O dia em que o Colorado sucumbiu à resistência Veterana

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O plantel do SC Rio Grande. Fonte: botoesparasempre.blogspot.com

Fotografias, poucas. Lembranças, quase nenhuma.

O Longínquo ano de 1937. A pouco mais de 77 anos, a bandeira do Sport Club Rio Grande ostentava o ponto mais alto – e único – da sua história, por meio da conquista do Campeonato Gaúcho de 1936. A maioria dos presentes no fatídico VERANICO de 37, nem se encontram mais entre os VIVENTES; Acredito que a geração tricolor mais recente, em uma cidade que se tem cada vez mais seus olhos voltados para as boas campanhas do coirmão, nem saibam do ocorrido. Ainda sim, tento acreditar que pelo menos para uma pequena e fiel parte da comunidade riograndina, essa história não foi e não será esquecida.

Voltemos-nos para o ano de 1936, marcado tanto pelo começo da PELEIA que tomou conta do solo espanhol através da Guerra Civil, quanto pelo lançamento de um dos filmes com maior impacto social e cinematográfico: Tempos Modernos, de Charles Chaplin. Bom, e o que isso interessa no momento? NADA, já que o COSTELÃO de 1936 foi disputado em 1937.

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Cena do Filme “Tempos Modernos”, do lendário Charles Chaplin. Fonte: Google Imagens 

Disputavam o certame apenas os campeões de cada região PAMPEANA. Em sua 16ª edição, Riograndense (Campeão da Serra), Novo Hamburgo (Região Nordeste), Internacional (Região Centro) e Botafogo de São Gabriel (Região Sul), disputaram a honra máxima do PEBOLIM gaúcho, juntamente com o SC Rio Grande (Região Litoral).

Na SAUDOSA repescagem, o Anilado, em um jogo árduo, venceu o Botafogo de São Gabriel pelo MONTANTE de 11 a 0, goleada que o credenciou para disputar as semifinais contra o mais antigo do País. Na semifinal realizada no Estádio da Baixada, o vovô fez a sua parte e venceu a partida por 5 a 2, onde Marzol, Ernestinho e Caringi marcaram os TENTOS da partida para o clube da Avenida Itália, enquanto Banana e Nonô, sobre a MARCA DO CAL, marcaram para o Nóia. Na outra semifinal, o Internacional de Porto Alegre venceu o Riograndense pelo SCORE de 7 a 4.

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Rio Grande enfrenta o Internacional na final do Campeonato Gaúcho de 1936. Fonte: reliquiasdofutebol.blogspot.com

Enfim, os dois dias tão lembrados pelos torcedores do Sport Club Rio Grande. Em duas partidas disputadas na capital de todos os gaúchos, Rio Grande e Internacional se enfrentavam para ver quem faturava o CANECO. Na primeira partida, disputada no Estádio da Baixada, com Henrique Maia Faillace como homem parcial do apito, o Rio Grande não tomou conhecimento da equipe colorada e venceu a partida por 3 a 2, com um GOLO de Ernestinho (É bom esse Ernestinho!) ao apagar das luzes. A NÊGA ocorreu três dias depois, no dia 21 de Janeiro de 1937, no Estádio da Timbaúva em Porto Alegre. O jogo serviu apenas para confirmar a superioridade de equipe papareia, que venceu o embate por 2 a 0, com dois gols RELÂMPAGOS – de Souza aos 65′ e Pesce, aos 67′ – decretando o dia mais comemorado, e a página mais linda da história do clube mais antigo do Brasil.

Mesmo após anos de minha indiscutível existência sem nunca ter visto o clube na elite, sonho com o dia em que poderei ver o Rio Grande de novo na primeira divisão, disputando partidas realmente importantes e com adversários realmente a altura. Sonho em ir ao Arthur Lawson em um domingo de sol, após ter curtido a Praia do Cassino ou após uma noite no LADS CLUB e ver uma partida valendo classificação para as quartas ou semi de um campeonato qualquer. Sonho em ver o Rio Grande disputando um campeonato nacional também, porque não? Somos livres para acreditar, e se nós, torcedores de clubes do interior, não acreditarmos em um novo amanhã, quem fará isso por nós?

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A equipe campeã do certame de 1936. Fonte: reliquiasdofutebol.blogspot.com

As escalações da partida que decretou o vovô como campeão:

Sport Club Internacional: Penha; Alpheu, Natal, Garnizé (Zezé) e Risada; Lewy, Antigas (Tijolada) Salvador (Mancuso) e Silvio; Castilhos e Tom Mix. Técnico: Bernardo de Souza Net.

Sport Club Rio Grande: Munheco; Fruto, Cazuza, Juvêncio e Chinês; Sanguinha (Roberto), Ernestinho, Carruíra (Caringí) e Souza; Marzol e Pesce. Técnico: Gustavo Kraemer Filho.

Árbitro: Demóstenes dos Sillos

Gols: Souza e Pesce (RG)

Sem mais para o momento. Um abraço do torcedor à espera de um inalcançável agosto,

Wilian Luz

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3 Respostas a O dia em que o Colorado sucumbiu à resistência Veterana

  1. Marcos Ceron diz:

    Belo texto!

    Os relatos históricos são os melhores, na minha humilde opinião.

  2. Robison Pereira diz:

    Muito bom este artigo.
    Adoro estes relatos e histórias do futebol de antigamente, um futebol
    amador sim, mais muito rico em emoções e paixão pelos clubes.
    Hoje, infelizmente virou comércio… Mais sempre vai existir pessoas, para nos fazer lembrar
    com nostalgia daquela época maravilhosa. Abs!

  3. Sapão diz:

    Não seria “HÁ pouco mais de 77 anos…”?

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