A quatro passos do paraíso – e de alma lavada

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Foi um Rio-Nal para lavar a alma. Não de Inter-SM ou Riograndense. O primeiro saiu derrotado, mas viu o time se comportar bem dentro de campo contra a melhor equipe da competição, mesmo com dois jogadores a menos em certa altura da partida. Nem do segundo, embora a vitória tenha colocado o Riograndense já na próxima fase com uma rodada de antecedência, com uma sequência impressionante de seis vitórias consecutivas e o direito de decidir sempre em casa nas fases seguintes. O Rional da quarta-feira de feriado lavou a alma dos apaixonados pelo futebol santa-mariense, independente de vestir vermelho ou verde. O Rio-Nal de ontem lavou a alma e mostrou que o futebol do Interior resiste.

Tanto Círio Quadros quanto Badico exaltaram a presença de ambas as torcidas no Estádio Presidente Vargas, que finalmente foi liberado em sua totalidade e contou com público excelente – estimado em mais de 2500 pessoas. A turma dos Eucaliptos lotou a CURVA destinada ao seu público na casa rival, e dali proferiu toda série de impropérios possíveis e imagináveis ao mascote JURÁSSICO do colorado. Já a torcida do Inter-SM se espraiou em todas as dependências do estádio pela primeira vez no ano, e praticamente lotou todos os setores, desde as arquibancadas onde a Fanáticos ALENTOU o time, até o pavilhão das cadeiras da turma do amendoim.

E se há uma DICOTOMIA clara e evidente entre as duas equipes, ela ocupa a casamata. Círio Quadros é razão, Badico é emoção. E não apenas a casamata: mais uma vez, Badico PASSEOU por boa parte da extensão do gramado a beira do campo. Em algumas oportunidades, o ex-atacante colorado chegou a ir até a linha divisória do meio campo. Mas se ele em determinados momentos esteve próximo de ser expulso, a torcida chegou a pedir que Badico vestisse o FARDAMENTO e entrasse em campo para resolver a peleia. Não que tenha faltado empenho para o estreante Paulinho, na posição em que Badico tanto conhece. Mas a bola pouco chegou ao ataque alvirrubro na primeira etapa, muito em função da dificuldade no setor de meio campo.

O Rio-Nal 258 teve, desde o início do primeiro tempo, o domínio esmeraldino no setor. E essa fragilidade ficou escancarada nos lances em que a bola era afastada pela zaga colorada. Todas as sobras na intermediária da área e na meia cancha eram do time do Riograndense. E foi em uma dessas sobras que Dangelo INAUGUROU o placar no Presidente Vargas. O zagueiro Betão TORNEOU a bola de cabeça para a entrada da área, ela sobrou nos pés do meia, que bateu no canto esquerdo de Marcio Kessler, estufando a rede e enlouquecendo a CURVA destinada à torcida do Riograndense que, de onde estava, certamente não conseguiu ver a comemoração DANÇANTE dos jogadores do Periquito.

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Depois de fazer o gol, o Riograndense manteve a posse de bola, mas não buscou incessantemente o segundo tento. Cadenciou a partida, explorou os toques e fez o time do Inter-SM jogar conforme o ritmo esmeraldino. Em alguns espasmos impetuosos, a equipe da casa conseguiu chegar ao gol do uruguaio Yai, mas nada que comprometesse o placar na primeira etapa. As equipes foram para o vestiário com o mesmo 1 a 0 desde os 17 minutos do primeiro tempo.

Na volta, tudo se desenhava para ter o mesmo do primeiro jogo. Era o Riograndense quem tinha as melhores chances e mais imposição tática. Numa dessas boas e já conhecidas jogadas entre os meio-campistas, Dangelo e Julio Abu tabelaram até Abu encontrar espaço para bater. Encontrou o canto direito do goleiro Márcio Kessler livre e meteu um petardo. 2 a 0 Riograndense em pleno Presidente Vargas.

Com o agravamento da desvantagem, o Inter-SM foi ao ataque com todas as forças. Encurralou a equipe do Riograndense, que perdeu o domínio do jogo. A partida voltou a ficar igual em termos de chances de gol, mas as do Riograndense continuavam saindo pelo toque de bola trabalhado, enquanto o Inter-SM obtinha as oportunidades no abafa. Em uma dessas investidas, o alvirrubro ganhou uma falta na entrada da área, pelo lado direito. Arpini cobrou e o zagueiro Valença fez a bola morrer no fundo das redes.

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Logo após o gol, o Inter-SM desperdiçou chances claras. O Riograndense não se BORROU com o gol, conseguiu se achar em campo e segurou o placar. Manteve o controle da partida até o fim e garantiu a sexta vitória consecutiva. Com uma rodada de antecedência, o Periquito já está com vaga garantida na semi-final e com direito de decidir a segunda partida em casa, por ter feito a melhor campanha da competição até aqui.

No próximo sábado, as duas equipes voltam a campo. O Riograndense entra de SANGUE DOCE, apenas para cumprir tabela numa espécie de ensaio para o PEGA PRA CAPAR das semi-finais. Já o Inter-SM precisa vencer o Farroupilha de Pelotas e secar Glória de Vacaria e Brasil de Pelotas se quiser avançar para a próxima fase. Os Ferroviários já estão a quatro jogos do paraíso. O Inter-SM quer sonhar e espera, no próximo final de tarde de sábado, encontrar-se na mesma situação. Mas o que já se nota é que a dupla Rio-Nal está de alma lavada. E quer muito mais.

Bernardo Zamperetti e Nicholas Lyra

(Todas as fotos são da equipe do Radar Esportivo/UFSM)

Publicado em clássicos, Divisão de Acesso 2013, Inter SM, Riograndense-SM, Série A2 2013 com as tags , , , , , , , , , , , , , , . ligação permanente.

3 Respostas a A quatro passos do paraíso – e de alma lavada

  1. Giaretta diz:

    Salvo engano os Ferroviários estão a 2 jogos do paraíso, a semi-final e a final.
    Estou errado?

  2. Gabriel diz:

    Giaretta, a semi-final e a final são em jogos com ida e volta. Por isso ” a quatros jogos do paraíso”.

  3. Giaretta diz:

    #2, não sabia mesmo!
    No segundo turno os jogos também serão de ida e volta?

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