Quero voltar pra casa no aconchego do teu abraço

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Não foi exatamente o retorno que o Inter-SM esperava. Não pelo placar. Longe disso, aliás. A vitória colorada por 1×0 sobre o Avenida foi de extrema importância, ainda mais por se tratar da primeira vitória na Divisão de Acesso. O time do técnico Badico disputou menos partidas que os demais e, por isso, poderia ter sentido a falta de ritmo. Mas a PIAZADA comandada pelo eterno avante colorado não sentiu nada. Alias, sentiu sim. Sentiu que tinha novamente a torcida ao lado. Mas faltava alguma coisa. Ainda não foi o retorno para casa. O Inter-SM disputou sua primeira partida em solo santa-mariense quase QUATRO MIL METROS distante do Presidente Vargas. Ok, quatro quilômetros ainda é menos impactante. E o Inter-SM atuou na casa do maior rival, o Riograndense.

Dentro dos Eucaliptos, num acordo TÁCITO de CAVALHEIROS acertado ainda enquanto se vivia às sombras de uma incerteza que parecia eterna de que não mais os clubes santa-marienses teriam seus estádios liberados, os presidentes dos dois clubes asseguraram que a primeira CANCHA respaldada pelo Corpo de Bombeiros seria a casa dos dois clubes. E o TRATADO foi cumprido à risca. O clube vermelho do presidente Luiz Claudio Mello jogaria na casa do clube verde do presidente Juliano Leite. Um exemplo de cordialidade tão necessário e de importância reconhecida por ambos os clubes.

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Mas o Inter-SM não pareceu se importar sequer com as dimensões do campo ACANHADO dos Eucaliptos, algo que foi debatido durante a semana inteira por jogadores e pela comissão técnica. Desde o início, o colorado ACOSSOU a esquadra alviverde no seu próprio campo, que limitou-se a defender, defender e defender. Com Ronaldinho GRAMADENSE infernizando a defesa do Avenida ora pelo lado direito, mas principalmente na ponta esquerda de ataque, o colorado batia, batia e batia, mas esbarrava no FERROLHO montado por Hélio Vieira. O ferrolho até ameaçou dar algum trabalho, quando Rincón balançou as redes, mas em posição irregular.

E teve espaço até para a rivalidade Ave-Cruz. Como que prevendo o FATÍDICO destino reservado ao rival preto-e-branco do Estádio dos Plátanos horas mais tarde, a torcida Mancha Verde levou aos Eucaliptos um CAIXÃO para representar o descenso do rival citadino, o Santa Cruz. Destino esse que se apresentaria cruel, já que, de fato, o rebaixamento foi confirmado. Mas não houve outros motivos para comemoração da torcida que, por ironia, estava justo no lugar comumente ocupado pela Ferroviários em dias de jogo do Riograndense. Ainda no primeiro tempo, Daniel foi expulso após LEVANTAR o atacante João Leandro.

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O alviverde mostrou-se completamente apático e não foi nem de perto o time que a PERIQUITAIADA viu nas primeiras rodadas da competição. A torcida que esperava Ezequiel em campo, também teve que se contentar com Pierre, que nem de longe pode ser comparado ao LEBRE.

Com a vantagem numérica estabelecida desde o final do primeiro tempo, o Colorado voltou disposto a confirmar sua vitória. E assim o fez. Em jogada pela direita de ataque, Arpini recebeu a bola na entrada da área, bateu com a perna SINISTRA e a peronha morreu no fundo do gol de Vanderlei. Um a zero virou goleada nos Eucaliptos, e o jovem time do Inter-SM segurou o resultado diante do Avenida, que lançava-se incessantemente ao ataque, mas sem sucesso. O Inter-SM deixou o campo – de menores dimensões que o seu, diga-se novamente –com a primeira vitória na Divisão de Acesso do BRIZOLÃO 2013.

Mas o fato é que o jogo nos Eucaliptos marcou o reencontro. Reencontro da torcida do Inter-SM com o seu clube. A torcida pôde, enfim, abraçar seus atletas dentro da própria cidade. Ainda é pouco para um time que quer voltar à sua casa e mandar seus jogos dentro do seu estádio. Mas o Inter-SM pôde sentir o calor do abraço da sua torcida. O técnico Badico deixou o campo OVACIONADO. Com a torcida gritando seu nome, Badico limitou-se a responder para os que se AGLOMERAVAM nos alambrados dos Eucaliptos um “tâmo junto”. Sim, a torcida também quer estar junto do Inter-SM. O abraço desse domingo foi quente, de reencontro, mesmo numa manhã de horário incomum para a prática do futebol. Quente como o sol que teimou em aparecer, contrariando todas as previsões de frio.

Torcida que ainda deu uma provocada na Mancha Verde, cantando pra recolherem os trapos e voltar pra Santa Cruz. Sabe-se que os Fanáticos da Baixada possuem laços de amizade com a Barra do Galo, o que faz com que provocações apareçam sem demora.

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Só que o Inter-SM quer mais. O Inter-SM não quer só o abraço do reencontro. Claro, é inegável a importância desse abraço. O abraço que exorciza. Como o Walter Mosca de Mario Puzo ao retornar da Guerra e encontrar a família à sua espera. O Inter-SM deixou para trás as ruínas de Nuremberg e não mais pretende retornar, como fez o personagem de A Guerra Suja. O trem deve seguir outro caminho, ainda que em Santa Maria ele teime em ir sempre pras bandas dos Eucaliptos. O Inter-SM quer voltar pra casa. Mas mais do que isso, o Inter-SM quer voltar para a Primeira Divisão. Para isso, é preciso o abraço que anda junto, o abraço do aconchego. Aquele abraço por cima do ombro, que caminha lado a lado. E ruma de volta pra casa.

Do outro lado, o Avenida quer reencontrar o gosto da vitória e seguir na peleia pelo acesso à elite do futebol gaúcho, ainda mais agora que o rival caiu, esse acesso está com um gosto melhor ainda. O próximo encontro com a torcida, dessa vez em casa, está marcado pro próximo domingo, contra o Xavante. Além do reencontro com a torcida, espera-se um reencontro com o bom futebol, que parece que não rodeia mais os Eucaliptos.

Tostados pelo sol dominical Santamariense,

Nicholas Lyra e Sabrina Heming

(Todas as fotos são do Nicholas Lyra)

Publicado em Avenida, Divisão de Acesso 2013, Inter SM, Série A2 2013 com as tags , , , , , , , , , , , , , , . ligação permanente.

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