Sobre ilusões e realidade

Riograndense-empate-santo-angeloTudo bem, repetir a campanha estarrecedora do primeiro turno era algo utópico. Os torcedores do Riograndense, no entanto, não esperavam que o time se desconfigurasse a ponto de se tornar irreconhecível. Dos últimos três jogos, o Periquito perdeu dois e empatou um. O pior não é necessariamente o resultado, mas a apresentação em campo. Como disse o próprio técnico Círio Quadros, parece que o time perdeu o brilho de jogar futebol. E perdeu mesmo.

A desclassificação para o Brasil de Pelotas, na semifinal do primeiro turno, desestruturou o elenco do Riograndense. Tática, técnica, física e psicologicamente. O time, que era marcado por bom toque e posse de bola, por uma postura tática firme, qualidades individuais, compactação e inteligência, hoje, parece não existir mais. O segundo turno do Riograndense foi marcado uma queda de rendimento que impressiona tanto quanto a campanha do primeiro.

Na última semana, confirmando a turbulência que atinge os Eucaliptos, o talvez grande nome da equipe nessa temporada, o meia Gustavinho, foi dispensado pela direção. E, horas depois, reintegrado ao grupo. A justificativa do comando do Riograndense foi o fato de o jogador não estar focado no clube. O que foi esse desvio de foco e por que ele aconteceu não se sabe. Claro, pode passar pelos rumores de salários atrasados, inclusive pelo jogador ainda ser novo e, por estar jogando um bom futebol, isso pode ter subido a cabeça e, consequentemente, desfocado o resto da equipe. Essa decisão da direção foi contestada pelo grupo de jogadores, que pediram a volta de Gustavinho.

No último domingo, diante do Santo Ângelo, o Periquito tinha a oportunidade de deixar a classificação para a próxima fase bem encaminhada. E, como reflexo do que foi apresentado até então, não conseguiu aproveitar. Diante de um público que diminui a cada jogo, o Riograndense pisou no gramado sob o olhar de um torcedor desconfiado. O time foi a campo com onze jogadores que poucas vezes jogaram juntos. A presença de três meias indicava que o time deveria ter força ofensiva, criatividade e consistência nas jogadas de ataque. Deveria.

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Aos dois minutos de jogo, o personagem da semana, Gustavinho, abriu o placar. Depois de um cruzamento errado do lateral direito Darlem, a bola pipocou na grande área, sobrou para o volante Michel, que passou para Gustavinho. O camisa 11 recebeu e chutou cruzado no gol de Guilherme Costella, ex-habitante do Estádio dos Eucaliptos. O gol no início da partida deu uma certa tranquilidade ao Riograndense, que se acuou no campo de defesa. O Santo Ângelo, mesmo com um tento nas costas, buscou a partida e foi pra cima do time da casa.

Depois do gol, o rubro-esmeraldino tornou-se inapto a construir qualquer jogada com firmeza e eficiência. Os dois volantes, Wilson e Michel, caracterizados pela forte marcação, davam pouca qualidade na saída de bola. Os meias tinham que buscar as jogadas, voltavam para o campo de defesa e chamavam os volantes adversários, que adiantavam o posicionamento. E, lá frente, alheio a tudo, o centroavante Fábio Alemão. Nos últimos minutos da primeira etapa, o Santo Ângelo, consciente das falhas do Riograndense, soube aproveitar as oportunidades e empatou a partida, com gol de Rafinha.

Na volta do intervalo, a partida seguiu de igual para igual. O Riograndense chegava com perigo esporadicamente, enquanto o Santo Ângelo, retrancado, buscava as jogadas no contragolpe. Com espaços vazios em todos os setores, o Periquito parecia sem norte, sem saber por onde jogar. Bolas alçadas na área eram a válvula de escape e esperança de achar o segundo gol. As entradas do atacante Tiago Duarte e do meia uruguaio Fernando deram um lampejo de movimentação e inteligência para a equipe, que seguiu aquém do esperado, especialmente por jogar dentro de casa.

A segunda etapa teve cotovelada e bola na trave, menos gol. A peleia terminou em 1 a 1. Visivelmente, os jogadores do Riograndense saíram de campo conscientes do rendimento e do que pode (e deve) melhorar. Agora, é questão de botar em prática e tentar, incansavelmente, repetir qualquer atuação do primeiro tempo. O próximo jogo do Periquito é diante Farroupilha, que luta para não cair, fora de casa.

Assistindo ao olho da gateada pretear,

Bernardo Zamperetti.

(A foto da comemoração é d’A Razão e a outra é da assessoria do Riograndense)

Publicado em Divisão de Acesso 2013, Riograndense-SM, Santo Ângelo, Série A2 2013 com as tags , , , , , , , , . ligação permanente.

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