Uma cabra chamada VITÓRIA

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Na foto acima: mesmo de preto, o Dragão é grande

Na tarde do último domingo, Santo Ângelo e Brasil de Farroupilha se reencontraram na cancha da Zona Sul. Na ocasião estava em disputa uma das vagas para a fase final do Acesso. O quadro local entrou na relva ostentando igualdade contra os Ferroviários Centristas em Santa Maria, na rodada anterior. Por sua vez, o conjunto farroupilha alegrou-se com o triunfo na volta precedente frente ao Avenida, na Serra.

Ainda antes mesmo de a pelota rolar, uma cena absolutamente imbatível, até então, pois a tarde se avizinhava promissora, foi incorporada ao noticioso da terra. Um jovem de tenra idade, popularmente conhecido como criança (ns), saltou na reportagem de uma das rádios locais para realizar o “sonho” de encontrar o árbitro da partida Jean Pierre Gonçalves Lima. Quando próximo do homem de preto e perguntado se estava contento, não titubeou ao disparar: “claro, ele é o Vin Diesel”. Mas, como eu disse, essa foi apenas a primeira da tarde. Enquanto nas outras canchas espalhadas pelo RS as ambulâncias sumiam, em Santo Ângelo a partida começou atrasada por todo mundo querer jogar de camisa branca. Seria um grande jogo pela paz, mas não foi. O apitador até cogitou começar a contenda com todos de roupa alva e foi devidamente vaiado pela torcida local antes da bola correr. Depois da catimba inicial, o grande Dragão Serrano vestiu negro e voltou ao gramado.

Foto Fernando Gomes

Nos primeiros movimentos o jogo era repleto de possibilidades, mas duas coisas já poderiam ser averiguadas: o quadro local armou o abafa inicial apostando numa indomável correria, quase uma ode ao tordilho negro sorteado pelas bandas da Zona Sul em outra ocasião. De outra parte, o time da terra das malhas era matreiro e não se assustaria com bafo na nuca e cara feia. O cenário, aliás, franqueou ao escrete visitante os primeiros arremates, no entanto, a Tricolor Missioneira, aos poucos, foi empurrando o Dragão Serrano contra sua própria linha fatal, em tarde inspirada de Bruno Flores, Rafinha e Felipe Garcia. O último, inclusive, abriu o placar aos 12’ do primeiro tempo para a explosão missioneira.

Durante a primeira etapa foi amplo o domínio dos Filhos de Sepé Tiaraju que, tranquilamente, poderiam ter ampliando o placar, mas acabaram não aproveitando as chances orquestradas. Fim de tempo inicial, 1 a 0 Santo Ângelo.

Nas Missões, além das ruas que como no país afora vomitam reivindicações desde as basilares até as de cunho liberal-moralista-tosco, a campanha da SER na Divisão de Acesso tenta ressignificar expressões como “show do intervalo” e “sorteio”. Não apenas pela peculiaridade dos prêmios e pela atmosfera que causam nas almas que circulam pela Zona Sul, mas, antes, pela nova relação que a carestia da Associação estabeleceu com a comunidade, que parece se reaproximar da instituição e contribuir com doações. A constatação já batida de que futebol se faz com dinheiro, nos dias atuais com muito dinheiro, facilmente leva até a falta de incentivo da cadeia produtiva interiorana aos clubes e associações de suas cidades e/ou regiões. A premissa do futebol-espetáculo afasta as cabeças de que o ludopédio também pode ser feito dignamente com as doações de fulanos, ciclanos e beltranos. E aí abrimos novo front para pensar em um “não lugar” onde “homens e mulheres são solidários uns aos outros”, como na Utopia de Morus.

Cabra Vitória

Os entre os regalos de mais uma domingueira missioneira estava um trio de garbosos gansos, um pacote com 3kg de costela, 2kg de salsichão e um saco de carvão, faltando apenas os espetos de mamona e a gaita de botão para a vaneira correr solta. Além disso, como se fosse preciso, a cabra VITÓRIA novamente desfilava na relva para fazer a alegria dos torcedores. Vitória deveria já respirar novos ares quatorze dias antes, na tensa partida que ultrapassou os sessenta minutos na etapa final contra o São Paulo de Rio Grande, mas a falta de energia no estádio durante a peleja inviabilizou a distribuição dos prêmios. Por fim, dessa vez tudo transcorreu bem e VITÓRIA, a essa altura quase mascote da SER, foi-se para sua nova casa, que, por motivo de segurança (ns), não divulgaremos.

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Todos de volta ao gramado e Vin Diesel (não fui eu quem disse) trilou o apito para a parte complementar. Ao contrário do que indica a cartilha do futebol, o Verde-Rubro Serrano não conseguiu nem aos menos pressionar os da casa em busca da igualdade. O jogo ficou equilibrado, mas o veloz time de Santo Ângelo atacava com maior profundidade. Antes de alcançar 10’ do tempo final, o atacante Felipe Garcia aproveitou falha defensiva dos visitantes e marcou seu segundo gol, 2 a 0 Santo Ângelo. O Brasil de Farroupilha tentou reagir, mas não construiu chances claras para marcar. Já a SER poderia ter ampliado o placar. Definitivamente a piazada missioneira superava a experiência serrana e lograva classificação para o mata-morre do Acesso.

Na vice-liderança do grupo A com 12 pontos, e somando 22 pontos nos dois turnos, a Associação Santo Ângelo enfrentará a Associação Riopardense, terceira colocada no grupo B, nas quartas de final. A primeira partida ocorrerá amanhã, 15 horas, no Amaro Cassep. O jogo de volta será no próximo final de semana, nas Missões. O confronto será o reencontro entre missioneiros e riopardenses na competição, no primeiro turno os de Rio Pardo levaram a melhor fazendo 2 a 0 como visitantes, no Estádio da Zona Sul. Mais do que uma revanche, a peleja será notabilizada pelo choque entre a juventude do quadro santo-angelense e a experiência dos do Vale do Rio Pardo, que contam com os serviços dos calejados Bolacha e Paulo Henrique.

No mata-morre tudo pode acontecer e a Tricolor quer ser de primeira.

#aRuaÉaMaiorCanchaRetaDoBrasil

El Viejo Balejos

(As fotos são do Fernando Gomes/Jornal das Missões e do Facebook da Associação Santo Ângelo)

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Resumo da partida:

Santo Ângelo (2) – Guilherme Costela; Willian, Carlão (Miranda), Renato e Márcio; Douglas Tirex, Moisés Baiano, Bruno Flores (Gilliardi) e Rafinha; Jean Silva e Felipe Garcia (Alex Espíndola). Técnico Luciano Corrêa.

Brasil de Farroupilha (0) – Carlão; Tiago Machado, Marlon, Héberson e Xaro; Alexandre, Tiago Renz, Miro Bahia e Rodrigo (Diogo); Fabiano Gadelha (Renato) e Geraldo (Edinho Recife). Técnico Leandro Machado.

Gols: Felipe Garcia, duas vezes para o Santo Ângelo.

Arbitragem: Jean Pierre Gonçalves Lima.

Auxiliares: Carlos Henrique Selbach e Antônio César Domingues Padilha.

Publicado em Brasil de Farroupilha, Divisão de Acesso 2013, Santo Ângelo, Série A2 2013 com as tags , , , , , , , , . ligação permanente.

Um comentário em Uma cabra chamada VITÓRIA

  1. Franco Garibaldi diz:

    “Seria um grande jogo pela paz, mas não foi.”

    “…a campanha da SER na Divisão de Acesso tenta ressignificar expressões como “show do intervalo” e “sorteio””

    “…VITÓRIA, a essa altura quase mascote da SER…”

    Tem coisas que só EVB faz por você.