Sobre pensar pequeno

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Certa feita, uma pessoa que se dizia diferente, mas que – na real – era igual a qualquer RASTAQUERA que transita por aí me disse que eu tinha um grande defeito: pensar pequeno. Mas trazendo isso para o contexto do que ocorreu nos últimos dias em São Leopoldo, só me resta crer que foi esse sentimento de dar um passo de cada vez que fez o Aimoré retornar para a elite do COSTELÃO.

A saga vivenciada pelo clube azul se confunde com o sentimento desse cancheiro para com o esporte bretão. Mas para entender essa ESQUIZOFRENIA, volto a 1996, quando meu pai me levou pela primeira vez a um estádio de futebol e o recinto não poderia ser outro, se não o Cristo Rei.

A peleia, se a memória não estiver me traindo, foi contra o brioso Taquariense. Tive até mesmo a chance de bater uma BOLINHA com os reservas indígenas no intervalo, aquelas coisas que só acontecem no interior, em um tempo onde a FGF era menos fresca.

Aquele conjunto de fatos me marcou demais, mas ao mesmo tempo acabou sendo uma espécie de “até logo”. No fim do mesmo ano, o Índio Capilé se licenciou do futebol profissional, somente retornando no ano de 2006. Nesse ínterim, mantive um envolvimento com o clube, seja indo às piscinas nos verões escaldantes de SAN HELL, seja atuando com GALHARDIA pelas canteras do quadro aimoresista.

A reaproximação foi lenta, ainda tinha como estranha, em minha paisagem FACTUAL, a ideia do ÍNDIO VÉIO atuando profissionalmente. Mas o primeiro amor o taura nunca esquece e foi uma questão de tempo para haver o reencontro.

Segundona de 2008, Aimoré 2 x 1 Porto Alegre (pior clube). Naquele momento, realmente comecei a entender porque me sentia tão a vontade ali e tão estranho no estádio grandioso que, por ventura, frequentava e sempre me fazia divagar se ali não faltava algo (a resposta era afirmativa). Naquela antiga mas aconchegante bancada, era integrante de algo, de um existir, de fazer parte da mesma DEMÊNCIA que pessoas queridas e integrantes da minha paisagem humana.

A assiduidade cresceu na medida em que a – falta de – maturidade chegou. Entre traumas causados pelos homens de verde de Panambi, passando por embates em noites GÉLIDAS de quarta-feira que pareciam durar 156 horas contra o Glória ou contra Esportivo, enfim, a felicidade era só pelo fato do clube existir.

Em 2011, essa felicidade virou PAVOR. O clube foi rebaixado para a Terceirona e o temor de que houvesse um novo fechamento de portões acometeu aos capilés. Felizmente, nessa queda, ocorreu a união em torno do Índio. Foram os passos para trás que permitiram o salto que vemos hoje.

Lucas Silva, Pitol, Luis Henrique & CIA, muito bem arregimentados por Gélson Conte e pela diretoria, trouxeram, em uma campanha irretocável, que teve vitória na PEDRA MOURA e batalha campal em Carazinho, o Aimoré de volta à Divisão de Acesso, A-2, ou seja lá qual nome esteja em REALCE nesse torneio.

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Dentre todos os festejos pelo título inédito da Segunda/Terceira Divisão, o mais importante para mim era que o clube garantia sua sobrevivência. Talvez seja mesmo pensar pequeno, mas é São Leopoldo que calça chuteiras e sai estado afora, usando aquela jaqueta azul e branca com o IMPONENTE emblema do Índio guasca no peito. Isso basta.

Foi impossível não ter bastante expectativa para essa temporada. O time começou muito bem nos amistosos e, na largada da competição, venceu o Ypiranga com dois GOLOS do Rodrigão. Um 9 conhecido e goleador, a base do time campeão no ano anterior, estávamos mais do que existindo. O sonho com algo maior ia se tornando palpável.

Só que o primeiro turno não foi DOCE. Uma série de maus resultados, a lesão de R9, questionamento do trabalho, demissão de Gélson Conte. O namoro com a zona de rebaixamento fez com que o velho CAGAÇO voltasse… sabe como é gato escaldado.

Bem Hur Pereira, Jean Paulo, Alex Herber, Faísca e Rogério desembarcaram na Estação Unisinos e trouxeram na mochila toda a confiança que precisava para a reabilitação. Todos cresceram, o guarda valas HEAVY METAL Rafael, ajudado pelos poderes de PADRE REUS, começou a se multiplicar na baliza; Jésum Krombauer e o capita Luis Henrique voltaram a ser um MURO; Luanderson, Evandro, o PRODÍGIO Mikael e o artilheiro Japa se consolidaram de modo definitivo.

A reação foi impressionante. A bela campanha no segundo turno só parou num índio melhor armado, mas garantiu o vice-campeonato e garantiu o direito de disputar o terceiro cartão que liberaria o ingresso para o TARSÃO. Do outro lado da RINHA, o Periquito santa-mariense.

Nos primeiros 90’, disputados na Boca do Monte, melhor para o time germânico-indígena que garantiu uma vitória por 3 a 2, em um jogo no qual VIN DIESEL se atrapalhou todo e sonegou pênaltis para ambas as equipes. A melhor de todas foi quando o árbitro CALVO desistiu de uma penalidade máxima para os capilés, após – supostamente – constatar seu erro. É brabo.

Dado todo esse CAUSO, o jogo decisivo da disputa do BRONZE ficou para o domingo no Estádio Monumental do Cristo Rei. Com uma temperatura GLACIAL, cerca de 4 mil viventes, entre leopoldenses e ferroviários, foram às arquibancadas.

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Precisando do resultado, quem foi ao ataque desde os minutos iniciais foi o Riograndense. Com 3 avantes, 3 meias e movido a CARVÃO da V.F.R.G.S, os verdes mal tocaram na bola e já tiveram um lance duvidoso que resultou em um gol anulado. Protestos ocorreram, todavia aos 13’, ABU bateu falta e Rafael foi quicar a SÓRDIDA no gramado, maliciosamente, ela se projetou aos pés de Rangel que abriu o placar para as visitas.

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O Aimoré ficou nervoso, Faísca e Mikael não conseguiam criar nada. O peso de estar perto de voltar ao Grupo Especial do CARNAVALÃO 2014, depois de 19 anos, parecia pesar no lombo da capilezada. O máximo que foi criado pelos nativos na primeira etapa foi um cruzamento de Mikael em que por pouco Cassel não fez contra.

O Periquito continuava melhor e com os torcedores já roendo unhas, orando para Padre Reus e com o chimarrão sorvido estourando na bexiga, fomos ao intervalo. Após usar os banheiros químicos, comprar pastel com quentão a 5 MANGOS – maior lanche – e fazer pertinentes contatos com conhecidos que versam sobre atualidades capilés, fomos ao segundo tempo.

O Índio voltou melhor, a torcida vencendo a FRIACA, começou a entoar seus cânticos tribais em alto e claro ruído. Mas aos 24’, Fábio Alemão por muito pouco não fez o segundo para os centristas.

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Pegando a defesa esmeraldina fora do lugar, Mikael cruzou, o oriental goleador chutou para uma grande defesa do DOBLECHAPA Yai e, no rebote, Luanderson, o MESSIAS que veio dos confins de Pernambuco para transpor não só o Rio São Francisco, como o Rio dos Sinos e todo o relevo que houvesse pela frente, menos o barranco, esse rapaz empurrou de perna esquerda para a rede. Um gol chorado, renhido, de redenção para os capilés, para o próprio jogador que demorou a se adaptar ao sul. Um momento em que todo e qualquer vivente da arquibancada passava a ser o melhor amigo do senhor cuja idade era o triplo da sua e que estava a seu lado. Lágrimas de muitos, felicidade de todos.

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O bravo Riograndense honrou seu GENTÍLICO e foi para o ataque total, com o CAVALARIANO Rafael Refatti recebendo belo passe de Dângelo e invadindo a área para fazer o segundo golo. Mas Rafael, com suas melenas, sua faixa no cabelo, um tacape, um Código Civil e um par de luvas, operou um milagre. Se ele falhou no gol, azar do GAITEIRO, só sei que REMISSÃO foi a palavra que me veio a mente.

Deu tempo ainda de dar um BANZÉ. O DT Leocir Dall’Astra foi convidado a se retirar, assim como Cassel e Rangel. Nos acréscimos, houve tempo de surgir um pênalti para o Aimoré. O CAPILÉ Rodrigo Galvão, que havia entrado muito bem no jogo, bateu e isolou a MALVADA na direção do barranco alentador. Não importou, o tio apitou e fim de papo. Aimoré na Série A.

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Festa insana, embarrada e sem precedentes no gramado e nas ruas na São Leopoldo. O Aimoré do próprio CRISTO REI, desse cancheiro, do cancheiro Amaro, do Pres. Felipe, do André Schu, do Manu Becker, do MONSTRO Ben Hur Pereira, do emotivo y copero Edinho, do seu Flávio, do Fernandão, da família Haubert, da CARDOSADA, do Sapo, do Jairo Kuba, do Dr. Jairo, do Telminho, das gurias do administrativo do clube, do brioso, leal, bom de bola e GUASCA grupo de jogadores, que teve em Japa, artilheiro da Divisão de Acesso com 13 golos, como exemplo, e de tanta gente boa demais que peço desculpas por não citar, mas CLAMO para que se sinta devidamente representada nesse espaço, esse clube de SÃO LEOPOLDO, essa ENTIDADE chamada Aimoré está de volta.

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Voltamos para um local que estávamos há muito afastado. Penso em aguentar na ‘Azona’ nesse primeiro ano e depois ir galgando devagar uma flechada mais longa, pensando passo a passo, temos só metade do CASCALHO que os demais times terão, mas sempre acreditamos que dá, pois o velho Índio é o maior clube do NOSSO mundo. Afinal, como diz nosso hino: “És o Cacique da Taba, contigo ninguém acaba”.

Ah, é bom demais pensar pequeno!

Ficha técnica:

Local: Estádio Cristo Rei, em São Leopoldo.

Árbitragem: Márcio Chagas da Silva, auxiliado por Rafael da Silva Alves e Alduíno Mocelin.

Gols: Rangel 13´ 1ºT (R); Luanderson 28´2ºT (A).

Cartões amarelos: Rangel, Cassel e Foletti e Rafael Refatti (R); Mikael, Evandro e Alex (A).

Cartões vermelhos: Rangel e Cassel (R).

C.E.Aimoré: Rafael; Alex Heber, Jésum, Luiz Henrique, Alex; Luanderson, Faísca, Evandro (Toto), Mikael; Japa (Rogério) e Jean Paulo (Rodrigo Galvão) Técnico: Ben Hur Pereira

Riograndense.F.C: Yai; Rangel, Cassel, Vinicius, Wilson; Gustavinho, Julio Abu, Dangelo; Tiago Duarte (Rafael Refatti), Fabio Alemão, Foletti. Técnico: Leocir Dall”Astra

Ainda em transe e me preparando para cumprir promessas, mais orgulhosamente do que nunca,

Natan Dalprá Rodrigues

(As fotos são do SÍTIO do Aimoré, do facebook.com/torcedorindiocapile e do esportesul.com.br)

Publicado em Aimoré, Divisão de Acesso 2013, Riograndense-SM, Série A2 2013 com as tags , , , , , , , , , . ligação permanente.

2 Respostas a Sobre pensar pequeno

  1. Guilherme Grená diz:

    Que bom que tu voltou, Aimoré. Temos que acertar uma continha pendente lá do longínquo 1992. Um 2×2 no Cristo rei com sabor de catástrofe. Uma ferida que demorou meses para cicatrizar. Quem não se lembra do superior Caxias com ìndio, Brandão, Elói e Cipó que foi parado por um Capilé liderado por Gerson Lopes – Beija Flor, que antes do jogo quis vender o resultado? E que a direção grená esnobou e apostou tudo no resultado das 4 linhas. E os mais de 3 mil grenás (sendo este um deles) fez uma viagem de volta (São Leopoldo -Caxias do Sul) em aproximadamente 5 horas……
    Ainda bem que tu voltou, seu capilé. Ainda tá em tempo de resolvermos este trauma.

    No mais os meus parabéns. Vcs estavam fazendo falta na Elite do RS.

  2. Alemão diz:

    O texto precisa de uma pequena correção:

    cerca de 4 mil viventes, entre leopoldenses, ferroviários, e meros admidadores do futebol gaúcho que foram às arquibancadas.

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