Mate de erva buena não se toma de canudinho

1010724_426227807485331_2025944841_n

A esquadra panambiense foi a Rio Grande enfrentar o glorioso São Paulo no Aldo Dalpuzo. Enfrentar o poderoso campeão do primeiro turno em seus domínios, necessitando fazer resultado, era a missão da SER Panambi. Sem jogar bem nas últimas partidas, os tauras de pelego branco tinham que levar um pontinho para o Alto Jacuí, para ainda sonhar utopicamente com a classificação e afastar de vez o risco de rebaixamento. Enquanto isso, os papareias buscavam uma vitória para manter vivas as chances de classificação para as quartas de finais.

1010446_426228467485265_1061238183_n

O jogo começou pirilampante. Ao contrário do que se pensava, um time conformado com a sua conquista, com a torcida esmorecida, o São Paulo mostrou qualidade, atacando com coerência e verticalidade, empurrado por uma torcida que, se não lotou as arquibancadas, zunzunava nas cavidades auriculares adversárias. A SER defendia-se como costumeiramente, porém dava para notar algo diferente. Quando possuía a bola, a alviverde subia ao ataque com a companhia dos laterais, especialmente Du, o que não ocorreu nos jogos contra Avenida e Santo Ângelo.

A primeira metade da peleia teve dois tentos, um de cada lado. Os gols foram tão acolheradinhos que um parágrafo basta. O São Paulo abriu o escore gol após um bate-rebate desgraçado na área da SER Panambi. O arqueiro Diego não viu a bola – como ele mesmo disse – no meio de tanto coronaço e foi incapaz de impedir o frenesi da equipe sulista. Porém, depois da picada a abelha morre. A alviverde não esmoreceu, aproveitou a ebriedade emocional do Leão do Parque, e empatou com Cléberson, apenas dois minutos após o tento adversário.

1012640_426228347485277_1005554695_n

Os quinze minutos finais foram de domínio da SER Panambi. A meia cancha verde-e-branca resolveu acolherar os aparentemente inseguros defensores caturritas, com Cleberson e Chiquinho puxando o protagonismo da equipe, certamente ouvindo as ladainhas deste cancheiro. Roni desperdiçou duas chances preciosas, mas comprovou seu maior voluntarismo frente aos demais delanteros Panambienses.

Contudo, nesse furdunço ofensivo, por três vezes, a alviverde deu espaço para a articulação ofensiva do Leão do Parque – a última, no finalzinho da segunda etapa, Diego, com um patonaço, impediu que Robert firmasse seu nome na súmula. Parece que realmente atacar e defender com a mesma eficiência é impossível, ao menos para Panambi: ou se faz um, ou se faz outro. Fim de primeiro tempo: 1×1.

969597_426228290818616_569128772_n

No intervalo, torcedor atravessa o campo ajoelhado, pagando promessa pelo acesso no primeiro turno. (Foto: Guilherme Rajão)

A segunda etapa mostrou-se ingrata a SER Panambi. Aylon, após jogada de Alê Menezes, botando o chapéu no zagueiro alviverde, finalizou a gorducha na rede do goleiro Diego: pornograficamente, 2×1 São Paulo. Com o gol, o Diabo Loiro voltou a artilharia isolada do certame.

E a reação rápida, tão esperada pelo torcedor panambiense, não ocorreu como na primeira etapa. Uma  grande instabilidade, joelhos gelatinosos dos beques, proporcionaram outros momentos de perigo contra o gol panambiense. Quando os meias resolveram segurar a pelota, redistribuindo-a pelos flancos, a SER voltou ao jogo, com Roni criando uma boa chance aos 17 minutos, magistralmente defendida por Luciano.

Após, à farofada se misturou eisbein, deixando-a mais ao gosto Panambiense. Depois de Aylon obrigar Diego a outro salto felino para afastar o novelo do rumo do gol, a SER puxou um contra-ataque com Chiquinho, que foi atarraxado pelo zagueiro caturrita: pênalti para a alviverde. Roni cobrou e chutou para longe a zica dos atacantes panambienses: 2×2.

O finalzinho da partida foi de pressão do Rio Grande, aumentando o protagonismo de Diego no jogo. Simionatto sacou Cléberson (que fez a sua melhor partida com a camisa alviverde no ano) e colocou Fabiano Veiga (que perdeu um gol incrível a três minutos do final), um meia por um atacante, perdendo ligação entre defesa e ataque. Já Rudi, colocou Sertãozinho e Michel deixando o ataque com muita movimentação e criando várias oportunidades. O problema é que os sempre eficientes Aylon e Alê Menezes desta vez não conseguiram empurrar a moranga para o barbante – apesar já terem feito no primeiro tempo.

5957_426228157485296_1666835912_n

A SER conseguiu segurar o resultado, esporadicamente atacando, principalmente no tempo suplementar, ganhando um ponto importante, mas ainda insuficiente para dar tranquilidade quanto à sobrevivência de Panambi na segunda elite do futebol gaudério.

Em termos de jogo, pareceu ser a partida mais qualificada de todas as disputadas pela SER Panambi, com menor número de passes errados e mais emoção. Relativamente à equipe, ainda está devendo a do primeiro turno. Vai ter que acontecer um tirão milagroso para alçar a equipe panambiense à próxima fase. O problema mesmo parece ser o descenso, inimaginável algumas rodadas atrás. Não é hora de impor críticas ao time ou treinador: todos sabíamos da modéstia do time, eu achei até que a essa altura estaríamos pior, tendo em vista as espectativas iniciais. A vitória do União deixou as coisas mais preocupante, ainda que não desesperadoras. Contra o Aimoré, temos uma decisão: a continuidade da SER no GRILÃO!

O São Paulo, mais uma vez, fez uma boa apresentação. A vontade de atacar e fazer gols por vezes abriram demais o sistema defensivo e os gols panambienses apareceram. A grande revolta foi com a arbitragem. Desde o inicio do segundo turno o técnico Rudi Machado vem reclamando da falta de critério dos árbitros nas partidas que envolvem o rubro-verde. Contra o Panambi, um pênalti que apenas o apitador viu fez com que as possibilidades de classificação do SP fossem praticamente eliminadas. Apenas um milagre leva o rubro-verde as quartas de finais, o pensamento da torcida agora é preparar o time para a grande final contra o vencedor do segundo turno.

Quanto ao título, vi essa frase em um restaurante que fica próximo ao Capitólio, em Porto Alegre. Achei legal e reproduzo-a. Se há sentido em relação ao texto, isso fica a critério do saudoso leitor.

Zwingen SER Panambi! Du wirst niemals alleine gehen!

Vinícius Fontana

À espera de um milagre ou à espera da grande final,

Matheus Almeida

Publicado em Divisão de Acesso 2013, Panambi, São Paulo-RG, Série A2 com as tags , , , , , , , . ligação permanente.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *