“Seleção do Leão” tem treze letras, vão ter que nos engolir

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Convergiremos quando o assunto for Seleção Brasileira. As dúvidas se sobrepõem as respostas. Ao mesmo tempo em que apresentamos diversos talentos ao mundo, eles não correspondem ao vestir o manto pentacampeão. Convergiremos, novamente, ao dizer que a prosa sobre os canários não nos atrai. Aliás, a distância entre as realidades pampeanas e as vistas no último domingo são atordoantes. Mas nada é capaz de deter o orgulho e a paixão dos torcedores, em especial uma torcida que há tempos vivia fadada aos “quases”.

Como se a nave de ‘Independence Day’ estivesse pousada no meio do Humaitá, a Arena surge imponente e trazendo aquele que promete ser o estilo moderno e “europeu” de torcer. As hinchadas choram. Os românticos poetizam contra as arenas enquanto os visionários debruçam-se sobre números. Divergiremos em alguns aspectos, mas a conclusão é óbvia: o que seria do mundo sem o romantismo? Eles são os certos. Quem discordar é um mero aristocrata pagador de mensalidades de 3 dígitos por uma cadeira numerada.

A diferença era evidente no comportamento das torcidas nos diferentes setores do estádio. Na geral, com ingresso a 60 dilmas, os cânticos, as provocações e as vaias eram puxados. Nos camarotes, sussurravam para ninguém ouvir os negócios que lá estavam sendo fechados, o futebol era segundo plano. Trocamos o literal espírito de torcer por uma cadeira de plástico colorida, por vezes quebrada, mal instalada ou inexistente. A pipoca custa SEIS reais, o cachorrão custa DEZ e o refri CINCO. Isso sem falar da finada cerveja.

No meio de mais de 51 mil personas, lá estavam eles, nossos ídolos. Não os ídolos dos visionários, mas sim os dos românticos. Aqueles que por onde andam não se despem de suas cores e orgulham-se de ostentá-las. Os DEFENSORES DO FUTEBOL INTERIORANO se faziam presentes. Passo Fundo, Caxias, Juventude, Pelotas, Xavante, Rio Grande, Farroupilha e, pasmem, Cerâmica. Porém, uma alcateia destoava. Não apenas pela sua grande presença, mas pelo orgulho que escancaravam. Os Leões do Parque fincaram o mastro na nova casa gremista. Com certeza, saudosos das vitórias no antigo Olímpico, mas profetizando as novas sagas: “ano que vem, é aqui”.

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Após anos vivendo na depressiva segundona, os rubro-verdes se fardam a todo instante. O acesso veio e fez renascer o orgulho papareia. Alguns anos atrás, uma camisa do São Paulo surgiria solitária, sem dúvidas. Por mais “nas boas e nas ruins” que falemos, o sentimento de satisfação e de reciprocidade nos faz exaltarmos ainda mais o bairrismo.

O honorário de qualquer um dos jogadores em campo pagaria mais de uma folha salarial rubro-verde, mas, transcrevendo o marketing dos cartões de crédito, a sensação de vestir a camisa do clube da tua cidadela para o mundo inteiro ver, não tem preço.

O nosso inimigo não é aquele que veste azul ou vermelho. Ele é apenas mais um rival. A diferença é que ele é superestimado, criado a leite com pera e favorecido pelo tamanho da querência. Bateremos eles, com o tempo.

Somos interioranos e, orgulhosos, representamos nossos clubes. Os Leões do Parque foram à capital e tiveram a certeza que Aylon daria mais trabalho aos BLEUS do que Hulk. Falaram no ouvido do Julio Cesar que ele tinha sorte, São Luciano não quer mais saber de seleção.

As boas vibrações que empurraram o quadro comandado por Rudi foram passadas a Felipão. Faça bom proveito, Scolari!

Vestido a caráter,

Matheus Almeida

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4 Respostas a “Seleção do Leão” tem treze letras, vão ter que nos engolir

  1. Guilherme Rajão diz:

    Teu texto retrata o nosso sentimento, Matheus.
    O que aconteceu domingo é apenas uma prévia para o que faremos em 2014. Nossa cor e nossa massa, demonstrarão ao Rio Grande do Sul quem é o LEÃO DA LINHA DO PARQUE.

    Parabéns pelo BAITA texto!

  2. igor diz:

    baita texto, ate me surpreendi qdo vi teu nome no final, achei q era de algum jornalista. Mandou bem mesmo, parabéns.

  3. Marcio Menna diz:

    Baita texto, cara.

    Um salve do tamanho de nossa torcida pra essa fase que estamos passando.

    Um abraço!

  4. #1 – O pensamento é esse, Rajones! hahahaha

    #2 – Valeu, Igor!

    #3 – Outro abraço tão grande quanto, Marcio!

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