Uma luz no alto da Colina

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Do céu ao inferno em dez dias. Assim pode ser definida a última fase do União Frederiquense na Divisão de Acesso.

Quando a equipe derrotou o Glória, de Vacaria, por 3 a 0, e conquistou o que era a sua primeira vitória na competição, em uma partida arrasadora, ainda sob os comandos do técnico Marcelo Caranhato, parecia o início de uma reação meteórica, quando, mais do que nunca, as coisas começariam a deslanchar, após dez jogos sem vencer. Parecia. Mas não foi.

No confronto seguinte, jogando em Rio Pardo, o União voltou a jogar bem, mas desperdiçou muitas oportunidades de liquidar o placar. Quando ainda vencia por 1 a 0, viu o peixe empatar. Novamente, o time frederiquense marcou, mas não conseguiu segurar o resultado. Levou o gol que deu números finais a partida: 2 a 2. Confiante, mas ainda sem toda aquela moral, o elenco retornou a FW com um pontinho na bagagem.

União X Gaúcho MM (24)

Todos os esforços e atenções se concentraram para o jogo que seria o do alívio, contra o Gaúcho, em Passo Fundo, no último domingo, dia 9. Claro, tinha tudo para dar certo. Contra o time que não havia vencido ninguém na competição e já estava mais para lá do que para cá. O União seria capaz da grande façanha de perder para o Gaúcho. Ou seria? Ninguém de FW sequer cogitava essa hipótese. Nem podia. Mas, incrivelmente, o inesperado aconteceu. TUDO deu errado em terras passufundenses.

Derrota vergonhosa por 4 a 2, com uma atuação lastimável, de apatia total. O Gaúcho fez por merecer, humilhou o Leão da Colina. Até os próprios colegas de elenco do grupo do União, que assistiam a partida do banco de reservas, resmungavam, parecendo não querer acreditar no que estavam vendo.

União X Gaúcho MM (181)

Difícil de engolir. Difícil de digerir. Mas, de fato, nada foi digerido. No mesmo dia, quando a delegação retornava para casa, foram sentidos os dias nebulosos que estavam por vir. Sem a habitual mordomia, o clima já estava mais que pesado.

Ainda durante a noite deste pós-jogo,  iniciaram os contatos para buscar o substituto do técnico Marcelo Caranhato. Para a direção frederiquense, era preciso, urgentemente, de alguém capaz de fazer o Vermelhão “tremer”, para que a apatia NÃO retornasse tão cedo por essas bandas. E, sem pensar duas vezes, na segunda-feira, anunciou oficialmente o desligamento de Caranhato do comando técnico. Ele deixou o clube juntamente com o preparador físico Dimas Borges, o preparador de goleiros Matheus Kendzerski e o auxiliar técnico Julian Tobar.

Segundo treino Agenor (184)

Com a reformulação da comissão técnica, chegou, durante a madrugada de terça-feira, para assumir o barco do União, o general Agenor Piccinin. Ditando ordens, no primeiro dia de trabalhos, já deixou o seu legado, mostrando pulso firme. E, doa a quem doer, quer atitude, comprometimento e profissionalismo. Junto com o técnico, chegaram o preparador físico Paulo Gilberto dos Santos, o Paulão, além do preparador de goleiros Edson Girardi.

O novo treinador, como os raios de sol que oportunizam uma bonita visão a cada anoitecer no alto da Colina, nos remete a vaga lembrança de que, apesar de tudo, ainda há esperanças.  A incrível missão será vencer três das três partidas que ainda restam, para poder depender de si mesmo. Impossível? Para Agenor, as atenções neste momento devem estar voltadas para a vitória. “É preciso focar em uma coisa. Temos que ganhar domingo. Depois vamos com tudo”, disse o treinador do Leão da Colina em uma das conversas de bastidores, já que ainda não pode falar com a imprensa sobre futebol.

Segundo treino Agenor (54)

É com o pensamento de vencer ou vencer que o tricolor recebe o Guarany, de Camaquã, para um reencontro histórico, no Vermelhão da Colina, neste domingo, dia 16, às 15 horas, em jogo válido pela sexta rodada. Além disso, ainda tem pela frente os duelos contra o Brasil de Pelotas e Inter de Santa Maria, fora de seus domínios, para tentar escapar do rebaixamento.

Recordando um pouquinho: em 2012, União e Guarany se enfrentaram pela última partida da antiga Segundona Gaúcha, quando as equipes brigavam para conquistar uma das vagas do acesso para a primeira divisão. O Leão da Colina só dependia de si, mas acabou sendo derrotado pelo Camaquã, em um jogo que ficou e ficará marcado para sempre nos torcedores do União. Na oportunidade, como a equipe do Bugre dependia de resultados, também não conseguiu o acesso, e ambos permaneceram na Série A/2.

Neste ano, quando as equipes voltam a se enfrentar bringando para não cair. O Guarany, já sem chances de evitar o rebaixamento, luta pela companhia do União, seu velho e memorável conhecido, no buraco da terceira divisão. Mais um breve detalhe: o técnico Rodrigo Bandeira, que ano passado defendia o União, agora estará do outro lado, comandando o Camaquã.

Com conversa, oração e trabalho em dois turnos, o União se prepara para o duelo decisivo. Domingo, veremos quem atropelará quem e se Agenor conseguirá fazer o elenco frederiquense ressuscitar na competição, garantindo a permanência na Divisão de Acesso.

Tentando acreditar naquela luz no fim do túnel,

Caroline de Oliveira

(Créditos fotos do jogo em Passo Fundo – Matheus Muller/Jornal O Alto Uruguai)

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