Na selva pampeana, o Leão também é rei

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Estamos vivos. E MUITO VIVOS. Milhões de torcedores acompanharam – seja em casa ou na televisão – o RENASCIMENTO DE UM LEÃO perante o mundo. Estamos renovados. Com o corpo, a alma, o espírito e o ego lavados. Nada que aconteça pode ser maior ou mais GLORIOSO do que o ESPETÁCULO que foi visto no dia 19/05/2013 em Rio Grande, no MÍTICO Estádio Aldo Dapuzzo.

O dia amanheceu. As movimentações intensificavam-se a cada instante que passava. As 10hs partiu da frente do DAPUZZÃO a CARREATA DA VIRADA. Vinte quadras de um BUZINAÇO que anunciava: EIS O GRANDE DIA.

Em meio aos carros que DESFILAVAM nas planas e estreitas ruas da CIDADE NAVAL havia um senhor, sentado na sua cadeira de rodas e com uma bandeira do São Paulo no colo. O esforço era visível, mas ele abanava. Descansava os braços sobre as pernas por alguns segundos e abanava novamente.

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Ao fim do chamamento a fila não era mais tão extensa. Carros, motos e bicicletas foram se dispersando. Já eram 11h, o RANGO deveria ser apressado. Chegar cedo ao estádio era quase uma regra, uma obrigação.

Ás 13hs o movimento já era grande na Avenida Presidente Vargas. A MONO-EMPRESA de ônibus da cidade CUSPIA rubro-verdes em cada esquina. Cada minuto que se passava fazia com que aquela rua – que mais tarde se transformaria em um verdadeiro CORREDOR POLONÊS – tomasse cor.

São Pedro colaborou. Deu uma CHAVE DE BRAÇO nas nuvens e disse: “TE AQUETA, SÓ VAIS MIJAR QUANDO ACABAR O JOGO.”

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Foi o tempo dos portões se abrirem e a invasão começar. As arquibancadas – recentemente pintadas pelos próprios torcedores – não podiam mais ser vistas. Faltava mais de uma hora para o jogo e o CALDEIRÃO PULSAVA.

Fernando Becker, Paulo Britto, Francisco Noveletto e Marroni? QUE NADA! Todos os olhares eram para a FERRADURA. O grande segredo estava lá. Na voz do torcedor e no pulsar de cada coração. ERA DE ARREPIAR!!!

Marcio Chagas trilou o apito. Foi o estopim para a batalha começar. O rubro-verde já começava a partida em desvantagem no placar, já que havia perdido por 1×0 na quinta-feira. Mas na arquibancada, a vantagem gritante era papareia. A cada chance de gol, a cada bicuda na bola, o grito era de incentivo, de esperança. Esperança em rever os momentos de glória, os momentos em que a dupla da FGF balançava as pernas ao ver o esquadro do Leão do Parque pela frente.

Talvez o salto alto da imprensa, da torcida e dos jogadores pelotenses tenha feito com que as coisas fossem ainda mais diferentes no Dapuzzo. Depois de uma partida pornográfica em Pelotas, a torcida do Sampa cantou e incentivou os jogadores. Sabia que o tropeço era completamente reversível. Aqueles guerreiros já haviam demonstrado que eram capazes de passar por qualquer desafio. Enquanto isso, a diretoria Xavante se preocupava em pedir feriado na segunda-feira e em preparar a Bento Gonçalves para a festa. Espero que agora tenham aprendido a lição.

O equilíbrio em campo se instalou. Ambos os times se alternavam nos bons e maus momentos. A todo instante a torcida rubro-verde cantava a plenos pulmões na última tentativa de incentivar os heróis caturritas.

Rudi, que fora contestado durante 2012 e antes da competição em 2013, apostou na força de um ataque com 3 homens. Dos pés de Robert saiu o cruzamento, da cabeça de Alê Menezes o desvio, dos pés de Aylon a CONSAGRAÇÃO. 1×0 São Paulo, a vantagem rubro-negra se esvaía.

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Dentro de containers instalados ao lado da cancha, Chico Novelleto observava a ferradura tomada, pulando e cantando. Deveria estar pensando: “Fodeu!”. Via diante de seus olhos uma torcida que mesmo depois de alguns anos na segundona, jamais abandonou o clube. Via o trabalho de uma direção abnegada, que trabalha sem nenhuma renda fixa, conquistar seu objetivo. Mais uma vez, deveria estar pensando: “Se fazem isso com minhas MIGALHAS, imagina o que irão fazer com o meu MILHÃO!”.

Em campo, pouca coisa mudou. Os Xavantes mais uma vez foram incompetentes nas chances que tiveram e o Sampa raramente conseguia passar pela defensiva rubro-negra. Tudo se encaminhava para as temidas penalidades. É difícil imaginar todo o seu esforço e melhor campanha destinarem-se a marca penal. 5 bicudas para cada lado iriam definir qual clube seria o CAMPEÃO.

Antes, pausa para um apagão. Como um ENGENHÃO, o Aldo Dapuzzo ficou as escuras. Não seja por isso. Como diria o Fundo de Quintal: “O SHOW tem que continuar” e foi disso que a torcida rubro-verde se encarregou, mais uma vez, naquele início de noite.

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Restabelecida a ordem. Corações pulsando como os surdos da Mancha Rubro-Verde, o fôlego partindo como se jamais fosse voltar. Não tinha como fugir, era a bola e o gol. NÃO! Espera! Está faltando alguém. Quem é aquele ali pulando, fazendo polichinelo, com uma arruda na orelha? Baixinho, de luvas, com a camisa um. É ele: LUCIANO, O MITO.

Sabe-se lá o que se passava na cabeça de cada cidadão. Na cachola de Luciano parecia não passar nada além da certeza de que conquistaria mais um acesso. Para melhorar, Eder Machado seria o primeiro Xavante a cobrar. Mais certo do que churrasco no domingo, o arqueiro rubro-verde catou a pelota para delírio da massa.

Carlos Alberto, outro MONSTRO durante todo o turno, bateu com a categoria que lhe é peculiar. Gustavo PAPA rezou duas Ave Marias e três Pai Nossos até chegar a marca penal, bateu no meio e saiu gritando numa tentativa frustrada de exorcizar o ENDIABRADO Luciano. Michel, que foi sempre uma boa alternativa para o técnico Rudi, acabou falhando e esbarrando nas pernas de gafanhoto de Luiz Muller. “No problem” disse Luciano. Como um gato, foi buscar a batida colocada de Cirilo – o zagueiro que deixou o rubro-verde para defender o rubro-negro, agora percebera seu erro tardiamente. Diego Sapata bateu, ou melhor, rolou para o fundo das redes. Após a cobrança, ainda foi abraçar SÃO LUCIANO, como se ainda precisasse de mais alguma força para próximo milagre.

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Fernando Cardoso, o outro zagueiro que atrapalhou e muito o trabalho do melhor ataque da competição, bateu ao estilo Eder Machado e, quando é assim, o resultado nós já sabemos. LUCIANO! BRILHANTE! Nos pés de Carlão estava aquele que poderia ser o último e derradeiro momento da final. Não foi. Mais uma vez Luiz Muller defendeu com suas pernas de gafanhoto. “Quem sabe o Luciano pega mais um e já era”. Como todo bom herói, Luciano foi humilde e deixou o penalti do garoto Ricardo entrar, queria repartir a idolatria com outro companheiro. Ficou para os pés de Caio Gomes a responsabilidade de colocar o Leão do Parque na primeira divisão depois de pouco mais de uma década. O lateral que em 2011 foi criticado, em 2013 passou a ser o homem do gol do título, servindo como mais um símbolo do grupo de guerreiros que veste o manto rubro-verde nesse inesquecível ano.

GOOOOOOOL! Terminou. Num piscar de olhos o campo do Aldo Dapuzzo estava tomado por torcedores orgulhosos e emocionados. Nada mais justo do que a luz cair novamente, afinal até a CEEE resolveu se voltar contra nós. A festa ficou mais bonita sem eles.

Aos diretores Paulo Costa, Jair Rizzo, Veimar Castanheira, João Carlos, Marquinhos, Rafael Bita e demais; aos conselheiros, aos abnegados Moeda, Manoel, Doca, Dona Célia e seus famosos quitutes; aos empregados do administrativo; aos membros do departamento de comunicação que mantém o site do clube ativo; aos profissionais Rudi Machado, Ricardo Cunha, Fábio Recife, Nenê, Bicudo, Aládio e João que formaram a mais competente das comissões técnicas; aos guerreiros Luciano, Souza, Lucas, Rodrigo Ramos, Wagner, Guilherme Möller, André Gaúcho, Carlão Farias, Jean, Rafael Locatelli, Teko, Caio Gomes, Diego Borges, Saraiva, Emerson Dantas, Alexandre, Carlos Alberto, Michel, Fabiano Diniz, Diego Sapata, Robert, Maickel Gaúcho, Sertãozinho, Alê Menezes, Aylon e Tainã; nossos sinceros agradecimentos. Vocês, cada um da sua maneira, contribuíram para que um sonho nosso se tornasse realidade. O nome de cada um está gravado para sempre na história centenária e gloriosa do Sport Club São Paulo.

Avante rubro-verde. Tempos gloriosos nos esperam!

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Com muito orgulho,

Matheus Almeida e Guilherme Rajão.

Fotos de Fábio Dutra, Pedro Figueiredo, Guilherme Rajão, Fábio Dutra novamente, Fábio Gomes, Ricardo Duarte e Marcus Maciel, respectivamente.

Publicado em Brasil de Pelotas, Divisão de Acesso 2013, São Paulo-RG com as tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , . ligação permanente.

17 Respostas a Na selva pampeana, o Leão também é rei

  1. Guilherme Grená diz:

    Apenas duas coisas:
    1) Vocês estão voltando para um lugar que não deveriam ter saído. Chega de Ulbras, XV’s e Cerâmicas… queremos paixão verdadeira e integral. Chega de safristas!
    2) Espero que os outros dois times que subirão este ano também tenham torcidas apaixonadas.

    Sds grenás

  2. Matheus Almeida diz:

    #1

    Valeu Guilherme, o Caxias é um clube que me identifico muito, sempre lutou para estar entre os melhores sem apoio da mídia. Lembro como se fosse hoje as partidas contra o Figueirense na Série B do brasileiro, torcendo em frente a televisão. Sorte na Série C, estarei na torcida!

    Sds rubro-verdes.

  3. Everton Braga diz:

    Belíssimo texto, meninos. Belo, grandioso e comovente, como o nosso amor pelo SCSP. Parabéns a vcs, que divulgam o nome do Sampa. Continuem sempre assim, pois o SP, assim como a maior parte dos clubes do interior, é carente de quem os divulgue. Eu – e tenho ctz de que todos os Rubro-Verdes Riograndinos – temos muito orgulho de vcs!

  4. Guilherme Rajão diz:

    Guilherme e Everton.. Obrigado pelas palavras!
    Fazemos isso com muito amor e com o real intuito de levar o leitor para dentro do campo. O reconhecimento sempre é bom, mas o que realmente importa é ter o que contar, e esse ano – felizmente – isso não nos falta.
    Espero ´- assim como o Matheus disse – ver o Caxias cada vez mais avante. É um clube que merece.
    Abraços e viva o LEÃO!

  5. SAMER ALVES diz:

    Meninos Parabéns pelo relato…

    Me senti como se estivesse em Rio Grande naquele momento….

    Mesmo de longe compartilhei de tamanha emoção, assisti cada lance desta batalha maravilhosa que, mostrou para todos ,a força da massa Riograndina que invadiu o estadio e colocou o Leão do Parque no lugar de onde ele nunca deveria ter saido.

    Agora é batalhar para que sejam reestabelecidas as condições de uso das arquibancadas, pois no proximo ano, o estadio será pequeno para tanta paixão.

    Forte abraço a toda nação São Paulina.

  6. Fred Salomão diz:

    AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAALE MENEZES deveria ter sido o autor da ultima cobrança.
    Tirando isso, acho que foi o melhor meio e fim possível para um torcedor

  7. Gustavo diz:

    Parabéns ao São Paulo, bom ver um clube com torcida de volta à série A e por mais que nossa rivalidade nos últimos anos ainda tenha esfriado pouco é verdade, que suba o Brasil também. Precisamos de um interior forte, com clubes que queiram de verdade. Para mudarmos essa federação. A força é nossa, somos maioria. Pelo interior.

  8. Ricardo Pereira diz:

    Parabéns ao S. Paulo e a sua grande torcida, pela conquista do Acesso e pela determinação do seu time. Revivemos um grande e autêntico clássico. A nossa zona sul têm um potêncial imenso. A paixão das duas torcidas prova isso. Foram dois jogos emocionantes, dignos de Brasil e São Paulo.

    Abraço; Ricardo Pereira 100% Xavante.

  9. Guilherme Rajão diz:

    Agradeço pelas palavras, Samer, Fred, Gustavo e Ricardo.
    O verdadeiro futebol gaúcho está aí, em times com massa e raça. Sujar a camisa não deve ser problema. Deve ser OBRIGAÇÃO.
    O futebol precisa desses exemplos. SCSP e GEB proporcionaram dois belos jogos e sem NENHUM problema entre as torcidas.

    Essas duas massas merecem a elite. Merecem respeito.

    Abraços!

  10. É sempre reconfortante, além de ainda dar alguma esperança pro futuro, que clubes de torcida e que fazem futebol, e não apenas negócio, estejam na primeira divisão. Tomara que todos de maior torcida subam esse ano, esse 2013 que já nos brindou com a breve extinção do Canoas e a queda do Cerâmica (que mesmo organizado, não tem torcida). Que em breve Cruzeiro e São José também caiam e que o interior se veja realmente envolvido na disputa desse campeonato que, já faz tempo, passa a impressão de ser mais um metropolitano do que qualquer outra coisa.

  11. Zebra diz:

    “Essa canoa vai virar, ole ole olá,
    e nunca mais vai voltar, ole ole olá”

    Foda-se universidade, ulbra, canoas, ..
    Redbulls, audax, deixe pros outros, precisamos de torcidas, não empresas.

    Parabéns pela festa e por mostrar que o interior vive.

    sds Alviazuis

    Obs: observando rotas para possíveis viagens pra Rio Grande

  12. Guilherme Rajão diz:

    Boa Alisson. Boa zebra.

  13. Gabriel Marcon diz:

    Bem-vindo São Paulo ao seu lugar de direito.

    VIVA O VERDADEIRO FUTEBOL DO INTERIOR

    Saudações juventudistas

  14. Douglas Ser Caxias diz:

    Parabéns ao Leão e à sua torcida, que nos dois jogos da final se fez presente. É bonito ver o Aldo Dapuzzo Lotado, e é legal ver Rio Grande (a cidade) voltando à primeira divisão. Espero vê-los no Centenário e inclusive voltando às disputas nacionais.

    Vida Longa ao verdadeiro futebol.

  15. Guilherme Rajão diz:

    Valeu, gurizada!

    Hoje em dia o futebol caxiense está um passo á frente se tratando de estruturação e pensamento futebolístico. O que falta – e muito – em outras cidades que tinham tudo para ter equipes que se opusessem aos times da capital.
    No meu ponto de vista, hoje tanto Juventude quanto Caxias são as únicas equipes capazes de atingir um patamar mais alto dentro das competições que a CBF nos propõe.

    Espero poder – em um futuro próximo – dizer que isso mudou. Não que as duas equipes percam essa força. Mas que outros times interioranos também possam tê-la e que consigamos ter um interior invejável aos outros estados.

    Abraços Gabriel e Douglas. Viva o futebol interiorano.

  16. Daner diz:

    Dá-lhe SAMPA! Q felicidade!

  17. José Roberto lopes diz:

    Parabéns aos redatores do lindo texto !!! Pura emoção, que transborda e emociona aos torcedores do nosso São Paulo ! Grande vitória rubro-verde, agora é hora de juntarmos esforços para levantar o nosso clube,como um todo ! A colaboração financeira de todos os paulistas é fundamental !

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