O Bang Bang do Planalto Médio

veranopolis

Confesso que não sou um grande conhecedor de filmes, tenho certeza que assisti somente a um Bang Bang clássico das telonas na vida (e talvez tenha dormido na metade, pois não me lembro do final). Mas o ápice do filme é sempre aquele, o mocinho contra o bandido em uma rua de terra batida, a população da cidade olhando atentamente o que acontece e o silêncio sepulcral dos dois duelistas se encarando esperando que os ponteiros do relógio que aparece ao fundo se encontrem anunciando que é chegada a hora do duelo.

Pois no último domingo, Passo Fundo testemunhou a essência viva do Bang Bang no futebol, a decisão por pênaltis (a primeira que este que escreve presenciou na vida em um estádio de futebol). Mas antes do momento crucial do filme tem todo aquele lero-lero hollywoodiano: como o mocinho conheceu a prenda, o que levou o bandido a ser uma pessoa malvada, como havia sido o embate anterior (sim, porque todo filme termina com a redenção de quem havia apanhado antes) e outras cositas mais.

Se nas classificatórias o Passo Fundo havia vencido por 2×0 em um jogo que o Veranópolis entrou perdidinho, perdidinho, no domingo quem entrou perdido foi o Passo Fundo. O Vec veio com uma proposta claríssima de se fechar no meio de campo e sair no contra ataque, anulando assim que Chiquinho e Diego Miranda tivessem espaço para jogar pelo lado do time da casa. As melhores chances do primeiro tempo foram do time da terceira idade, aos 15, Juninho avançou e soltou a bomba para uma linda defesa de Bruno Grassi, logo depois em uma linda cobrança de falta Ednei acertou a trave de Bruno Grassi, para desespero de Julinho Camargo que já havia pulado para comemorar o gol. Para “ajudar” ainda mais o Passo Fundo, Janderson e Branquinho se machucaram, obrigando o treinador Beto Campos a fazer duas alterações.

Minha-Carlotinha

Minha Carlotinha! Esta bola não entra

No segundo tempo, novamente uma falta na entrada da área para o Veranópolis, novamente Ednei na bola, tremor de todos os que estavam no estádio, Ednei partiu, bateu e Bruno Grassi conseguiu espalmar para escanteio. O segundo tempo foi uma cópia do primeiro, o Passo Fundo continuava tentando afunilar o jogo pelo meio e o time da serra continuava com um sistema defensivo consistente, sem sofrer ameaçar por parte do time da casa. Aos 32 minutos o lance que inverteu a situação da partida. Diego Miranda sofreu falta cometida por Anderson Luis no centro de campo, cartão vermelho para o Zagueiro do Veranópolis e a esperança de que AGORA VAI. Mas não foi, o time da casa continuou insistindo pelas jogadas pelo meio e a zaga do Vec seguiu afastando a bola facilmente, momento perdido pelo MST que poderia ter iniciado um acampamento nas duas linhas de fundo laterais do ataque do Passo Fundo que estavam abandonadas. Aos 44 a ÚNICA chance clara de gol do Passo Fundo em todo jogo, bola chuveirada da intermediária em direção a meta de João Ricardo, a bola passa por todo mundo e fica perto de Guto, na pequena área tentar a conclusão. Mas o atacante fura a tentativa de CALCANHAR e a partida vai para os pênaltis (para desespero do camiseta 17 do Veranópolis que estava pronto para entrar e não conseguiu).

penales

E QUE COMECE O TIROTEIO

Chegamos ao ápice, a decisão por pênaltis, o Bang Bang do futebol. De um lado os mocinhos, 5 deles para cada lado, munidos de uma BALA BOLA e prontos para deixar as mocinhas da torcida em êxtase fuzilando quem está pela frente. Do outro lado o Vilão, um para cada lado, louco para contrariar as estatísticas e cometer o crime. João Paulo (VAGABUNDO, NUNCA TE AMEI) se encaminha para a bola, realiza o seu disparo e, ao contrário dos filmes, JOÃO RICARDO vai de encontro ao projétil desferido, a bola ainda bate na trave e sai. O Vilão havia feito a sua primeira vítima. Itaqui converteu pelo lado dos mocinhos, torturando a população que assistia ao jogo. Mas nós tínhamos Chiquinho, o Maestro Chiquinho, o RIQUELME DESTRO DO PLANALTO MÉDIO, e tal qual Riquelme (Villareal x Arsenal, Champions League 05/06), Chiquinho falhou, João Ricardo novamente faz a defesa e as moças já iam aos prantos enquanto assistiam o duelo. O Vec converteu o segundo pênalti com Ednei, 2×0 no Placar e a esperança ia indo embora. Eis que os céus tentaram mostrar que ainda era possível bater o vilão, na terceira cobrança Léo Mineiro bateu cruzado, a BOLA-BALA atingiu as mãos de João Ricardo e entrou, tal qual aquela reviravolta onde o mocinho, depois de tanto apanhar, começa a estapear o vilão. O problema é que o Vec não errava, e seguiu não errando, Escobar marcou o terceiro, e depois Lê converteu a quarta cobrança para delírio da torcida pentacolor. O Veranopolis segue vivo no Costelão 2013 e vai ao encontro do Inter no próximo domingo.

Já o Passo Fundo, fecha as portas e volta somente em AGOSTO (LINDA TABELA NOVELETTO) para a disputa da Copinha. Embora a tristeza tomasse conta do povo que assistiu ao duelo ao vivo, os aplausos ecoaram ao fim do filme. A torcida reconheceu o esforço do clube, que caiu estendido no chão sem ter perdido um jogo sequer no segundo turno e afastou o fantasma do rebaixamento. Se bem que, embora eu entenda pouco de filmes, creio que fantasmas nunca apareceram em filmes de Faroeste.

Triste com o resultado, mas com a alegria de saber que estará aqui ano que vem,

Fred Salomão

***

EC Passo Fundo 0 (2)x(4) 0 Veranópolis

Passo Fundo: Bruno Grassi; Jeferson, Mario, Júlio Santos e Xaro; Janderson (Gil), Everton Garroni, Diego Miranda (Guto) e Chiquinho; Branquinho (Léo Mineiro) e João Paulo. Técnico: Beto Campos.

Veranópolis: João Ricardo; Edinei, Jonas, Edson Borges e Anderson Luis; Escobar, Itaqui, Eduardinho e Juninho (Fred); Márcio Reis (Valdo) e Lê. Técnico: Julinho Camargo.

(A primeira e a terceira foto são de Marcelo Becker/Diario da Manha e a segunda da Rede Globo de Televisão)

Publicado em Gauchão 2013, Passo Fundo, Toda Cancha, Veranópolis com as tags , , , , , , , , , , , , . ligação permanente.

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