Meu retorno

evertoncuryAntes de iniciar mais uma prosa sem sentido, um aparte: os textos acerca do Novo Hamburgo pararam nos últimos três meses em razão de um mal maior – a faculdade. Estou no último ano, e se minha vida social fosse uma função matemática, seu limite tenderia a zero. Passei esse período matando e morrendo no Vale do Ribeira e várias noites em claro. Como o pior já passou, retorno a esse espaço, coincidentemente depois do meu próprio clube despertar de breve hibernação.

Assim que o Noia se segurou na 1º Divisão do TARSÃO deixando os pelos na cerca, a diretoria resolveu que, após um expurgar as últimas ÍNGUAS, montaria um time cumpridor para buscar a vaga na Série D pelas competições do segundo semestre. Contudo, o amado presidente da FGF disse que tais torneios não dariam vaga à competição nacional em virtude de que a CBF diminuiria o número de clubes da 4ª divisão de 40 para 32; logo, apenas o melhor do interior no Gauchão representaria a província.

Ao tomar conhecimento, a diretoria anilada optou por fechar o departamento profissional e guardar os mirrados CARAMINGUÁS para 2014. Decisão essa que compreendi, mas discordei. Embora entenda que, do ponto de vista financeiro, seja mais jogo hibernar por ora e montar um time decente pro Gauchão, acho que o Noia deve disputar competições sempre.

Esse clube foi fundado por funcionários da Fábrica Adams. É um clube notoriamente da classe trabalhadora, surgido no amadorismo e que sempre teve que fazer CERÃO para pagar as contas no final do mês. Não importa que o time seja ruim, barato, que se jogue com os juniores, que os TORCEDORES vão a campo com a camisa anilada – jogo nas duas laterais e na volância, professor -: o Noia tem que entrar em campo sempre porque sua razão de viver não é o lucro, mas o torcedor.

Nesse ínterim um fato chamou a atenção: mesmo com o futebol profissional “fechado”, vários jogadores sob contrato permaneceram treinando no Estádio do Vale, não foram liberados ou emprestados para outros clubes. Se fechar o futebol era economizar, por que continuar pagando tais atletas? Pois bem, no começo de Julho, após um ENTREVERO com a FGF, o Noia resolveu disputar a Copa Metropolitana e a Copa Willy Sanvito, conforme promessa de Noveletto que a SUPERCOPA GAÚCHA (pior nome) dará vaga à Série D.

Depois de tanto TENTEAR O BICO DA GANSA, o Anilado resolveu levar as chinocas pros pelegos e foi às compras. Mesclando remanescentes do Gauchão, guris da base e bugres recrutados Brasil afora, o clube buscará o título do TRENSURBÃO e a maldita vaga no Nacional, há tantos anos nos prometida.

A preparação

Inicialmente, Itamar Schulle teve o contrato renovado para 2014 e teria como trabalho GARIMPAR jogadores para montagem do elenco do ano que vem. Como o clube resolveu jogar, o CRISTO CARECA tentará realizar novos milagres nos pagos metropolitanos.

Entre os remanescentes do Gauchão destaque para o bom goleiro Max, o zagueiro e capitão Juan Sosa e o jovem atacante Lucas Santos. Os reforços, por sua vez, vieram em ritmo de BACIADA, embora poucos deles sejam conhecidos. Desse escriba aqui apenas o lateral-direito cumprido Rafael Mineiro (ex-Juventude) e o volante João Neto (ex-Santa Cruz); além deles, Alex, ala-esquerda do time anilado campeão de 2005, e que estava no futebol português, deve assinar contrato logo mais.

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O Anilado realizou cinco jogos-treinos, empatando QUATRO e perdendo um. Coincidentemente o mesmo retrospecto da pré-temporada do início do ano e que culminou com a pavorosa campanha do Gauchão. No entanto, graças ao esdrúxulo regulamento da Copa Metropolitana, que permite seis jogos na 1ª fase e seis jogos no mata-mata para cada turno – HAJA TETA PRA MAMAR, pelamor -, o Noia, com um treinador em mãos e um grupo mais ROBUSTO em opções pode fazer um salseiro.

O estádio colorado

Há algumas semanas muita gente se espantou ao ver os postes que sustentam a tela do Estádio do Vale pintados de vermelho, visto o aluguel da cancha anilada ao Internacional. O que suscitou muito espanto, mas também muito aproveitamento porque há pessoas que só lembram do Noia na hora de meter o pau, com um prazer sádico em só falar mal do clube ao invés de resumir sua vida a sua própria ignorância e insignificância.

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Particularmente, discordo de quem diz que o clube ‘vendeu’ sua alma. Foi um erro banal. Tosco. E que aconteceu porque quem toma tais decisões no clube está isolado ou porque no grupo que toma tais decisões está vivendo loucamente no ÁCIDO e pensando somente na grana. Fosse eu o responsável, diria apenas ‘não’. O Inter não ficaria emputecido porque os postes não estariam vermelhos.

Outra coisa, aí sim, me deixa ressabiado. Por que o Novo Hamburgo não jogará TODAS as partidas no Estádio do Vale? Quando o Inter fez parceria com o Caxias, o time grená jogava normalmente suas partidas no Centenário. Por que, CAZZO, o Anilado tem que ir até ALVORADA pra jogar partidas com seu mando de campo? Eu pago 35 dilmas por mês ao Noia, mesmo morando a 700 km de distância, pra ajudar o clube e poder vê-lo jogar em casa nas minhas curtas férias.

Fica difícil, assim, querer público no estádio, venda de camisas aniladas, aumento do quadro social. O Novo Hamburgo precisa abraçar sua cidade e seu povo. Sair da internet e do Estádio do Vale e ir pra Canudos, Santo Afonso, Kephas, Vila Diehl, Sanga Funda, Vila Rosa, Operário, Rincão, Primavera, Boa Saúde, Rondônia, dar um beijo nas crianças, apertar a mão dos trabalhadores que fazem essa cidade. Clube popular tem que gosta de gente e jogar na sua cidade.

Jogar o clássico contra o 15 de Novembro, em Alvorada, é um acinte com a história desses clubes centenários. O gramado do Estádio do Vale, preservado pra receber o Inter ao invés de servir ao Noia, parece atriz da Malhação: ESCOLHI ESPERAR.

Apesar disso tudo, estaremos nas bancadas, torcendo e corneteando. De volta e pra ficar.

O elenco

Goleiros
Max
Gott
Simão

Laterais
Rafael Mineiro (Itumbiara/GO)
Douglas Fortes (União Frederiquense)
Alan
Marquinhos (Figueirense)

Zagueiros
Juan Sosa
Sousa
Lucas Daubermann
Puyol (porém hétero)
Thiago Steffen

Volantes
Márcio
Thiago Carpini (Monte Azul/SP)
Rafael Ceará
Albano (Tiradentes/CE)
João Neto (Santa Cruz)
Diego Marangon (Paulista)
Roberto Lopes

Meias
Maicon Talhetti (Brusque)
Bruno (Atlético de Ibirama)
Mazinho (América/MG)
Eliomar (Figueirense)
Michel (Macaé)

Atacantes
Lucas Santos
Diogo (Marília)
Washington (Borac Cacak/Sérvia)
Chico

De volta às lides,
Zezinho

Publicado em 15 de Novembro, Copa Metropolitana, Novo Hamburgo com as tags , , , . ligação permanente.

6 Respostas a Meu retorno

  1. Ivan diz:

    NH clube popular? Nem nos melhores sonhos.

    Alugando a sua cama para o vizinho trepar, e tendo que ir se masturbar com as galinhas no taquaral, o NH mostrou o que sempre foi, um nanico onanista admirador do Saci e do Mosqueteiro.

    Foi pra banha cumpadi. Vai ser difícil recuperar a moral depois desta.

    Se já deve ser difícil fazer futebol com a proximidade de Porto Alegre, imagina agora com jogos na esquina de casa? Estratégia suicida. Coisa de clube que não pensa em crescer como instituição, mas auferir alguns trocados aqui e ali.

    Abs.

  2. Emanuel Mattos diz:

    Como sempre, uma delícia ler as crônicas VARZEANAS – e por isso mesmo as melhores da imprensa esportiva gaúcha – do site TODA CANCHA. Só uma pequena correção (se o erro não foi escrito de propósito): a palavra SERÃO – a popular hora extra – se escreve com S e não com C, como está no texto. No mais, sigam em frente que não faltarão leitores para prestigiar esse BALUARTE da imprensa esportiva SUL RIOGRANDENSE. Abração!

  3. Marcelo diz:

    Torci, como nunca para este time cair no tarção, mas 2014 está ai, time sem torcida, sem nada agora até sem cancha para jogar, pobre piada da RM, um dia verei este clube cair de 4………,

  4. Jabba diz:

    Em primeiro lugar muito bom o texto.
    Sempre tive simpatia pelo NH (e pelo Aimoré), por manterem o futebol da RM vivo mesmo tão perto da capital e por sempre querer disputar as competições nacionais, sem se acadelar para os custos como outros times sazonais.
    Mas esse negócio com o Inter foi para matar (e diria o mesmo se fosse com o Grêmio). Alugar o estádio para ganhar uns trocos para investir (como fez o Caxias) acho tranquilo, vender a alma é bem mais complicado.

  5. Marcelo Alves diz:

    Apenas acho valido esta historia de locar o estadio para um clube da capital caso todas as reformas fiquem para o Noia…senao…tera sido um contrato suicida !

    Triste e o cara tentar secar o MAIOR CLUBE DE FUTEBOL DO VALE DOS SINOS, imagino esta figura querer levantar que Aimore, 15 ou qualquer outro clube da regiao fora a dupla GRENAL seja MAIOR do que o velho Noia…me poupem ne….

    Abracos aos amigos do TODA CANCHA…belo site

  6. Denis diz:

    Grande retorno, Zezinho!
    Só gostaria de reforçar a ordem cronológica das coisas: ao término do Gauchão o Nóia estava focado em fazer um time competitivo, a fim de buscar a tão sonhada vaga à série D do brasileiro. Mas eis que nosso digníssimo Noveletto anuncia que a competição do segundo semestre não daria a fatídica vaga… Decisão do clube: se é pra colocar dinheiro fora sem dar retorno algum, melhor focar para o Gauchão. E foi nesse contexto que surgiu a negociação com os vermelhos da capital. Minha opinião? Jogada de mestre! São melhorias que vieram pra ficar, que totalizam cifras próximas a um milhão de reais em investimentos.
    Lamentável foi o fato do deslize / descuido / amadorismo (?) ao permitir a pintura dos mourões atrás das goleiras na cor vermelha, frente à argumentação de que a cor branca dos mesmos confundiria com as traves das goleiras. Poxa, que pintassem de cinza, preto, bege! Mas de mourões vermelhos na linha de fundo para alma vendida e estádio completamente nas cores coloradas há uma grande diferença, porém já tinha virado capa de NH…
    Depois de acordo firmado, Noveletto volta atrás, o Nóia corre atrás do tempo para montar um time, e fica sem estádio para disputar as partidas iniciais…

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