Sem fumo no cachimbo panambiense

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Na noite treme-queixo desta terça, a farofada foi nos altos da Pirata. A SER Panambi recebeu o Avenida pleiteando a manutenção no quarteto ascensor. O periquito, por seu turno, queria colocar seu primeiro numeral real positivo na tabela de pontuação. Parecia uma brejerada fácil para a equipe  de Neu Wurtemberg, porém o Avenida não queria encher o cachimbo panambiense com o excelente fumo de Santa Cruz.

Com a gorducha tropicando na cancha, nem deu tempo de sorver o ar úmido do Fiúza que o Avenida abriu o marcador. O Gavião do periquito, finalmente resolveu alçar um voo depois de muito tempo, e fuzilou a meta alviverde, Diego deu rebote e, novamente nas garras do artilheiro, o ovo foi petelecado para a rede. Indefensável. Um a zero.

O gol não melhorou a equipe do Alto Jacuí. Aos nove minutos, Diego defendeu outro polegarzaço do ataque periquito, dessa vez era o canhotinho mágico Alexandre que se arriscava. A zaga, garbosamente elogiada neste blogue, não encontrava a bola, sendo facilmente acocorada pelos delanteros do Avenida, que agora contam com o baixinho Alexandre no ataque, e não mais no meio campo, como havia sendo disposto dentro das quatro linhas, pelo já distante da Terra do Fumo, Hélio Vieira.

A SER precisava se acalmar. Amaral e André Tereza passaram a segurar a bola mais no meio, já que os beques não estavam em uma boa noiteada. Com a pelota na meia cancha, os meias apareceram (despacito) na partida. Chiquinho resolveu assumir a postura de craque da equipe, função que ainda não assumiu como os forofos alviverdes gostariam. Maranhão e Cléberson, mais discretos, por vezes rumavam aos flancos, atuando pelas pontas, deixando Josimar centralizado.

Porém, o Avenida estava vivaço no jogo. Retinha tanto a bola quanto a SER, valorizando o resultado e aproveitando o nervosismo da representação panambiense. O periquito desempenhava maravilhosamente seu papel em campo, com uma retranca elogiosa (sem ironia, retranca ganha jogo e não precisa ser Mourinho para saber isso), apostando em contra-ataques mais perigosos que as jogadas “elaboradas” da verde-e-branca do Vale. O primeiro tempo esfacelou-se com o placar favorável ao Avenida. Em entrevista ao soar do apito final do primeiro tempo, Nunes afirmava “vamos tentar ganhar esse jogo no contra-ataque, os donos da casa vão ter que vir pra cima de nós em algum momento”. Porém, com dores no ombro, o homem da chuteira amarela deu lugar a Pierre ainda no intervalo da peleia.

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No segundo tempo, percebia-se que a noite fria na Pirata acabaria melancólica como o nevoeiro que começava a descer como uma cortina fúnebre no estádio. O Avenida marretou o prego no esquife panambiense quando, em uma falha do alviverde do noroeste, conseguiu chegar ao ataque. Fábio Pinho, com celeridade papaleguense, marcou o segundo gol e fez com que o torcedor que vive aos embalos da Oktoberfest respirasse aliviado e assim começava a rasgação de elogios ao novo (nem tão novo assim) homem da casa mata do Periquito. Pela primeira vez no torneio, o goleiro Diego foi vazado duplamente em uma partida. Dois a zero.

A SER marcou o seu tento com um pênalti polêmico perto da metade da segunda etapa. Certos xirús atestam que, antes do juiz soar o apito, viram a branquela ultrapassar, por entre as traves, a marca de cal quando o árbitro marcou a infração. Os jogadores de Santa Cruz chiaram que não houve gol e muito menos falta. Sin culo y sin suerte, foi marcado o penal, cobrado por Josimar, dando um paliativo ao torcedor: um Panambi, dois Avenida.

O tempo ia passando e o time de Santa Cruz, mesmo com o placar positivo vinha mostrando que voltaria mais amarelo que verde pra casa, foram seis amarelos pro Periquito, contra apenas dois pros donos da casa. Isso sem contar na expulsão do MASSAGISTA dos anfitriões.

Os minutos finais foram de pressão panambiense pelo empate. Porém, na ausência de tocada ofensiva, não tinha trabuzano que compensasse a falta de habilidade. O Avenida munhecava o resultado, postava-se na defesa como trama e palanque, não tinha arame solto para passar a boiada. Derrota em casa, pouco futebol por parte da SER, e a consciência tomando forma entre as sinapses antes desconexas em função da paixão.

A SER Panambi nubou, perdeu a invencibilidade caseira, e, muito mais na questão anímica que na matemática, complicou sua situação na competição. O periquito já se animou com os três pontos e seu novo treinador, talvez um vão ímpeto, talvez uma esperança real de classificação. Talvez os times estejam alocando-se: uma situação medíocre, ao pé da letra, nem paupérrima e nem maravilhosa, somente na média, que parece condizente com a realidade das equipes. Pior para o Avenida, que tem muita mais tradição. Pior para o torcedor panambiense, que acreditava em algo além.

FICHA TÉCNICA
4ª RODADA – 2º TURNO DIVISÃO DE ACESSO
PANAMBI 1 x 2 AVENIDA

PANAMBI
Diego; Adans, Marlon, João Carlos e Sander (Roni); Amaral, Cléberson, Chiquinho e André Tereza; Maranhão(Jean) e Josimar.
Técnico: Nestor Simionato

AVENIDA
Vanderlei; Teda, Marcelo Oliveira, Anderson Seffrin e Marciel; Nunes(Pierre), Carlos Alberto, Fábio Pinho e Deivid(Luis Fernando); Alexandre(Podadeiro) e Gavião.
Técnico: Beto Campos

GOLS
PANAMBI:
 Josimar(29/2ºT)
AVENIDA: Gavião(5/1ºT) e Fábio Pinho(20/2ºT)

CARTÕES AMARELOS
PANAMBI
: João Carlos e Josimar
AVENIDA: Nunes, Alexandre, Gavião, Anderson Sefrin, Pierre e Luis Fernando

ARBITRAGEM
Eleno Gonzalez Todeschini, auxiliado por Julio Espinoza de Freitas e Andre da Silva Bitencourt

LOCAL E DATA
Terça-feira, 4 de junho de 2013. Estádio João Marimon Júnior, em Panambi.

Esmorecidos, com a esperança de tolos, mas ainda acreditando nos times, 

Vinícius Fontana e Sabrina Heming.

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