O Canário é um apaixonado convicto

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Um ypiranguista é um apaixonado!

Não, não quero entrar em brigas vistas em outros pagos sobre quem detém os mais fiéis alentadores, nem mesmo acho que as 200 almas que foram ao Colosso da Lagoa na noite da última quarta-feira credenciem os canários a concorrer junto das mais numerosas hinchas. Contudo, não se pode negar que estes bravos ajam como os mais ENAMORADOS tipos que a literatura conta.

Pois, vejas tu, da mesma forma que um ser perdido de amor não poupa esforços, por mais improvável que pareça, para sentir o doce sabor do beijo da bela que lhe tira o sono, sair do calor do lar numa quarta-feira de céu pressagioso, para ver uma esquadra que completou 10 jogos sem dar nenhuma mostra de que engrenará um dia, também não dá margem para diagnósticos de AFETO PATOLÓGICO?

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Tal qual um apaixonado quer crer que a indiferença que lhe é oferecida é causada pela timidez da preferida, os verde-amarelos preferem supor que os seguidos insucessos contra qualquer esquadra que supere a MEDIOCRIDADE, aquela do vício de linguagem, são impostos pelo azar. O azar, uma GRANDE instituição que a muito tem agido no sentido de impedir a volta do Ypiranga ao seu devido lugar (!!!).

Pior, acham ou querem achar, que mesmo sem qualquer boa atuação contra qualquer tipo de adversário que são favoritos para uma das duas vagas do acesso que ainda restam. Se ela mal olha para aquele com o peito abraseado, os comandados de Leocir não querem mostras aos torcedores que um dia poderão ser felizes juntos. No segundo caso, é do interesse de todos a conciliação, mas o final feliz esbarra na falta de organização daqueles que podem fazer algo, os de dentro de campo.

Primeiro, defensivamente. Não raro, em domínios canários, há falhas em lances isolados que transformam dias de flores em noites amargas. Nesta quarta, todos foram ao primeiro pau em bola que vinha da linha de fundo, deixando Paulo Sérgio sozinho na segunda trave para empurrar à rede e abrir o placar para os Peixes de Rio Pardo.

Segundo, ofensivamente. Leocir e seu time insistem em priorizar um jogo de bolas aéreas que se mostra um redondo fracasso. Jogadores como Nícolas e Jean, que buscam as tabelas, são preteridos por jogadores como Marquinhos, que fica na esquerda esperando para jogar uma bola na área. Sem contar centroavantes como Éber e Rodolfo que não participam da criação e nem são efetivos na conclusão.

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Durante todo o jogo, mais uma vez, uma infinidade de bolas foram alçadas à área. Quando se resolveu tabelar, o gol veio. Guto fez a parede e deu para Ulisses, que a pouco entrara, concluir para o gol, empatando. Por ser tarde, tal qual o sorriso envergonhado da moçoila que pede desculpas por não poder corresponder a tanto amor, este gol não foi o suficiente para acalmar a ânsia que toma conta das entranhas dos ypiranguistas.

Por mais que a realidade lhes seja dura, apaixonados e ypiranguistas viverão esperando por dias melhores. Uns estarão esperando por carícias, outros esperando por vitórias convincentes. Se talvez ela perceba e valorize, um dia, o quanto ele a quer, talvez o treinador e a direção do canário percebam que balão à área, raça, estádio bonito e história não serão suficientes para colocar o Ypiranga na primeira divisão novamente.

Talvez a única coisa que estes sofredores queiram é que não lhes peçam jamais para deixar de acreditar. Cause the sweetest kiss I ever got is the one I’ve never tasted.

Os envolvidos:

Ypiranga(1): Tiago Andrioli, Celsinho, Anderson, Kaiser, Castiano; Evandro, Thiago, Almir (Ulisses) e Marquinhos; Éber (Rodolfo) e Nícolas (Guto).

Riopardense(1): Feijão, Bolacha, Alex, Caio, Kássio e Vinicius; Rafael, Paulo Santos e Wallace; Paulo Henrique e Tiago Matos.

Nota: talvez este texto e esta partida sejam fruto de devaneios do escritor. Devaneio semelhante ao que protagonizou o presidente João Aleixo Bruschi ao declarar perante o presidente da esquadra de Rio Pardo que o Riopardense não deveria jogar a Divisão de Acesso por ter uma folha salarial de apenas 20 mil, até pelo fato de que um ponto apenas separa canário e peixe na classificação geral e na tabela do segundo turno.

De Getúlio Vargas para o mundo,

Álisson Giaretta

(As fotos são do Facebook oficial do Ypiranga)

Publicado em Divisão de Acesso 2013, Riopardense, Série A2 2013, Ypiranga com as tags , , , , , , , . ligação permanente.

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