“Aonde foi que erramos?”

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Essa foi uma das perguntas que mais foi repetida nos bastidores do Vermelhão da Colina nesta temporada.

O ano de 2012, ficou marcado no União Frederiquense por muitas superações, mas uma passagem negativa. A derrota em casa para o Guarany de Camaquã – no inesquecível 16 de junho – que adiou o acesso do Leão da Colina para a elite do Futebol Gaúcho.

Buscando se recuperar do forte baque, a formação do elenco frederiquense para a próxima temporada, iniciou ainda em outubro de 2012.

A primeira e principal dúvida que pairava era. Quem seria o novo treinador do União? Quem teria a incrível missão de recuperar o ânimo do torcedor?

Pois bem, o início da temporada já se mostrou muito difícil. Os técnicos Fabiano Daitx, Gelson Conte, Ronaldo Bagé e Rudi Machado (sim, esse mesmo que subiu o São Paulo-RG), entre outros, chegaram a ser sondados para assumir o comando técnico do União. Alguns agradeceram, mas recusaram, outros chegaram até a viajar a FW para conhecer a estrutura do clube, e outros, aceitaram o convite, mas não foram procurados para dar continuidade as negociações. Enfim… Após uma novela que se estendeu por mais de UM mês, o treinador Tiago Nunes – que não era unanimidade na direção do clube –acabou acertando para assumir o Leão da Colina.

Vale destacar a dedicação incansável da direção do União. Mas que neste momento, já estivesse cometido o maior – e talvez – o principal pecado da temporada. Na ânsia de querer anunciar logo um novo treinador, acabar com a agonia momentânea, para poder iniciar a formação do grupo, e em seguida, os anúncios dos reforços. Toda essa ansiedade em um momento crucial, em um tardar nem não distante, fizeram com que o clube pagasse O PREÇO por isso.

Até então, esse fato foi abafado pelos anúncios ininterruptos dos mais de 27 atletas que já haviam assinado pré-contrato, e eram anunciados um por um. Nomes rodados como Anderson Bil, Xavier, Barão, Butty, Thiago Corrêa, Alex Goiano, Jajá, Hyantony, entre outros, fizeram com que a equipe fosse considerada uma das mais competitivas (no papel) e favoritas ao tão sonhado e almejado acesso.

A pré-temporada iniciou em janeiro, e de início, o forte ritmo imposto nos treinamentos foi bastante elogiado. Mas isto, até começarem as lesões.

Começou a temporada, e o número de lesionados aumentava. Cada perda era muito lamentada. Alguns jogadores se machucavam sozinhos, outros em divididas normais de treinos ou em jogos, e outros pelo desgaste físico. O departamento médico chegou a contar com mais de NOVE jogadores de uma só vez.

Falando brevemente um pouco de toda a mobilização da direção frederiquense fora de campo, que neste ano, teve atenção redobrada para proporcionar uma estrutura de alto nível para a delegação. Incluindo desde hospedagem em bons apartamentos mobiliados pelo clube (já que ainda não se dispõem de alojamento próprio), alimentação, salários em dia. Além de tudo que era mobilizado nos dias que antecediam as partidas. Mesmo quando os jogos eram em casa, a equipe ia ainda no dia anterior para um dos hotéis mais confortáveis no centro da cidade, onde ficavam concentrados até a hora de ir para o Vermelhão da Colina. Quando os confrontos eram fora de casa, a delegação viajava no mínimo 24 horas antes, em um dos melhores ônibus de FW, e ficava hospedada em excelentes hotéis, com a direção do tricolor sempre tendo o maior cuidado para oferecer uma alimentação de qualidade, e proporcionar o maior conforto a todo grupo. Mas tudo isso, e muito mais, não foram suficientes para dentro de campo, conseguir obter os resultados esperados.

A equipe engrenou uma série de empates, seguido de derrotas em casa e fora. O clima que no início era alegre e festivo, nos bastidores não era mais o mesmo. Com o passar dos dias, a situação foi se tornando insustentável.

O baita elenco do papel, por uma infelicidade, não deu caldo, e a situação só tendia a piorar. O comando técnico precisou ser substituído pela primeira vez na temporada. Saiu Tiago Nunes, e chegou Marcelo Caranhato. Aparentemente com perfis parecidos, mas personalidades totalmente diferentes. Caranhato com toda sua calma, serenidade e controle emocional, conseguiu esboçar uma leve reação do grupo, ia bem, mas não suportou no comando técnico após a derrota humilhante em Passo Fundo, frente ao já rebaixado Gaúcho.

Uma nova troca no comando técnico foi realizada, quando muitos já desacreditavam em uma reação, e encaravam o rebaixamento como algo inevitável para o Leão da Colina.

União x Guarany (602)

Nada que o retorno do dirigente Giscad Salton (na foto abraçando Agenor) não desse um novo e fundamental fôlego ao clube. Giscard trouxe o super e conceituado treinador Agenor Piccinin, para salvar o tricolor de FW. Com a árdua missão que o foi dado, o treinador chegou a ser chamado por alguns dirigentes de grandes e tradicionais clubes do Estado, de “louco”. Ele riu quando foi chamado assim, e respondeu em campo aos que não acreditavam.

Dotado de uma grande e impressionante fé, Piccinin fez valer de toda sua ousadia, experiência e artimanhas no meio, para fazer um feito inesquecível. Pelos torcedores frederiquenses, para sempre será lembrado por tudo que fez, por ter transformado uma história quase trágica, em apenas 12 dias.

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Em dois jogos, conseguiu tirar a equipe após mais de NOVE rodadas da zona da “degola”, e de quebra, chegar ao último jogo em Santa Maria com chances de se classificar para o quadrangular final. A primeira missão quase impossível, que era livrar o time do rebaixamento, Agenor já havia conseguido. Seguir na competição era algo possível, mas Hyantony (o mesmo que já havia protagonizado neste ano as cenas do filme que perdurou por 132 dias, “Vir ou não vir para o União, eis a questão”), errou um pênalti no final do segundo tempo contra o Inter-SM, que poderia ter sido o gol do ápice e da classificaçãodo União. O fato decretou o encerramento da participação do tricolor na competição.

Feliz pela permanência na Série A/2, a delegação retornou a FW com o gostinho que poderia ter tido dias a mais de conforto em terras frederiquenses.

E a pergunta continua…

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“Aonde foi que erramos?”, é uma pergunta que ainda paira no ar. Os números da avaliação final impressionam, mas são o reflexo de algumas das coisas que definitivamente, são saíram conforme o planejado.

Passaram pelo União durante a Divisão de Acesso 2013, ao total, 53 profissionais (somente entre jogadores e comissão técnica). Sendo que 18 foram dispensados, e dentre estes, 11 eram jogadores. Foi o clube que mais empregou e demitiu na temporada.

Um dos tantos profissionais que passou pelo clube, chegou a comentar que “o elenco era encharcado demais em quantidade, mas pecava no quesito qualidade técnica”. Pontos estes, que fizeram de um contexto geral, quase uma tragédia.

Os resultados da equipe em todo o campeonato também assustam: duas vitórias, nove empates e quatro derrotas. O artilheiro da temporada do União acabou sendo Paulinho Macaíba, que foi um dos últimos a chegar em FW, e marcou cinco gols.

No 1º turno, foram cinco pontos em oito jogos, com aproveitamento de 20,8%. Já no 2º turno, a equipe conquistou 10 pontos em sete jogos, e teve aproveitamento de 47,1%.

Por essas e outras, que após encerrar sua participação na Série A/2, a direção e torcedores respiraram aliviados e comemoraram. Afinal, o que poderia ter sido o ano trágico, no final, acabou sendo o ano das lições.

Continuidade de um ano que (ainda) não acabou

Sem muito tempo para lamentações, os trabalhos prosseguem neste segundo semestre. Dedicação total fora de campo para a construção do novo estádio, já que o clube optou mais uma vez em não formar equipe para disputar a Copinha.

Dentro de campo, o União se dedicará as categorias de base (Sub-15 e Sub-17), que continuam suas atividades.

Levando em conta uma das várias lições deste ano, os contatos visando a formação do elenco para a temporada de 2014, devem iniciar mais tarde. Somente mais para o final do ano.

No final, o que restaram foram as lembranças e os ensinamentos de um semestre que demorou para terminar, mas que tão cedo, não será esquecido.

Desejando boa sorte para o novo cancheiro do União que está chegando na próxima semana, finalizo meu último texto do ano no Toda Cancha agradecendo pela grata oportunidade e pelas inesquecíveis histórias que compartilhamos.

Apesar dos mais de 7.000km, continuarei na torcida por todos que fizeram parte dos últimos 3 anos de história pelos bastidores do lendário Vermelhão da Colina, e por um excelente recomeço do União Frederiquense.

 Hasta luego!

Caroline de Oliveira

(As duas últimas fotos são, respectivamente, de Fábio Pelinson e Daiane Binello).

Publicado em Divisão de Acesso 2013, Série A2, Série A2 2013, União Frederiquense. ligação permanente.

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