Uma noite pra ficar marcada na alma jaconera

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Emoção, espetáculo, recordações, história. O torcedor do secular Alviverde que esteve uma vez mais nas bancadas do Alfredo Jaconi, na noite de sexta-feira passada, viveu e reviveu momentos que ficarão marcados eternamente em sua mente.

A atmosfera que rondava o palco do jogo era algo muito especial. Nunca antes visto de tal forma, o Jaconi ganhava uma iluminação de arrepiar qualquer indivíduo ali presente. Logo antes de a bola rolar, por volta das 18h40min, um vídeo apresentado no telão que ficou acima da Ferradura Sul do estádio emocionou a todos.

Praticamente todos, de pé, assistiram a um curto e contagiante documentário do ÍCONE verde e branco. No vídeo, Lauro, ou melhor, LAURINHO GUERREIRO, ia passando por todas as partes do Alfredo Jaconi, desde vestiários até às arquibancadas, ao mesmo tempo em que contava a importância daquele clube em sua vida. Não era difícil olhar para o lado e ver algum papo enxugando as lágrimas que teimavam em não parar de cair. Naquele momento, certamente não só Lauro estava recordando seus históricos momentos com o manto jaconero, mas também o torcedor esmeraldino.

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Partidas épicas, atletas marcantes, tentos inesquecíveis, feitos heroicos, viagens… enfim, tudo voltava à mente e fazia-nos não dimensionar o valor que aquele MUITO MAIS QUE UM CLUBE correspondia em nossas vidas. Quantas alegrias, vibrações, adrenalinas. Quantos choros, amarguras, decepções. O certo é: QUANTAS EMOÇÕES NÓS JÁ PASSAMOS AO SEU LADO!

Na voz de Sandro Stecanella, compositor do ‘Hino dos 100 Anos do Esporte Clube Juventude’, agora sim, TODOS em pé, faziam ecoar a canção que lembrava os maiores feitos do clube. “94, 98, 99 também…”, como numa viagem no tempo, o Papo que pôde viver esses momentos certamente estava com um filme passando em sua cabeça.

E, quando os responsáveis por vestirem a camisa que tantos importantes nomes já vestiram subiram ao gramado, um VERDADEIRO SHOW de fogos de artificio embelezou o Alfredo Jaconi. Capitaneados pelo embaixador dos 100 anos do clube e pentacampeão mundial Cafu, juntamente com o baixinho de maior representatividade na centenária história alviverde, o ETERNO camisa 8 Lauro, o Juventude de ‘LISCA, LISCA DOIDO!’ e, também, de Valmir Louruz, começava a peleia diante de LOS JÓVENES DEL URUGUAY mostrando o porquê de estarem há QUARENTA E NOVE jogos sem saber o que é uma derrota dentro de seu reduto.

cafu100Cafu e Lauro reiteravam uma das MAIORES verdades do futebol: quem sabe, NÃO ESQUECE! Apesar de ambos já estarem na casa dos quarenta – com Lauro, aliás, completando 40 primaveras neste último dia 20 – e alguns anos já afastados do futebol profissional, os vovôs eram os donos da bola, realizando toques desconcertantes, demonstrando visão de jogo excepcional e até colocando os promissores GURIS do país vizinho no CHÃO.

Era difícil alguma jogada de ataque alviverde não ocorrer pelo lado direito. Lauro mostrava a mesma cadência e simplicidade de sempre. Numa tabela com Cafu, o baixinho colocou uma bola entre os beques uruguaios pra qualquer GANSO DA VIDA ficar de boca aberta. Vendo os dois atuarem, parecia fácil jogar futebol. Notava-se, também, que os demais atletas eram contagiados pelo futebol simples e eficiente dos veteranos. Recebe, toca e movimenta. Recebe, toca e movimenta. O Juventude conseguia diversas vezes colocar o adversário na roda.

diogo100O primeiro tento, logo no início da peleia, aos 3 minutos, deu ainda mais confiança à equipe. Após cobrança de escanteio de Itaqui – que, aliás, merecerá algumas linhas ao decorrer do texto -, Diogo Oliveira mandou de cabeça a gorducha para o fundo do barbante tricolor. É, foi gol. De cabeça, num simples pulo. Sim, é verdade, ali não tinha nenhum Márcio Chagas da Silva.

Com Romano entregue ao DM, o versátil Julinho era o dono da lateral-esquerda. E, como nos treinos durante a semana, apareceu muito bem. Principalmente na segunda etapa, realizando velozes jogadas de linha de fundo e dribles objetivos. Romano dificilmente deve retornar do molho como titular.

O controle da peleja era todo verde e branco. Os PIÁS do Gran Parque Central pouco conseguiam ver a cor da bola. Em jogada pela esquerda, após cruzamento para dentro da área, Laurinho – pasmem – acertou um belo voleio. Não fosse a perna de um dos GIGANTES futuros xerifes uruguaios estaquear em sua trajetória, o baixinho marcaria seu mais belo gol com a camisa alviverde.

O melhor futebol dos donos da festa foi recompensado com o segundo gol já nos 45 minutos. Em mais uma ÓTIMA cobrança de canto por Itaqui, Bergson antecipou o zagueirão adversário e, como num replay do primeiro tento, só teve o trabalho de testar a redonda para as redes castelhanas.

E os dois feitos de bola parada não ocorreram por ocasião. Em TODOS os escanteios, sem exagero, o volante e ex-arquirrival Itaqui caprichosamente mandava a bola para a área. Nas arquibancadas, os Papos comentavam que, ENFIM, parece que encontramos alguém que saiba bater na bola. Vale constar que o volante, que inclusive não é só na bola parada que vem se destacando, mas no seu futebol em geral, já havia marcado um lindo gol numa pancada de fora da área em sua estreia com a camisa jaconera.

Veio o intervalo e foi a vez dos MONSTROS do Juventude Gladiators, equipe de futebol americano, realizarem uma exibição no gramado. Além disso, ainda deu tempo para o ex-goleiro Papo e BAITA Humberto Flores, que inclusive já foi entrevistado pelo Toda Cancha, dar uma volta olímpica com a Taça da Copa do Brasil de 1999.

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Se era aguardado que Cafu e Lauro atuassem por cerca de 30 minutos, a Papada foi pega de surpresa ao ver ambos retornando naturalmente para o segundo tempo. E olha que já haviam trabalhado bastante na primeira etapa. Porém, é aquela coisa: em jogo bom ninguém quer ficar de fora.

Assim, o Ju manteve o controle do jogo e administrou o placar conforme o tempo passava. Aos poucos, foram ocorrendo as substituições. Na vez DELES, Cafu e, principalmente, Lauro, o Estádio levantou-se para reverenciar essas duas feras. Um pela humildade e representatividade que lhe é conferida no mundo do futebol. O outro, ah!… o outro eu nem preciso comentar…

Apesar do caráter festivo dado ao confronto, os 90 minutos serviram para um bom teste em preparação à volta esmeraldina para o que interessa no restante desse ano: a Série D. No próximo sábado, às 16 horas, o Papo volta a lutar pela consolidação da liderança do Grupo A7 diante do Villa Nova, no Estádio Castor Cifuentes, na mineira Nova Lima.

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E ao passo que aquele momento mágico, que todo clube que consegue completar essa verdadeira maioridade futebolística ia chegando ao fim, nem a forte chuva que caía no Alfredo Jaconi inibiu os cânticos de parabéns ao Esporte Clube Juventude, assim como o hino oficial do clube, com o gramado virando um verdadeiro salão de festas particular daquele que é o verdadeiro dono de um clube de futebol: seu torcedor.

Ainda jovem, mas orgulhoso de viver esse marco do clube que amo,

Pedro Torres

(com fotos do jornal Pioneiro)

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10 Respostas a Uma noite pra ficar marcada na alma jaconera

  1. Gustavo diz:

    Cafu o ídolo do Centenário. Amassador de equipes sub 20.

  2. Bah, muito legal. Belas fotografias. Parabéns, xará! Parabéns, Franco! E parabéns a toda Papada!

    Saudações de um Xavante que respeita esse grande adversário.

    Abraço.

  3. Pedrinhos: baita relato e valeu pelo comentário #2 :D Saiba que o respeito, que dá motivo à rivalidade, é recíproco!

    Abraço nos dois!

  4. Temos a escalação do Juventude?

  5. Lucas Winckler diz:

    Respeito muito o Juventude, acho o Jaconi um estádio mítico pensando regionalmente, mas digo isso até porque fiquei meio chateado assistindo o jogo: TINHA QUE TÁ CHEIO O ESTÁDIO! Achei que isso seria básico, apesar do horário e do frio, Caxias do Sul não lotar o campo de um dos seus clubes no jogo comemorativo do centenário, não acreditei quando vi os vazios.

  6. Franco Garibaldi diz:

    #4 tu diz o que iniciou o jogo?

    fernando; cafu, rafael pereira, diogo e julinho; jardel, lauro, itaqui e diogo oliveira; bergson e zulu (para o retorno à série d, sábado, devem entrar murilo e gustavo no lugar dos dois já retirados dos campos).

    #5 assino embaixo, lucas. foi o único senão do jogo: quem não foi ao jogo podendo fazê-lo. cada vez mais passa a imagem de que a cidade não gosta de futebol e de seus clubes.

  7. Leonardo Manzi e Da Silva jogaram?

  8. Não, de ex-atletas do clube, apenas os dois citados, Francisco.

  9. baldasso diz:

    foi muito afudê, simplesmente.

  10. Pingback: Um novo tempo, apesar dos perigos | Toda Cancha

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