Das coisas que movem o mundo

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Já te perguntaste por que o mundo gira? Algum físico famoso deve ter uma empolgante e convincente explicação, mas do alto da minha ignorância eu só consigo pensar que ele gira porque jamais pensou em quanto esforço pouparia simplesmente ficando parado a ver seus planetas irmãos a rodar.

Esta reflexão me toma a mente porque outras indagações meu cérebro já julgou ser incapaz de responder: O que motivava os jogadores ypiranguistas a quererem a vitória diante do São Paulo se garantem não pensar na degola? O que motivava aqueles poucos canários a saírem de suas casas num Sábado à tarde em que o céu, como um franco-atirador russo em Stalingrado, insistia em fazer ameaças às suas cabeças? Como a questão do parágrafo anterior, algum profissional conseguiria facilmente dissolver as deste também, mas a minha mente vadia deixará tudo para a análise do bravo leitor.

O fato é que, sem causas explicáveis, os CANÁRIOS entraram motivados para uma peleja que só decidia algo para os que vinham do sul. Já os sulistas pareciam cansados de viagem, contentes com a recepção na CAPITAL DA AMIZADE e preocupados com a cotação das terras em Mariano Moro. Não que houvesse uma disparidade enorme em volume de jogo ou muitas chances claras, mas quem TENTAVA jogar eram os verde-amarelos. E, antes dos 40 minutos da primeira etapa, em um dos 300 balões destinados à área, Tiago Rocha, que em outros tempos era chamado de VOLANTE ARTILHEIRO, botou a redonda na rede do goleiro ANÃO.

O gol eliminava o São Paulo, mas não foi no primeiro tempo que o LEÃO da Linha do Parque resolveu jogar. Alguns dos torcedores adversários que precisaram de 11 horas para atravessar o Rio Grande do Sul, na inexistência de um time para apoiar, passaram o primeiro tempo brigando contra um inimigo invisível, hora encarnado na boa atuação do trio de arbitragem, hora na torcida adversária que ousava OLHAR em sua direção, PATÉTICO!

Avisados dos resultados de Camaquã e Rio Pardo que, combinados com o tento de vantagem ypiranguista, eliminavam os de Rio Grande, o treinador Rudi Machado promoveu alterações visando dar mais LESIVIDADE ao quadro visitante em busca do empate, incluindo a colocação de um terceiro homem no ataque, Robert. Se o São Paulo já não pensava mais no pomar com parreiras que Alê Menezes sonha em ter quando pendurar as chuteiras, ainda faltava muita VIRTUDE para ameaçar a defesa bem organizada por Leocir.

Quando a tentativa de pressão pelo gol de empate havia se dissipado em passes do lateral para o volante, Dall Astra promoveu a reestréia do atacante Guto no Colosso da Lagoa, no lugar do esforçado (pelo menos isso) Adriano. Em um dos primeiros lances do avante ele se enroscou com Vagner. Após alguns olhares tortos daqui e dali, o árbitro resolveu amarelar a vida dos dois. Só que Vagner já tinha amarelo e então este foi convidado a se retirar do campo de jogo.

Com 10 minutos do Segundo Tempo os rubro-verdes contavam com um militante a menos em suas fileiras, além de um gol a menos no placar. Como não poderia deixar de ser em um time capitaneado por Alê Menezes, a pressão aumentou sobre aquele com o poder de apito. Lembram daquele papo das coisas que movem o mundo? Poisé! Castiano, que não fazia má partida e até tinha feito o cruzamento que resultou no gol, resolveu dar um tapa em um sulista. Acertadamente o juiz lhe indicou o caminho da Avenida 7 de Setembro.

Os dois times com o mesmo número de jogadores em campo, agora é a hora do ABAFA? Nada disso! Os ânimos arrefeceram e a partida seguiu calma como um rio em terras planas. Os rubro-verdes não conseguiam atacar e os verde-amarelos não tentavam contra-atacar. ‘Era perfeita simetria, éramos duas metades iguais’.

O jogo, como um velho que caminha para o fim da vida, seguia, aparentemente sem volta, para um fim melancólico: os vencedores muito pouco teriam o que comemorar, enquanto os derrotados teriam um estado todo de estradas para lamentar a desclassificação.

Físicos, psicanalistas e CURANDEIROS até tem suas explicações racionais e comprovadas para questões de menor importância, como eclipses lunares, complexo de Édipo ou quebrantos mas jamais haverá uma ciência que explique como um time cambaleando e desclassificado consegue passar um jogo todo sem qualquer sobressalto defensivo, abrir um gol de vantagem e, apenas um instante antes de se fecharem as cortinas, zagueiro e goleiro irem à mesma bola, em um cruzamento despretensioso, e permitir que esta vá à rede, dando o gol da classificação para o confrontante.

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Eistein, Freud e Mãe Diná jamais reuniriam argumentos coerentes para DILUCIDAR, também, o êxtase que o TESTAÇO DA CLASSIFICAÇÃO desferido pelo zagueiro canário Gonçalves gerou na torcida riograndina. À mim, um BOÇAL que nada disso sabe explicar, cabe apenas aceitar mais este infortúnio e a festa adversária em nossa casa esperando que as contratações e a reação dos canária e o UNESUL não atrasem!

Álisson Giaretta

Ypiranga: Tiago, Evandro, Gonçalves, Kaiser,Castiano; Thiago Costa, Liniker, Couto, Jean (Marquinhos); Adriano (Guto) e Nícolas (Tinho). Técnico: Leocir Dall’Astra
São Paulo: Luciano, André (Michel), Ramos, Vagner, Locateli; Diego, Fabiano Diniz (Sapata), Dandas, Saraiva (Robert); Alê Menezes e Ailon. Técnico Rudi Machado.

Gols: Thiago Costa 39’ 1T (Ypiranga), Gonçalves (contra) 42’ 2T (São Paulo).

A primeira foto é de Edson Castro, da Prime Consultoria e a segunda é de Fabio Dutra, do jornal Agora.

Publicado em Divisão de Acesso 2013, São Paulo-RG, Ypiranga com as tags , , , , , , , , , , . ligação permanente.

2 Respostas a Das coisas que movem o mundo

  1. Citou Mariano Moro, ainda que “en passant” = maior texto da história do Toda Cancha.

  2. Igor Porth Miranda diz:

    Parabéns Álisson, belo texto, muito me aflinge ver o Ypiranga nesta situação, de nem ter a posibilidade de lutar pela classificação. Merecia estar em uma situação melhor. Não posso deixar de citar as musas canárias, lindas lindas. Força Ypiranga!

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