no primeiro turno, voltou pra segunda parte do campeonato avassalador. Patrolou seus adversários até obter a classificação antecipada, com duas rodadas de folga. Só que, a partir de então, calçou um salto alto que não sabe usar e CAGOU NO PATÊ em pleno Jaconi contra o esquartejado Canoas, indo pro jogo final do turno, contra o Inter, feito boi-de-piranha. Toda a confiança amealhada até então foi pra banha. É aí que se encaixa o título PARABÓLICO deste texto: tal qual a fábula do sapo e do escorpião, o Juventude cada vez mais é aquele clube que pede pro seu torcedor, já ressabiado, levá-lo nas costas na travessia do rio. Este, mesmo hesitante, aceita o fardo, afinal, é o seu clube. Só que no meio da travessia, o clube crava o salto alto calçado nas costas do torcedor e, ao ser perguntado do motivo de tal traição, responde: “é a minha nova natureza”.

liscacalmoraridadeÉ assim que fica o torcedor do Juventude após rebaixamentos, sarandas e traições: com a certeza, se ainda não era clara, de que seu clube voltou definitivamente ao seu estado anterior à parceria quimérica dos anos 90. Mais um dos ESGUALEPADOS clubes do interior gaudério, que seguem sua sina de serem socados pela dupla hegemônica, aprontarem eventualmente uma que outra surpresa contra estes e não conseguir sequer se impor contra seus pares de forma perene. Um clube que, não fosse sua categoria de base SOBRENATURAL para a realidade atual, estaria em lençóis ainda piores do que os revelados pelo próprio Lisca em entrevista no final de semana.

Agora, pela frente, aparece o Novo Hamburgo na primeira perna dos matas deste turno, no Jaconi. Noia que, mesmo fraco (não tapemos o sol com a peneira), vem embalado por fugir da degola no último suspiro e tentando esticar seu primeiro semestre o máximo possível. Caso este incerto Juventude passe, pega o sobrevivente entre o walking dead Grêmio e o São Luiz, que surpreende pelo gás que ainda não acabou. Se bem que hoje, na real MESMO e sem espírito de “ah, tô cagando pro Gauchão” (que não é o meu caso), minha preocupação tá mais com a participação na série D nacional, contra paulistas, mineiros e catarinenses, tendo um time que vai de PAU MOLE na hora do vuco-vuco. 

Mais perdido com esse time que cusco em caminhão de mudança,

Franco Garibaldi | @francogaribaldi

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Ficha técnica:

INTER (4): Muriel, Gabriel, Alan, Romário e Fabrício (Jesus, só agora vi que o miolo de zaga deles era um caco e nem assim…); Aírton, Willians, Fred (Otávio) e D’Alessandro (Vítor Júnior); Forlán (Caio) e Damião. Técnico: Dunga.

JUVENTUDE (1): Fernando, Murilo (Dê), Rafael Pereira, Diogo e Alan; Moisés, Jardel Rogerinho e Diogo Oliveira (Robinho); Bergson (Gustavo) e Zulu. Técnico: Lisca.

Gols: Forlán (2), Damião e Aírton (I), Alan (J).

Arbitragem: Jean Pierre DIESEL de Lima, auxiliado por João Lúcio de Souza Júnior e Paulo Ricardo Conceição.

Local: Estádio Alviazul, em Lajeado.

(as fotos são do arquivo de mídia do site zerohora.com, com exceção da que registra a Kombi, cortesia do Rudimar Schereiber Jr., dos Papos da Capital) 

Publicado em Gauchão 2013, Juventude com as tags , , , , , , , , , , , , , , , , , . ligação permanente.

16 Respostas a O sapo e o escorpião

  1. Bassa diz:

    Grande Franco. Baita texto, como de praxe.

  2. Franco Garibaldi diz:

    #1 Só vocês pra manter essa Kombi viva por aí! Valeu, velho!

  3. Ernesto diz:

    Só o impedimento pra brindar o leitor com esse todacancha, que, além de excelente blog, ainda dá o prazer de ver um juventudista chorando as pitangas contra a arbitragem e RANÇANDO contra o treinador do Inter, em prol dos demais clubes do interior, como se um GREMISTA fosse, sob o manto da defesa do futebol do interior.

    Qual filme passou na globo, domingo? O QUATRILHO, ou foi aquele “QUERO SER GRANDE”.

    forte abraço.

  4. Pedro Torres diz:

    “gringo chicken little rubro” heuheuheuheuheue demais!
    Baita texto mesmo, Franco!

  5. #3 Tchê, Ernesto, aqui no Todacancha, Grêmio e Inter são conceitos distantes. Não fossem as contingências geográficas, diria que nos tocam o coração como a mesma intensidade da seleção das ilha Nauru. Portanto, não tome críticas a um como adesão ao outro. Há muita paixão entre duas metadas que se pretendem hegemônicas. Aliás, no Rio Grande maniqueísta, não há espaço para reflexão, só para a adesão, furiosa e atávica.
    Franco, força, índio velho. Terás a D pela frente, sem o Xavante para entregar seis pontos, mas desejo colheita farta.

    Abraço a todos.

  6. Franco Garibaldi diz:

    Valeu, Fabrício! Na real, nem esquento com alguns comentários. O #3 só reflete o que escrevi ali no meio do segundo parágrafo do texto. Logo, só corrobora o diagnóstico. Abração, cara!

  7. Ernesto diz:

    #5

    A crítica do texto é de adesão a outro à medida que recorda fatos de jogos do Internacional que nem contra o Juventude ocorreram – e que inclusive o Veranopólis saiu vencedor, no caso citado – e qualifica os jogadores de forma pejorativa. É do jogo, mas é engraçado, porque vindo de um juventudista, o novo rico dos anos 90, que agora adota o papel e a bandeira de combalido do interior.

    Sem contar que rança contra um treinador por ele reclamar de um penalti marcado contra seu time. Como todos fazem.

    Tudo bem, eu entendo. É dificil perder um freguês. Mas já faz tempo. O negócio é se acostumar.

    E não precisa vir com esse papo pra cima de mim, Fabrício. Minha família é de Pelotas. Lá sim tu pode vir com essa teoria toda. E mesmo assim a influência já é grande.

    Forte abraço, pois acho que és auréo-cerúleo igual ao meu avô e meu pai. E ao juventudista força. Boa sorte para a matriz, quinta-feira. E, se levar essa frase a sério, relaxa, tomei tufo do teu time por uns 7 anos. Não vou perder a piada, agora, correto ?

  8. Natan Dalprá Rodrigues diz:

    #3 e #7

    Acho que o mural (se é que existe) do grande e maravilhoso (só que não) site da RÉBIS sobre o futebol do interior é uma boa alternativa para tu colocares tuas coesas opiniões sobre o tema meu caro Ernesto.

  9. Papada diz:

    #7

    Errado. Ao fazer esse tipo de associação e de piada, estás assinando embaixo do parágrafo 2 do texto, além de demonstrar grande ignorância em relação ao futebol do Interior, seus torcedores e suas paixões. Falar que existe duplo clubismo é uma coisa (embora sem sentido algum aqui no Toda Cancha). Generalizar esse fato é ignorância e burrice.

  10. # 7
    Ernesto, não sou cego. Salta à retina os pelotenses vira-latas arrastando asas para os clubes da capital. E como já estou velho para culpar inimigos externos por tudo de ruim que ocorre na vida, sei exatamente que culpa é nossa, dos times de Pelotas. Os gigantes estão no papel deles, de passar o boné em tudo que é pago para bancar as indecências que eles gastam.
    Quando me referi à indiferença aos clubes da capital, falava do Todacancha. Discordo dos meus convivas, acho suas ideias bem-vindas, mas entenda o espírito que nos entrelaça. “Acusar” qualquer um de nós de gremistas ou colorados é como deduzir que um xavante seja áureo-cerúleo, como fizeste comigo. Aí é quase ofensa, tchê.
    Abração

  11. Juliano diz:

    O comentário #3 e #7, simplesmente confirma a alienação dos torcedores da dupla…que vivem em um mundo paralelo, onde mais de 90% da torcida nunca foi a campo e se diz fanática…acompanhando a Rébis com suas matérias ridículas e tendenciosas….
    E ainda por cima vem com ironias muito infelizes com essa história de matriz…
    Enfim, essa é a torcida da dupla, que acha que o sol mora na sua barriga…
    num estado, quebrado, onde os clubes estão cada vez mais quebrados, sem grana, sem perspectiva, com jogos de horario de trabalho (17:00) e de boate ( sábado as 21:00), com ingressos caros, para competir com dois clubes com folha de 8mi/mes e que ganham dinheiro de um banco estatal e a imprensa ainda tem a cara de pau de discutir o pouco publico.
    Lembro aos teus semelhantes, caro Ernesto, que sem o dito cafezinho, o tal “mortal’ nada teria ganho em mais de dez anos. com orçamentos absurdos…e o saci tb, passado o ano mágico, o que ganhou depois ?
    O Juventude com 1/5 do valor, foi campeao da copa do brasil…
    Caro Ernesto, caso não viu, o blog apóia os times e os torcedores do interior, aqui, todos gostariam de ver seu time campeão, mas acima de tudo, idenpendente da série, do campeonato disputado, sem tem titulo ou não, TODOS defendem as cores, a camisa e o brasão…com amor, estando presente, e nao num sofá, e tb não ficam fazendo propagadinha de competição como um certo time azul está fazendo.
    Queria eu ver o governo auxiliar os times do interior como está fazendo com a Arena, com os cts dos dois times, bancando, isentando impostos… isso não falam…
    Sabem é vir aqui e vir com piadinha infame…

  12. Alexandre Maciel diz:

    Não tem como ler um texto como esse e não torcer pelo futebol do interior!

  13. daroit diz:

    Pô, falta uns 2 quilômetros pra ser Cruzeiro o estádio, Franco, haha.

    Quanto ao resto, prefiro nem comentar pra não ser processado.

  14. Balejos diz:

    #11 impressora ligada… imprimindo… impresso… assinando… assinado.

  15. Ernesto diz:

    Que patrulha, hein gurizada. Tocou fundo na alma.

    Forte abraço, foi só uma flauta. Afina, bem ou mal da realidade do futebol do interior, o Inter venceu, e se ficassem com menos ranço na alma e mais atenção ao comentário verão que eu próprio acusei o golpe, por ter passado tempos vendo derrotas frente ao juventude.

    Mas insisto, se indignar por fatos de um jogo vencido pelo VEC – não juventude – SOA estranho.

    Fabrício, foi mal, guerreiro. Entendi como tom de flauta a algumas derrotas do xavante na série C. Por isso a dedução que serias do Lobo. Forte abraço.

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