Triste e conhecida rotina

Alex Amado cai em disputa: Xavante foi muito voluntarioso, mas faltou futebol. (Alberi Rosa/Gazeta do Povo)

Alex Amado cai em disputa: Xavante foi muito voluntarioso, mas faltou futebol. (Alberi Rosa/Gazeta do Povo)

A tarefa era tão ingrata quanto o frio da cidade que tem 3 meses de Inverno e 9 meses de Outono ou o extorsivo ingresso de 100 dilmas. A derrota do Xavante para o Atlético, no Bento Freitas, praticamente sacramentou o destino rubro-negro na Copa do Brasil. Mas nem por isso dezenas de torcedores deixaram de sair de Pelotas, pegar VINTE HORAS de estrada, e acompanharem seu clube em Curitiba, mesmo com o final triste da história bem vislumbrado no horizonte.

O Brasil entrou no JANGUITÃO com um PEGA-RATÃO clássico, emulando os bons tempos de Chiquinho e Cláudio Duarte. Contudo, a ambição quase desaparecia com a posse da bola, que queimava a temperaturas PLUTÔNICAS nos pés de Wender e Maicon Sapucaia. O pigmeu albino Alex Amado atuava como uma espécie de segundo lateral-esquerdo, visto que Edu Silva era constantemente envolvido por Douglas Coutinho.

Embora o time do Atlético Paranaense não fosse mais do que pífio, se amparando em poucos destaques individuais, como o zagueiro Manoel, o já mencionado Coutinho e o centroavante-aipim Marcão, o Xavante abdicava de jogar e posicionava todos seus 11 jogadores atrás da linha da bola. Brasão se via constantemente tendo que brigar com os zagueiros rubro-negros pelas bolas chutadas por sua defesa e correr sozinho 50 metros até à meta adversária. Isso quando os balões de Luiz Müller não procuravam Alex Amado, como se o pequeno atacante tivesse alguma chance com os defensores adversários e algum fôlego depois de marcar até sua intermediária.

Cirilo foi um dos bons destaque rubro-negro. (Foto Alberi Rosa/Gazeta do Povo)

Cirilo foi um dos bons destaque rubro-negro. (Foto Alberi Rosa/Gazeta do Povo)

A superioridade do Furacão, contudo, não se traduzia em arremates a gol. O Atlético só conseguia chegar pelas pontas e alçava bolas na área, tenteando algum erro da zaga xavante, mas apesar do desespero latente no rosto de alguns jogadores, o Brasil escapava de tudo.

No segundo tempo o Brasil resolveu deixar o espírito de CUSCO sem raça e sem alma para fazer um crimezito, claramente fazendo jus ao destempero de Rogério Zimmermann na casamata. Deixando o medo de lado para se envolver nos braços da esperança, o Xavante passou a explorar as bandas do campo com Edu Silva e Alex Amado; Brasão brigava e ganhava dos zagueiros. O Brasil era superior e um gol era bem crível.

Mas aí bastou entrar Paulo Baier, com sua matreirice balzaquiana, e decidir a peleia em questão de minutos. Bastou o Brasil ensaiar um salseiro para a raposa velha atleticana colocar o time gaúcho em seu devido lugar.

Lugar, esse, que não é apenas do Brasil, mas do futebol gaúcho. Os insucessos pampeanos são constantes e não há indícios de melhoras. Já falamos aqui, diversas vezes, do descaso da FGF, da mídia e dos próprios clubes para os representantes do esporte-bretão no Estado. Porém é verdade que os times dos interiores de SC e PR recebem tanto quantos os gaúchos (nada), mas conseguem resultados melhores. Arapongas e Cianorte avançaram na Copa do Brasil; Veranópolis e Xavante, não.

Havia mais torcedores do Brasil de Pelotas em Curitiba do que atleticanos em Pelotas. (Alberi Rosa/Gazeta do Povo)

Havia mais torcedores do Brasil de Pelotas em Curitiba do que atleticanos em Pelotas. (Twitter oficial do Brasil)

O que me leva a questionar novamente: qual a parcela de culpa da estagnação ou involução tática do futebol gaúcho nos seus insucessos? Nas duas partidas diante do Atlético, o Brasil se resumiu a chutões a partir do meio-campo e uma retranca braba fora de casa, temendo um time que, se não contratar QUINZE jogadores, é candidato ao rebaixamento no Brasileirão.

Se o futebol gaúcho não se repensar e mudar radicalmente dentro de campo, esses escriba aqui continuará vendo in loco os mesmos roteiros tristes de quando times da nossa terra visitam a capital paranaense. E se o próprio Brasil não repensar algumas de suas peças, como Maicon Sapucaia, não sairá da Segundona tão rápido. A torcida xavante, que conheci pessoalmente ontem, merece um time bem melhor. Não mais aguerrido. Que não tenha medo e saiba jogar bola.

FICHA TÉCNICA
Atlético-PR: Weverton; Léo, Manoel, Cleberson e Pedro Botelho; Deivid, João Paulo, Elias (Paulo Baier) e Everton; Marcelo (Ederson) e Marcão (Ciro). Técnico: Ricardo Drubscky
Brasil de Pelotas: Luiz Muller; Wender, Cirilo, Fernando Cardoso e Edu Silva; Leandro Leite, Cleiton, Washington e Maicon Sapucaia; Brasão (Éder Machado) e Alex Amado (Marcio Jonathan). Técnico: Rogério Zimmermann

Sempre alentando pelos gaúchos fora dos pagos,
Zezinho

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13 Respostas a Triste e conhecida rotina

  1. Franco Garibaldi diz:

    É o meu medo de sempre: ou os clubes daqui se ajudam – não apenas botando um dos seus na FGF, mas deixando de esperar que as coisas caiam do céu – ou o que vemos hoje é apenas um trailer do que está por vir por aí.

  2. Tchê, Zezinho, é exatamente a minha impressão. Os caras até têm orgulho de jogar no Xavante, dão carrinho, correm. Mas falta talento. No futebol, embora destinatário do nosso amor, as coisas são mais ou menos como no capitalismo: premia-se o resultado, não somente as boas intenções. É como desejar a comissão ao vendedor só porque ele sai para rua cheio de ganas.
    Escrevi sobre esta falta de talento na resenha do último jogo. E, na ausência de um conjunto que amenize as deficiências, as mediocridades saltam aos olhos.
    Queria muito ir ao jogo, mas a vida de operário (também com mais boa vontade do que resultados) me impediu.
    Obrigado pelo relato, cara.
    Abração

  3. Marcio diz:

    Cara, a culpa, apesar dela ter muita, não é só da FGF.

    Falta muita competência no nosso interior. Especialmente na zona sul.

    Ou é admissível, num campeonato de mais ou menos como o nosso, times como São Paulo, ou o próprio Brasil, não terem apoio outro que não o de suas torcidas, e estarem na segundona?

    Mas falta talento e competência. Especialmente de quem dirige esses clubes.

  4. Alexandre Maciel diz:

    Os dirigentes de clubes da região sul do RS estão lejos de poderem ser chamados de competentes. Lhes falta muito. Mas, então, quer dizer que todos os outros são competentes? Não convence, sinceramente.
    De outro lado, a culpa é bem maior da FGF (afinal, a gestão que ganhou muitas libertadores e um mundial!) por bater palmas aos desmandos da CBF, não apoiar os seus filiados que pretendem disputar um campeonato em nível nacional, por fazer uma cortina de fumaça com a queima dos “milhões”; deixar de observar que é a mesma entidade que faz com que um de seus representantes em torneio nacional jogue 3 dias após um jogo cansativo, que declara que uma tragédia pode ser um bom “balcão de negócios” (não esqueço da tragédia, infelizmente!). A FGF é a maior culpada pelo triste fim do futebol do interior gaúcho!

  5. Alexandre Maciel diz:

    Ah, já ia esquecendo, Marcio, só pra te provocar: não é só Brasil e São Paulo. Praticamente todo o futebol da região sul está nessa barca. O Pelotas se segura enquanto pode, mas o que pinta é um futuro ainda mais triste.

  6. Natan Dalprá Rodrigues diz:

    A Zona Sul é a próxima região a se esgualepar. O problema é de quem comanda o todo e de quem manda nos clubes, a questão é geral. Apesar de algumas isoladas e boas iniciativas, a perspectiva que vislumbramos é trágica como um todo. Só um milagre divino para termos um acesso nacional neste ano e com isso dar uma pequena respirada.

    Visto que a Fronteira já foi, os teimosos de Bagé/Livramento/São Borja ainda respiram por aparelhos, mas o fim é iminente.

  7. Matheus Almeida diz:

    Os dirigentes da Zona Sul não são nada além de abnegados, que não entendem de marketing e do mercado da bola. Fazem o que fazem por paixão e pela esperança de crescimento.

    Não se pode colocar a culpa neles, do contrário, se eles não estivessem lá, teríamos mais portas fechadas do que abertas pelos rincões do estado.

    A diferença é que em SC, por exemplo, os diretores são profissionais, trabalham para isso e com isso. Já passamos da fase (infelizmente) em que o futebol prosperava apenas com bons times em campo. Hoje em dia vale mais um bom plano de sócio, uma estrutura bem evoluída, um marketing que pense além do “mensalidade em dia não paga ingresso”, do que um camisa 9 matador ou um 5 cão de guarda.

  8. Zezinho, OBRIGADO pelo relato! Mesmo.

  9. Tiago diz:

    “Porém é verdade que os times dos interiores de SC e PR recebem tanto quantos os gaúchos (nada), mas conseguem resultados melhores.”

    Acho que esse é o x da questão.

  10. Sancho diz:

    Aqui, oh, não é só no futebol que SC e PR nos dão de relho. Nós paramos no tempo…

  11. Ferreira diz:

    Acho que não podemos esquecer dos nossos treinadores, que, a meu ver, poderiam ser melhor preparados. Fora o Tite, qual foio último técnico que passou pelo interior e se deu bem depois?

    Entra ano e sai ano e são sempre os mesmos: Itamar Schulle, Beto Almeida, Rogerio Zimerman, Beto Campos, Gilmar Iser, Gilmar Dal Pozzo, Lisca, Guilherme Macuglia, Paulo Porto…

  12. Régis diz:

    #11

    Mano Menezes.

    Os treinadores são os menos culpados, o problema é a montagem dos times e na cabeça das direções que por sua vez, estão mais preocupados em manter o poder do que em trabalhar em prol do clube em questão, se fecham a ideias novas e abominam quaisquer aproximação de jovens REALMENTE pretendem que o time da comunidade cresça.

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