Um 0 a 0 sem sustos

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Neste domingo outonal, a SER Panambi foi a Pelotas para o embate contra o Farroupilha. Ir para a cidade às margens do São Gonçalo é sempre um temor a qualquer esquadra interiorana (ainda mais para a alviverde, lembrando que a vaga em 2009 foi perdida em Pelotas e a deste ano também), porém o Nicolau Fico apresentou um público menor do que o esperado.

O time originário do sul do SUL buscava recuperar-se da campanha modesta da 1ª fase (último lugar do Grupo A) e animar os chutadores a jogar com vigor a despeito dos três meses de ordenado atrasado, segundo a imprensa local. As últimas apresentações do Farroupilha mostraram que os atletas que ficaram no clube estão encontrando motivação – sabe-se lá de onde – para fazer o tricolor no mínimo permanecer na Série A2.

O Fantasma estreou pelo segundo turno na última quarta-feira, no estádio da Zona Sul – que fica na região das MISSÕES – frente à SER (AER) Santo Ângelo. Ainda que a promessa de pagamento não tenha sido cumprida, ao menos o clube conseguiu viabilizar a viagem para um dia antes da contenda. Mesmo tendo sofrido uma certa e esperada pressão dos donos da casa nos minutos, Wagner Rincón deixou o Farrapo em vantagem aos 45 minutos da etapa primeira. No período derradeiro, o apitador sonega um pênalti claro em falta cometida sobre Rafael Pelezinho dentro da área. Como consequência, a equipe do bairro Fragata baixa a guarda e acaba por ceder o empate, com Rafinha marcando para os missioneiros e definindo o placar. Apesar de um tanto frustrante por ter saído na frente, diante das circunstâncias e jogando longe dos seus domínios, o ponto conquistado é representativo para a fuga do INFERNO.

Para a estreia em casa, dois retornos e mais uma baixa no elenco. Roger Bastos, o único meia de criação propriamente dito e o goleiro Fabiano voltaram de suspensão. Em contrapartida, o atacante Javier – que computou boas atuações como DELANTERO de movimentação – é mais um que não suporta a turbulência e “pula da barca” fantasma.

A equipe do noroeste pampeano, por sua vez, ambicionava a segunda vitória em sequência e fincar pé na zona de classificação para a próxima fase do COSTELÃO.

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Os quinze primeiros minutos foram um tanto quanto morosos. Um pica-pelota sem grande desempenho de ambas as equipes. O Farroupilha tinha a posse da redonda, porém sem efetividade, contido pela eficiência defensiva da SER.

A melhor chance foi um chute forte de Roger, aos 14 minutos, desviada no zagueiro Ilsom, vesgueando pela linha de fundo. Do lado alviverde, o único fato a ser registrado a lesão do meia Rodrigo, substituído por André Tereza.

Depois da calmaria, o vuco-vuco melhorou.  Aos 19 minutos, foi a vez da verde-e-branca responder com um bate-rebate, obviamente ensaiado, quase empurrando a bola para o fundo das redes fragatas.

Depois, o Fantasma se ENCANCOU na zaga panambiense e passou a dominar as ações. Roger era o jogador que impunha mais perigo aos beques noroestinos, não só articulando o ataque como também o finalizando. A SER espremia-se na retranca mais que chucrute em vidro de conserva, porém resistiu às boleadaças farrapas.

No final do primeiro tempo, a SER conseguiu manter um pouco mais a bola e esboçar alguns ataques, mas a ida ao vestiário deixou a impressão de que o Farroupilha jogou melhor e até poderia estar à frente no placar.

As equipes retornaram do vestiário com os mesmos viventes da etapa inicial. A SER voltou com a mesma postura: se segurar na defesa e intentar um corridão ofensivo para abrir o score. Nem dava para culpar Chiquinho, Maranhão ou Fabiano Veiga pela ausência de bicaços contra a meta adversária: claramente, a verde-e-branca queria segurar o xoxo oxo (não podia perder a oportunidade de alternar “o”s e “x”s).  O Farroupilha tentava atacar, mas não conseguia mostrar a qualidade de outrora.

Para mudar a encena, o Farrapo colocou Fabiano Wegge, desta feita mais avançado, no lugar de Pedro Jr. para cuerar a defesa alviverde. O time sulista melhorou um pouco, obrigando o goleiro Diego a dar uma mãozada bonita em cobrança de falta. A SER respondeu com um corridão de Cléberson, criando boa oportunidade, sobrando a redonda com Fabiano Veiga, que, muy corincho, tentou meter de letra, mas se contravolteou, perdendo a melhor chance da equipe panambiense até então.

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Cinco minutos depois, André Basques fez Márcio Augusto e Paulo Santos ingressarem na esquadra tricolor, sacando Tiago Boiadeiro e Roger Bastos, dois jogadores de melhor atuação no Farroupilha na partida, ao lado de Wagner Rincón. Boiadeiro, o INCANSÁVEL! Correu, brigou, deu carrinho, partiu pra cima da defesa… só lhe faltou o gol. Identificado com o Tricolor do Fragata, é verdadeiramente um TORCEDOR em campo. Para piorar a situação farrapa, Jonatã (que já atuou na alviverde) fez falta aos 28 minutos do segundo tempo e foi expulso.

O trio da disciplina (ns) acabou por contribuir com as pretensões de empate panambienses, por agir com conivência frente à CERA dos visitantes que desabavam ao solo, em média, de 10 em 10 minutos. Mas, afora a estranha expulsão, não tivemos lances de maior polêmica.

Com um a mais, a SER resolveu abrir o vidro de chucrute e se esparramou pelo campo, para tentar a vitória. Jean ingressou a fim de aumentar a velocidade de jogo. Porém não foi o que aconteceu. A alviverde planchava em campo e não assustava o Fantasma. Sem o ímpeto da vitória, e com ideia fixa de um ponto ser grande resultado. O jogo acabou com um xoxo oxo (não consegui resistir, de novo).

O ainda campeão da Taça Centenário da Revolução Farroupilha (conquistado em 1935, e que voltará a ser disputado só em 2035) precisará melhorar muito para conseguir algo neste ano. O Farroupilha deverá encerrar sua jornada na Série A2 longe do risco de descenso, mas sem grandes brios.

Quanto à SER, parece que as jogadas pelos flancos, tanto com Sander como com Du, se esfumaçaram. Aquele corridão rente à linha de lado diminuiu, e a mim parecia que era a grande solução para armar o ataque, especialmente devido ao desempenho deficiente dos meias.

A torcida alviverde clama para que Simionato revise sua prancheta e volte ao flancaço. Um ponto importante, indubitavelmente, mas dava, com mais manetes, para levar a pontuação tríade para a beira do Fiúza. Agora, em Santa Maria, semana que vem, será difícil conseguir um miserê.

Já para os tricolores cada ponto conquistado é digno de comemoração pois representa um passo a mais para longe do fundo do poço, porém fica a sensação que, ao menos em um desses dois primeiros jogos,  o triunfo poderia ter vindo. O clube precisa obter soluções para o máximo possível de seus problemas nos próximos dias, para que a situação que hoje está CALAMITOSA não se torne INSUSTENTÁVEL.

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Na próxima rodada, ambas esquadras adentram em estádios dos Eucaliptos: o Panambi em Santa Maria frente ao Riograndense e o Farroupilha contra o Avenida em Santa Cruz do Sul.

Vamos em frente!

A primeira foto é do Diário Popular, as demais de Marcos Ceron Gonçalves.

Zwingen, zwingen mein liebe SER PANAMBI!!!

Vinícius Fontana

Pelo lado fantasma, angustiado,

Marcos Ceron Gonçalves

Publicado em Divisão de Acesso 2013, Farroupilha, Ser Panambi com as tags , , , , , , . ligação permanente.

2 Respostas a Um 0 a 0 sem sustos

  1. Vinícius Fontana diz:

    cara, belíssimo pout-pourri! Maravilloso ENTREVERO!!

  2. Pingback: Guerra sem vencedor | Toda Cancha

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