Todos os sentimentos na marca da cal

DSC06855

Confesso que não vi o jogador do União Frederiquense IRROMPER a defesa colorada. Estava posicionado praticamente na linha do meio de campo, e ainda anotava o lance anterior quando teria acontecido o contato entre o zagueiro Valença e o atacante HIANTONY dentro da ZONA DO AGRIÃO.

Quando meneei a cabeça após ouvir o apito contundente seguido de um silêncio na cancha, lá estava o árbitro Fabrício Neves Corrêa apontando para a marca fatídica. A mesma marca que no primeiro tempo havia consagrado Valença no gol de empate colorado. Marca essa que o mesmo Hiantony havia colocado a bola para empatar a partida com categoria minutos antes, no segundo pênalti do jogo.

Entre ainda distraído e um tanto quanto incrédulo que o destino pudesse se inclinar de lado tão rapidamente, deixei o local onde estava. Situado próximo ao banco destinado à imprensa e aos BRIGADIANOS e rumei, cabisbaixo, em direção à linha de fundo do lado esquerdo das cabines de imprensa.

Lado esquerdo da cabine de imprensa, aliás, é onde fica o banco de reservas dos mandantes, onde Badico naturalmente BRADA aos seus comandados. Dessa vez, não. Os bancos de reservas estavam inexplicavelmente invertidos: os colorados ocupavam o banco que normalmente é destinado aos visitantes e os DE FREDERICO ocupavam a casamata local.

Como numa terrível ironia, estaria ali um MAU AGOURO para os supersticiosos. Um presságio de que tudo daria errado, e se confirmaria quando Hiantony estufasse as redes de Samuel, o reserva que ocupava a posição de Jair, expulso INJUSTAMENTE no Bento Freitas diante do Brasil.

Ignorei esse pensamento e cruzei na frente do banco de reservas então ocupado pelo time do União Frederiquense. Não olhei para o técnico Agenor Piccinin, o MILAGREIRO DE FREDERICO, ou o Abel Braga do norte do Estado. Muito menos virei para trás para vislumbrar as reações de Badico e sua comissão técnica igualmente HISTÉRICA.

DSC06857

Postei-me um pouco atrás da extensão da linha IMAGINÁRIA da grande área e, quando Hiantony partiu HESITANTE para a bola, como se carregasse um CAMINHÃO BITREM amarrado às costas, a classificação do Inter-SM à próxima fase voltou a ficar palpável. O atacante do time da terra do barril bateu mal, no canto esquerdo do goleiro Samuel, que saltou novamente no canto certo, como já fizera no primeiro pênalti.

Após nova defesa, no rebote, do GIGANTE  BAGEENSE que chegou a ser o terceiro goleiro colorado na temporada, virei as costas para o lance. Aliviado, esbocei uma discreta comemoração, cerrando o punho direito e logo repreendendo a mim mesmo, com uma olhada rápida para ver se os colegas de imprensa de Frederico haviam percebido minha postura. Não importava. Ali, na marca da cal, o Inter-SM carimbou a passagem para o mata-mata do returno da Divisão de Acesso.

DSC06757

Outros dirão até que houve outros pênaltis durante essa partida. Lembrarão da primeira etapa, quando Valença calmamente deslocou o goleiro em cobrança tranquila. Ali, o sentimento foi de alívio, pelo empate. Veio também o sentimento de dever cumprido, quando Marco Antônio TORNEOU a cobrança de falta de Arpini e virou o jogo com um belo gol. Ali, parecia estar se desenhando a tranquila classificação colorada. Sentimento que voltaria para a marca da cal em forma de apreensão, quando Hiantony empatou de pênalti, com o goleiro Samuel acertando o canto, mas sem alcançar a bola.

Os torcedores do União provavelmente não lembrarão desse segundo pênalti, perdido pelo mesmo jogador que ali, naquele local onde já havia se convertido duas cobranças, havia sido herói. A classificação à próxima fase não veio, mas o principal objetivo cumprido com sucesso: o DESCENSO foi evitado. O colorado, por outro lado, garantiu, na marca da cal, a classificação para enfrentar o ÍNDIO CAPILÉ de Sâo Leopoldo, o Aimoré, nas quartas-de-final do returno do GRILLÃO 2013.

DSC06856

Na verdade hoje a marca dos onze metros nem seja mais de cal. Não importa. Foi ela, a marca da cal, que levou Badico às arquibancadas, festejando eufórico com a torcida após o fim do jogo. Depois, o abraço no goleiro Samuel, com a bandeira colorada às costas. A torcida, EXTASIADA, novamente bradou o nome do ídolo. Na marca da cal, e em todo o Presidente Vargas, todos os sentimentos foram experimentados.

Nicholas Lyra

Fotos: Radar Esportivo/UFSM

Publicado em Divisão de Acesso 2013, Inter SM, Série A2 2013, União Frederiquense com as tags , , , , , , , , , . ligação permanente.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *