Sobre os brios, tão ausentes outrora

15

A volta das competições oficiais ao estádio Sady Schmidt, em Campo Bom, reservou aos campo-bonenses duas excelentes partidas no último final de semana. Na sexta-feira à noite, a estreia na TERCEIRONA, contra o tradicional GUARANY-BG. No anoitecer de domingo, a estreia no CAMPEONATO METROPOLITANO, contra a jovem equipe do GRÊMIO B.

Compareci à cancha na sexta-feira à noite, abaixo de chuva, para conferir in loco o recomeço oficial do meu estimado 15 de Novembro no futebol profissional – dando sequência aquilo que já fizera entre 1994 e 2008, quando acompanhei o tricolor por todos os cantos desse maravilhoso Rio Grande do Sul. Contra o Grêmio B não pude me fazer presente, mas acompanhei de forma atenta pelo rádio. E, embora a derrota por 1×0 na sexta-feira, o SENTIMENTO FOI POSITIVO E ALENTADOR – explicá-lo, todavia, não prescinde da devida contextualização.

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Desde que o 15 de Novembro ascendeu pela segunda vez à divisão máxima do futebol gaudério (foi vice-campeonato da Divisão de Acesso de 1999, mas já havia sido rebaixado da Série A no mesmo ano de 1999, em um desses devaneios organizacionais que só a FGF é capaz de proporcionar a nós, gaúchos), os torcedores campo-bonenses acostumaram-se com altos investimentos na formação das esquadras que o representou entre 2000 e 2008.

Com efeito, personifico minha afirmação do parágrafo anterior nos seguintes nomes: NESTOR SIMIONATTO na casamata entre 2000 e 2001 – bam bam bam dos treinadores do interior, à época; SANDRO SOTILLI entre 2002 e 2003 – que dispensa comentários e segue desfilando sua classe pelos gramados do interior; e DAURI entre 2004 e 2005 – um dos maiores que já vestiu o manto amarelo, verde e vermelho. Ousou-se ainda, bancar treinadores emergentes, como MANO MENEZES em 2004 – à época marcado pela estupenda reação com o Guarani-VA em 2002, e hoje com a carreira hoje solidificada – e expandir a colheita e a análise de atletas ao território estrangeiro, com a vinda do uruguaio JÚLIO RODRÍGUEZ em 2005 – extremamente importante naquela campanha que culminou com o vice-campeonato Gaúcho de 2005. Entre 2006 e 2008 o investimento não foi assim tão alto, como bem atestam as campanhas do período no CAMPEONATO GAÚCHO – embora em 2006 isso não tenha sido empecilho para o 15 mostrar sua faceta copeira ao eliminar o Grêmio da Copa do Brasil, nos pênaltis, em pleno Estádio Olímpico.

Por outro lado, esse interregno foi marcado, também, por uma recorrente frustração da torcida campo-bonense. No final dos anos 90, o 15 não se furtava de disputar todas as competições possíveis: foi vice-campeão da COPA JOÃO GIUGLIANI FILHO em 1995 e da COPA ABÍLIO DOS REIS em 1998, além de ter feito belíssima campanha na COPA GALEGO de 1997, sem mencionar os dois CAMPEONATOS BRASILEIROS DA SÉRIE C, em 1997 e 1998, neste último avançando até as oitavas-de-final e parando apenas nos pênaltis, para o Rio Branco (SP), que então militava na “luxuosa” primeira divisão paulista. Todavia, a partir de 2000 ALTEROU-SE A POLÍTICA DE FUTEBOL, com suas devidas justificativas financeiras, e o tricolor passou a ativar-se APENAS NOS CAMPEONATOS GAÚCHOS e nas eventuais COPAS DO BRASIL do período – o 15 conquistou a vaga e abriu mão de disputar as divisões inferiores do Campeonato Brasileiro em 2000, 2002, 2003, 2004, 2005 e 2006. Fruto disso é o pejorativo rótulo de “time safrista” que adquirimos – justo sob a perspectiva que explanei acima, mas injusto se considerarmos que essa política também é adotada por outros times do interior do RS, como Veranópolis e Santa Cruz, por exemplo, que não sofrem essa rotulação em tamanha intensidade.

Decorrência lógica do que ficou assentado nos dois parágrafos anteriores, CRIOU-SE UM SENTIMENTO, ao menos para mim – e acredito que para a maioria dos que acompanharam a evolução do 15 no futebol profissional – e sobretudo a partir de 2006, de que os jogadores contratados vinham “PASSAR FÉRIAS” em Campo Bom. Isso porque sabiam eles que o término do Campeonato Gaúcho implicaria, também, o término de seus breves contratos – por que, então, dedicar-se, se nada era necessário mostrar para renovar o vínculo?

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Nesse contexto que expus em breves linhas, acima, é que se insere o SENTIMENTO POSITIVO e ALENTADOR que mencionei no início do texto. QUEBROU-SE O PARADIGMA NEGATIVO HAVIDO A PARTIR DE 2000, com a disputa exclusiva de Campeonatos Gaúchos, E DE 2006, com aquele sentimento de que os jogadores vinham passar férias em Campo Bom.

Realmente, em um final de semana o 15 de Novembro disputou partidas por DUAS DISTINTAS COMPETIÇÕES – a TERCEIRONA, caminho obrigatório para o retorno à elite, e o CAMPEONATO METROPOLITANO, esse de disputa facultativa e encarado com muito brio, já que imporá ao 15 disputar aproximadamente 2,9 partidas a cada dia, até meados de setembro.

Por outro lado, foi-se à cancha e viu-se um time que se não tinha aquela qualidade técnica de outrora – hoje resumida ao treinador PATRÍCIO e ao eternizado CHAPOLIN que foi justamente homenageado antes da partida, bem como ao DR. MANOEL, médico daqueles tempos –, ao menos se dedicou ao extremo na busca do melhor resultado possível. Foi dado ao torcedor apreciar um time com média de 19 anos de idade e boas promessas como o zagueiro MATEUS GAMARRA, o volante LUÍS BRITO, e o reserva que ingressou bem nas duas partidas, além de ser prata da casa, CACIQUE.

Aqueles que foram ao campo na sexta-feira à noite, viram um 15 combativo e que sucumbiu frente à experiente e bem treinada equipe de Bagé. Aqueles que foram ao campo no domingo, assustaram-se com o 4×0 construído pelo Grêmio B em pouco mais de 30 minutos de partida, mas foram presenteados pela tardia – e quem se importa? – reação do 15, que conseguiu marcar 3 gols e diminuir a contagem para 4×3.

HOUVE BRIOS, em ambas as PELEJAS, algo tão raro de 2006 em diante e, por isso, tão positivo e alentador.

E a qualidade técnica dos jogadores? Evidente que um time com média de idade de 19 anos carece de experiência e de jogadores mais rodados. Todavia, penso que diante da ENTREGA DOS JOGADORES nos dois encontros aos quais aludi acima, seria DESRESPEITOSO DA MINHA PARTE, como torcedor, individualizar certas deficiências.

Prefiro ficar com a MENSAGEM POSITIVA que as partidas me passaram. Há potencial SIM, para a criação de uma identidade. Há potencial SIM, para pelear quem sabe até mesmo pelo acesso. Há potencial SIM, para o crescimento, porque acredito que mesmo que os resultados de campo sejam ruins, a torcida continuará comparecendo diante da entrega de nossos representantes.

Fernando Blos Sunara

Publicado em 15 de Novembro, Segunda Divisão 2013, Sem categoria, Terceirona 2013 com as tags , , . ligação permanente.

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