Para o Livro do Bicentenário

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Time que enfrentou o Flamengo em 1980. Acervo SCSP.

Sergio, Cláudio Roberto, Joubert, Tadeu, Paulo Barroco, Paulo Ferro, Astronauta, Alamir, Romário, João Carlos e Soares. Os primeiros onze XIRÚS a entrarem em campo com o manto rubro verde numa peleia válida pelo campeonato nacional (Taça de Prata – 1979). Derrota no Aldo Dapuzzo por 2×1 para a Desportiva Ferroviária-ES, mas pouco importava. Estávamos lá, entre os melhores. Ainda mais que o que estaria por vir encheria nossas almas de orgulho. Vitórias contra Colatina-ES, Chapecoense e Caxias nos garantiram vaga entre os 40 melhores clubes do país. O 5º lugar na chave K assegura o rubro-verde na Taça de Ouro em 1980, ano em que as MORANGAS rolaram para duelos memoráveis contra o Flamengo – que viria a ser campeão mundial em 1981, 0x0 no Dapuzzo – Santos, Náutico, Ponte Preta e etc.

Isso praticamente nada tem a acrescentar na vitória de ontem sobre o Glória, mas vale a pena relembrar. Talvez voltar a disputar um campeonato brasileiro em nível de Série A ou B esteja muito mais distante do que imaginamos, até porque aqueles que nos representam na CBF se satisfazem com UMA vaga na Série D.

Para entrar na história, só é preciso fazer o diferente. E foi o que fizeram Rafael, Luciano, Rudi, Roger, Lambari, Jair Gomes, Marcelo Paulista, Marcelo Gaúcho, Fabiano, Edinho e Milhão. Em 29 de abril de 2000, esses MITOS entravam em campo para dar início a campanha do último acesso rubro-verde. Vitória de 2×0 sobre o Bagé no Aldo Dapuzzo. Mais um fato que nada muda nos tempos atuais, mas que mais uma vez exaltam o sangue RUBRO que corre na veia de qualquer são-paulino. Talvez, ou com a mais absoluta das certezas, os 11 TAURAS de 2000 não eram vistos como favoritos. Nem sequer eram os melhores jogadores da competição. Mas estão aqui, no livro do centenário do clube – de 406 páginas – escrito em uma pesquisa longa e detalhada do historiador Willy Cesar. Como falar no acesso sem lembrar os gols do MATADOR Milhão, da liderança de Rudi – ainda não tão experiente (risos) -, dos milagres do goleiro Rafael.

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Marcos Milhão, artilheiro da Segundona em 2000. Reportagem RBS.

As carreatas, que em 1933 carregavam o GÊNIO Darcy Encarnação nos ombros a beira da Estação Marítima após o título estadual conquistado na capital, hoje podem levar Aylon. Talvez não tão gênio, mas, porque não, a REENCARNAÇÃO de Darcy. Não será levado nos ombros, muito menos o buscaremos nos barcos, o topo do caminhão de bombeiros parece ser um destino mais provável, mas estará estampado no próximo livro e na memória rubro-verde. Não dá para relembrar times históricos do São Paulo e não citar essa SELEÇÃO de 1933: Odorico, Valentim, Fernando, Quico, Vadi, Riquinho, Cardeal, Osca, Darcy Encarnação, Ballester e Scala.

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Darcy Encarnação é carregado nos ombros da multidão. Acervo SCSP.

Em 1985 foi a vez de Nando, Quico, Carlão, Zé Moraes, Paulo Barroco, Caetano, Ernani, Evans, Isaías (Odir), Edson e Luizinho garantirem sua vaga na história do Sport Club São Paulo. O clube PAPAREIA voltava a apavorar os tricolores e colorados porto-alegrenses. Na Copa Bento Gonçalves, Grêmio e Inter são eliminados na sequência e o estado observa, mais uma vez, o Leão da Linha do Parque rugir mais alto. O objetivo, agora, não é vencer a dupla, nem calar a Arena ou o Beira-Rio. Nos basta calar o Altos da Glória, o Eucaliptos ou o Bento Freitas.

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Taça da Copa Bento Gonçalves, conquistada em 1985. Acervo SCSP.

A história continua sendo escrita. Ontem, no Aldo Dapuzzo, Luciano, Teko, Carlão Farias, Rodrigo Ramos, Locatelli, Carlos Alberto, Emerson Dantas, Diego Borges, Saraiva, Aylon e Alê Menezes, podem ter escrito uma das passagens mais importantes para eles – e para nós – no futuro livro rubro-verde. O Glória veio disposto a estragar a festa. Na verdade, nem tão disposto assim. A falta de gols já iria lhes satisfazer. Mas voltando ao papo de escrever a história, o lateral Teco já pode imaginar como será a sua: “ADEVÍLSON, o popular Teco, saiu da zona da discórdia com a torcida e atirou-se nos braços da mesma, após marcar os dois TENTOS contra o Leão da Serra.”

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Time que enfrentou o Glória, na última quarta-feira (08). Papareia News.

Como em 1933, 1979, 1980, 1985, 2000, em 2013 nós não somos os favoritos, nem temos o elenco mais caro, o maior investimento. A história está aí para ser escrita. Poucos capítulos nos separam de mais uma temporada memorável.

Matheus Almeida 

(Os dados históricos foram colhidos do livro Um século de futebol popular: a história do Sport Club São Paulo, escrito por Willy Cesar)

Publicado em Divisão de Acesso 2013, São Paulo-RG, Série A2 2013 com as tags , , , , , , . ligação permanente.

5 Respostas a Para o Livro do Bicentenário

  1. Alexandre Maciel diz:

    Feliz curiosidade: Alamir enfrentou o Flamengo três vezes. Uma pelo Leão e duas pelo Xavante.
    E não tem como deixar de admirar a história de um clube e de uma torcida como a do São Paulo. É daqueles clubes do interior que faz a gente sentir falta duma época que não existiu.
    Aliás, a nossa região é repleta de clubes assim. O São Paulo e o Brasil, com suas belas participações em campeonato nacional, azedando o leite da dupla, os da fronteira que sempre foram os ossos mais duros de roer pra os de fora, incluindo o Santanense, que Deus o tenha.
    Nessas horas, sinto saudade até dos times de Arroio Grande, que disputaram uma ou duas vezes a segundona.
    Só uma postagem falando de um clube como o Leão do Parque pra motivar isso na gente.
    E que tenha um vice-campeonato que o leve à Primeira, porque o título quero pro meu Xavante. A bem da verdade, o São Paulo é o nosso verdadeiro rival. Tem história em nível nacional, uma torcida apaixonante e os confrontos sempre são muito disputados dentro do campo.

  2. Matheus Almeida diz:

    Se é esse o sentimento que tens quando lês, imagina os que tive quando escrevi.
    Ainda não perdi a esperança em ver o Clássico das Multidões na primeira divisão num futuro próximo. Aliás, primeira divisão de Gauchão é pouco. Enquanto isso, lutemos por dias melhores. Quem sabe uma final entre Leão e Xavante, relembrando os grandes tempos.

    Com relação ao título, se um dos turnos for rubro-verde, a taça da A2 pode ficar na baixada. Sem problemas.

  3. Alexandre Maciel diz:

    E não é que já temos uma vaga e meia nas mãos?

  4. Matheus Almeida diz:

    Surreal!

  5. Quais os nomes completos dos atletas do SC São Paulo campeão gaúcho de 1933? (Marlon Krüger Compassi – marloncompassi@gmail.com).

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