A verdadeira resistência do Interior

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Campeão do Interior 2013. Foto: Site do Esporte Clube São Luiz de Ijuí.

Noite atípica em Porto Alegre. Pelo menos assim, poderemos nos referir a de 22 de abril na capital do Estado. Nesta noite, o São Luiz fazia história ou, pelo menos, anunciava o que aconteceria com o time de Vanderlei Luxemburgo algumas semanas depois.

O placar fechado no tempo normal e depois a eliminação nos pênaltis, resumiu um campeonato espetacular realizado pela equipe de Ijuí. Num jogo onde quem foi melhor foi o rubro Ijuiense, onde ocorreu um pênalti não marcado para a equipe do 19 de Outubro. Bem, só podemos dizer que no fim, a imortalidade gremista manteve-se para ser eliminada da mesma forma frente ao Juventude, alguns dias depois.

A derrota nos pênaltis foi amarga, mas não decepcionante, num ano em que o São Luiz passou de mero coadjuvante no estadual, para ser um dos protagonistas, só poderíamos dizer “Valeu Rubro!”. Com um início de temporada decadente, com um empate e uma derrota, as coisas começaram feias para o São Luiz e só mudaram com a chegada salvadora de Paulo Porto a casamata do rubro ijuiense e as vitórias consecutivas no certame.

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Campanha contra a entrada de Colorados e Gremistas na final da Taça. Imagem: Fanáticos da Geral do São Luiz.

Começando com a avassaladora vitória sobre o Grêmio por 4 a 0, até o fatídico dia da derrota de 5 a 0 para o Internacional em pleno 19 de Outubro. A cidade nesse espaço de tempo viveu seu momento de destaque estadual, passou a ter orgulho de dizer “Sou Ijuiense e torço para o São Luiz!”, coisa que antes não acontecia por vergonha dos torcedores ou simpatizantes do time, ou pela maioria GRE-NAL absoluta na cidade.

E não, não estou exagerando. O clima era de final de continental mesmo, os colorados diziam que seria fácil, os Rubros confiavam no bom time e na mão de Paulo Porto. Nas escolas, nas ruas, nos campos e construções não havia outro assunto, era apenas a grande final que seria realizada entre os dois melhores da competição até ali. Faltando uma semana para a final da Taça Piratini, que seria disputada em Ijuí, a torcida ijuiense começou a viver momentos de ansiedade, dignos de um clube grande em final de Libertadores da América.

A torcida confiava no time. Fizeram campanhas para que os torcedores da cidade apoiassem o time. Enquanto a imprensa estadual reclamava das acomodações do estádio 19 de Outubro e da distância até a capital. Lembro-me de uma pequena passagem que um repórter do SBT escreveu sobre o 19 de Outubro:

 “Se isso pode ser chamado de estádio…”.

Com certeza é o pior estádio do interior do Estado e com a estrutura mais antiga, mas o clube mereceu que a final fosse ali. E assim realizou-se o massacre colorado sobre o time de Ijuí, mas não calou a torcida que lotou o 19.

Os gritos que ecoaram pela cidade de “Valeu Rubro!” ou “Eu sou Rubro! A Baixada é meu domínio!” continuaram a ser entoados e não foram esquecidos na semana seguinte da final. O campeonato teve continuidade com a ascensão de novas “sensações do interior” e a confirmação do Lajeadense como Vice-Campeão Gaúcho.

O segundo turno não teve a mesma animação do primeiro, o clube perdeu a principal estrela, o técnico Paulo Porto, e então começou a perder e a empatar. Conseguiu por pouco chegar até a segunda fase da Taça Farroupilha e fez sua copa do mundo contra o Grêmio, sendo eliminado de forma injusta nos pênaltis.

Com a eliminação, o São Luiz passou a torcer pelo Internacional ser campeão do segundo turno, assim assegurando o título do interior para o rubro ijuiense. Com o acontecido, o São Luiz foi declarado campeão do Interior e ficou com a terceira vaga para a Copa do Brasil 2014. A brilhante campanha em 2013 trouxe uma taça e a vaga para uma competição de nível nacional. Esses são os desafios de ser o único clube da região noroeste do estado do Rio Grande do Sul na primeira divisão do Gauchão. Quanto aos demais clubes, rivais, inativos… não peço que agradeçam ao São Luiz, mas está na hora de começar a “se mexer” para conseguir o acesso na segunda divisão.

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Taça do Interior. Imagem: Site Oficial do São Luiz de Ijuí.

Temos que colocar mais alguns clubes de nossa região na primeira divisão, para que não se realize o sonho da RBS TV e da FGF, ter apenas times da região metropolitana de Porto Alegre. Então, SER Santo Ângelo, Juventus de Santa Rosa… Demais clubes de nossa região, levantem-se! Para termos os grandes clássicos que há muito tempo não se repetem.

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RBS TV em Ijuí. Fonte: Fanáticos da Geral.

Termino essa revisão do “ano” do E.C. São Luiz com a certeza de que é talvez o único clube da primeira divisão que merece ser chamado de “Resistência”, pois aqui, se ele cair, uma região inteira cai. AVANTE SÃO LUIZ, AVANTE! Alvirrubro Guerreiro.

João Pedro de Carvalho

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2 Respostas a A verdadeira resistência do Interior

  1. Gustavo diz:

    E o ano termina no mês 5. Depois se perguntam pq no estádio na final não se identificava divisão de torcidas. Nunca me esqueço quando chegamos em Ijuí entoando o “Anti Grenal pau no cu da capital” e a reação foi de tentar nos agredir….hahahaha Nada contra, mas para ser resistência de alguma coisa é necessário resistir há um ano aberto.

  2. Laís Schmidt diz:

    Acho que a pessoa que fez o comentário inteiro não entendeu o que o autor do texto quis dizer… Ele fala claramente, é a resistência do interior por ser o único clube da região noroeste na primeira divisão do estadual… Mas no fim a interpretação é aberta!

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