Guerra sem vencedor


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Estivessem em pleno gozo de suas faculdades físicas e mentais Bento Gonçalves, Antônio de Sousa Neto e Giuseppe Garibaldi, acompanhado de sua amada ragazza Anita, viriam a Pelotas no último domingo. E não seria para lambuzar os BEIÇOS com os tradicionais doces. Caminhariam algumas quadras saindo da Rodoviária, pegariam um TURF e desceriam no coração de uma grande avenida. Tampouco seria aquela que leva o nome do mais notável do grupo, mas a que homenageia o por eles conhecido Duque de Caxias, localizada no bairro Fragata.

A pitoresca turma se acomodaria nas cadeiras cobertas do Nicolau Fico a fim de testemunhar o mais REVOLUCIONÁRIO dos embates no balípodo gaudério: Farroupilha x Brasil de Farroupilha.

Somente os nomes das agremiações já seriam suficientes para desorientar quem não é dessas plagas. Mas há mais confusão. A SERC Brasil é o único cube em atividade sediado no município de Farroupilha e o Farroupilha é de Pelotas, cidade que possui o seu próprio Brasil. Uma SALADA de parônimos que certamente confundirá a imprensa do centro do país quando esse duelo se repetir pela primeira divisão nacional (algo que não tardará a acontecer).

Em termos de competência futebolística, foi a melhor partida do ano da (des)graça de 2013 no Nicolau Fico. Os serranos tem em seu plantel diversas peças de qualidade e conhecidas do grande público, indo o maior destaque para o zagueiro ÁVALOS, campeão brasileiro pelo Santos em 2004. No entanto, não puderam contar com Miro Bahia e Márcio Tinga, expulsos em seu último confronto.

Surpreende o desempenho bom mas insuficiente da equipe no primeiro turno e ruim, até agora, no segundo. O que se viu no duelo de Pelotas foi um time que procura apenas jogar seu futebol. Claro que marca forte, mas atua com velocidade sem ser apressado e busca impor seu ritmo na base da habilidade sem apelar para a violência nem para a cera quando o placar lhe está servindo – um CONTRASTE gritante, se comparado ao último opositor do Farroupilha em casa. É de se destacar, também, que no Brasil os jogadores praticamente não reclamam dos árbitros, outra DISCREPÂNCIA entre seus pares de Série A2.

Ambas esquadras foram para o campo de batalha com fardas estranhas às suas tradições: o Farroupilha todo de verde e a SERC vestindo um bonito uniforme preto. O inusitado fica por conta do abrigo dos membros da comissão técnica dos dois times ser praticamente idêntico, assim como o ocorria entre as jaquetas do trio de arbitragem e do goleiro do Brasil. Coisas do Acesso!

Os primeiros tiros de aviso foram dados pelos visitantes com Negreiros chutando na rede pelo lado de fora e Cristiano TIRIRICA sendo parado pelo arqueiro Fabiano.

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Como quem reivindica maior valor para seu charque, Rafael Pelezinho comandou o avanço das tropas tricolores área adversária adentro e rolou rasteiro mas Jabá não alcançou a bola com seu carrinho e desperdiçou a melhor chance para fazer os plantonistas trabalharem no primeiro tempo.

O fantasma ainda teve mais duas investidas com Tiago Boiadeiro e Roger Bastos, após assistência de Rafael, que foram concluídas sem a força necessária e esbarraram na defensiva serrana.

A 10 minutos do intervalo, o ex áureo-cerúleo Xaro levanta a pelota na área farrapa, ela desvia e sobra para Negreiros mandar pro fundo do gol. Mas no instante do segundo toque, o autor do tento estava em posição irregular, sendo o impedimento assinalado pelo auxiliar e o gol impugnado pelo homem do apito.

O segundo ato da batalha começa novamente com os visitantes invadindo o terreno tricolor. Oriunda de uma cobrança de falta, a esfera é torneada de cabeça obrigando o guarda-metas local a praticar uma bonita defesa.

O Farroupilha responde com um tiro de, novamente ele, Rafael Pelezinho, defendido parcialmente por Carlão que solta a bola nos pés de Tiago Boiadeiro e este, com o gol aberto à sua feição, manda INACREDITAVELMENTE pra fora!

O comandante da tropa fantasma resolve ousar e saca o defensor deslocado para o flanco esquerdo, por conta da suspensão titular da área, Uillian Nicoletti (grafia correta), mandando o centro-avante Mateus Guerreiro para batalha.

Aos 28 minutos, o excelente zagueiro Vagner Garibaldi encarna seu parente guerrilheiro da Itália na linha central do gramado, rouba a bola, dribla três adversários e lança Mateus, que partia de posição duvidosa mas comprovadamente LEGAL. Guerreiro (nome emblemático) então faz o que não fizera nem contra o selecionado de Canguçu no início do ano: domina e com calma manda para o barbante na saída do número 1 do Brasil.

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GOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOL!!!! Catarse dos (muito) poucos mas apaixonados presentes nas arquibancadas do Nicolau Fico! A Terceirona parecia ser um pesadelo distante do qual estávamos acordando, enfim…

A euforia, porém, dura míseros quatro minutos. O Farroupilha tenta não se encolher nem ceder espaço para que a SERC fizesse pressão em busca do empate. O nervosismo dos combatentes, no entanto, era visível. Numa escapada, a bola cai nos pés de Renato que cruza para área. Geraldo é acionado e domina, cortando o defensor farrapo, e manda no cantinho, sem chances para Fabiano.

Mesmo com pouca gente na arquibancada, foi audível o “OOOOHH” característico de momentos frustrantes.

Na sequência, a esquadra da Serra perde o seu soldado Roger, expulso após falta forte nas cercanias do grande retângulo defendido por Carlão. Dione na cobrança, acerta o globo na barragem humana e, no rebote, manda por cima da meta.

Aos 40 minutos, o lance do gol do Brasil parecia estar se repetindo mas desta feita Fabiano faz um MILAGRE com os pés, À LA VICTOR. Como explicar a existência de cornetas em cima do camisa 1 tricolor?! Sim, elas existem. Todos atletas que não pularam da barca fantasma diante da situação merecem elogios, mas sempre há os IRRITANTES comedores de amendoim que só enxergam atributos negativos no seu time. Até se pode relevar. Mas corneta pra cima do Fabiano é demais! Sabe-se lá onde estaríamos na tabela, não fossem muitos de seus milagres…

No apagar das luzes (ns), Felipe Garcia que recém havia entrado no lugar do EXTENUADO de tanto correr Boiadeiro, tenta um último disparo para curar a EMPATITE do Farroupilha mas o balão acaba sendo desviado para fora.

E, desta forma, Anderson dos Santos assina o Tratado de Poncho Verde com seu apito, pondo fim às disputas. Um ponto conquistado contra uma grande equipe, o que não é de todo mal. O resultado deve analisado por duas perspectivas antagônicas. O Farroupilha poderia ter segurado a vitória, é claro, mas escapou de ser derrotado em seus domínios, por outro lado.

Agora é buscar a(s) primeira(s) vitória(s) nesses três próximos jogos fora de Pelotas: São Paulo DO Rio Grande no próximo domingo, Avenida em Santa Cruz na quarta e Aimoré no Cristo Rei no final de semana subsequente.

A frieza dos números parece desmentir, mas as atuações do time com tamanha raça e determinação – além do ÓTIMO trabalho tático e motivacional do técnico André Basques – e o clube buscando – se não a totalidade, mas uma parte das – soluções para suas adversidades como foi feito essa semana, credenciam o Farroupilha a não só permanecer na série A2 como classificar-se para os mata-matas.

A foto da comemoração do gol é de Marcel Ávila – Diário Popular. As demais de William Schmalfuss.

Lances do jogo pela TV Nativa:

Não tá morto quem PELEIA,

Marcos Ceron Gonçalves

Publicado em Brasil de Farroupilha, Divisão de Acesso 2013, Farroupilha, Sem categoria, Série A2 2013 com as tags , , , , , , , . ligação permanente.

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