O dia de São Florestal

Lajeadense x Botafogo

Chuva torrencial, meia dúzia de torcedores, acesso liberado às cadeiras, jogo de vida ou morte na terceira rodada e todo mundo com o * na mão. É o Lajeadense na Série D do Brasileirão, mas poderia ser, tranquilamente, o alviazul na primeira fase da divisão mais baixa do estadual em qualquer ano aleatório das décadas 1990 ou 2000. A encharcada vitória do clube celeste neste domingo contra o Botafogo de Ribeirão Preto foi, mais do que tudo, um claro sinal de que o Grande Espírito Sagrado das Arquibancadas Tortas continua ao nosso lado. Eu sempre soube que o já combalido Florestal nunca nos abandonaria.

A virginal caminhada do Lajeadense na Série D não está sendo fácil. Depois de ser obrigado a remontar o elenco em DEZ DIAS, LOS FRUKEÑOS ainda tiveram as manhas de empatar na estréia em um ensandecido 4×4 contra o pior clube do mundo e pior time do grupo, JOTA MALUCELLI LTDA S/A COMPANY, em casa, graças a um gramado alagado por dois dias seguidos de chuvas. Depois de buscar um heróico empate em zero em Blumenau, ainda perdemos nosso único lateral-esquerdo, Índio, para o futebol suiço, e nosso centroavante iluminado, NEGO JANDSON, que foi se esfregar em barris de petróleo nas Arábias.

Durante o recesso padrão FIFA™, Flávio Campos tratou de não ajudar muito também. A cada coletivo, 15 formações diferentes eram tentadas, esgotando todas as possibilidades de ARRANJO MATEMÁTICO possíveis com o tamanho do elenco umas três vezes e abdicando de qualquer resquício de entrosamento. No fim, retornou ao básico 4-4-2, sacando nosso até então principal zagueiro, Julio Santos, e insistindo em nomes como Ramon e Léo Franco, que continuam maltratando a bola.

Lajeadense x Botafogo 3

Antes de a salsicha Minuano rolar, tivemos a certeza de que estávamos realmente ÓRFÃOS de qualquer ajuda celestial. Pela segunda vez em dois jogos em casa, as forças meteorológicas trataram de complicar ainda mais a situação do nosso sempre úmido gramado. Novamente, contra todos os prognósticos, desabaram cerca de TRÊS MILHÕES de milímetros de PRECIPITAÇÕES sob o Estádio Alviazul, complicando a partida e afastando qualquer possibilidade de bom público na primeira metade caseira de nossa própria Coluna Prestes.

Enquanto o Rio Taquari avançava até mais ou menos a porta do estádio, as 175 pessoas que teimaram em vencer o barro com CAÍCOS para chegar ao estádio nutriam o único sentimento possível: O FLORESTAL HAVIA VOLTADO. A memória das tardes de domingos invernais comendo bergamota à sombra de pingos do tamanho do pescoço do Jorjão nas arquibancadas tortas eram a única esperança digna. Além disso, a estréia da nova camisa do clube, fabricada agora pela pujante Weefe, auxiliava na sensação ao reluzir, novamente, após anos de cinza-azulado, um manto CELESTE, que  adotava rapidamente tons de MARRÃO enquanto se debatia em campo.

Quando a bala Flópi foi autorizada a rolar, mas ficou empacada em uma poça, não demorou para que o NOVIÇO zagueiro Laércio confirmasse o domínio celeste dos primeiros minutos com um testaço lindo após cruzamento vindo da lateral.  Diferente do bundamolismo visto no primeiro jogo em casa, o Lajeadense encarnou o espírito guerreiro dos tempos de seu velho e acanhado estádio e, mesmo atrapalhado pela água, patrolou o Botafogo de figuras como LEANDRO GIANECHINI e Borebi. Mesmo sem criar outras chances claras, o alviazul dominou completamente as ações e só sofreu alguma investida contrária em momentos de completo acaso, sem nenhuma efetividade por parte do time que deu DONI ao mundo.

media_CApa_cor_LajeLaércio comemorando o seu tento redentor

Já no segundo tempo, as forças do OBSCURANTISMO que só podem ecoar do nosso velho gramado de jardim repetiram as façanhas do Gauchão, gerando lesões nos jogadores ilegalmente escalados por Flávio Campos e obrigando-o a acertar na escolha dos elementos mesmo sem querer. Dessa vez, foi Ramon que lamentavelmente saiu na maca, dando lugar a um DEBUTANTE, Cléber, que, ao lado da defesa, não deixou os de Ribeirão se assanharem além de uma ou outra falta da entrada da área inventada pela arbitragem, que não deram em nada.

Os grandes destaques, porém, eram novamente o garoto Moisés, que enchia o meio-campo sozinho como se fosse o próprio MATTHIAS SAMMER de Santa Clara do Sul, e o também estreante Cléverson, que esbanjava categoria na parte superior da cancha. E, daí mesmo, surgiu o segundo tento celeste. Após bate-rebate, CLEVERSHOW, em lance de gênio, abdicou da finalização encoberta por milhões de defensores, optando por um singelo lançamento para o outro lado da pequena área. Lá, outro meia desfrutando de sua MENARCA lajeadense, Júnior, aparecia livre, sem qualquer preocupação, para estufar as redes e comemorar com um carrinho na chuva digno de quem era viciado nas comemorações do FIFA 97 para Mega Drive, conquistando desde já os corações da torcida.

Depois, Léo Franco ainda recebeu um amarelo por reclamação, o deixando mais próximo da tão sonhada suspensão que o tirará do time e ajudará Flávio Campos contra a sua vontade. E, mesmo com o serelepe Jô em campo, saracoteando de um lado a outro como se não houvesse amanhã, o jogo terminou mesmo no 2×0, sem qualquer perigo à vitória alviazul.

Se já houvia o sentimento de que o time do Lajeadense é muito bom, o domingo só ajudou a confirmar. Quando jogarmos com os 11 ideais, então, a tendência é só melhorar. Em um campeonato de tiro curtíssimo como a Série D, continuar vivo é sempre uma batalha, e continuamos vivos, invictos e muito bem posicionados. Com 5 pontos, o Lajeadense ultrapassou o Metropolitano de Blumenau, que estagnou nos 4, na única briga real por classificação no grupo: o Londrina já está na próxima fase, e os outros dois times dificilmente farão alguma coisa.

O futuro tem tudo para ser brilhante, como a nossa nova camisa. Infelizmente, a próxima parada é justamente contra o outro clube celeste da bagaça, o candidato a bicho-papão Londrina, no Estádio do Café. No próximo domingo, o que vier é lucro, e uma derrota não nos deixará insones por semanas. Justamente por isso, porém, um empate já será praticamente uma vitória, e uma vitória de verdade praticamente nos alça à PACHA de favoritos ao acesso.

Te cuida, Série C, estamos chegando. Ainda mais com a ajuda dos poderes SOBRENATURAIS.

(A primeira foto é do sítio do tricolor de Ribeirão, enquanto as duas últimas são do leal, valoroso e, mais do que tudo, onipresente Elton de Andrade para o jornal O Informativo do Vale)

Ignorando o novo acordo ortográfico,
Guilherme Daroit

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