Invencíveis Sob o Sol

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06/01/2001 – São Paulo 2×2 Novo Hamburgo. O confronto, no já longínquo ano de 2001, havia sido o último embate entre as agremiações rubro verde e anilada. Entre as excentricidades do confronto: Carlos Simon foi o árbitro – ainda não sabemos se o jogo acabou no tempo regulamentar ou se Simon o encerrou antes, como faria anos depois -, Rudi Machado era o zagueiro do Leão, a partida abriu o campeonato daquele ano e os gols do Sampa foram marcados por ninguém mais, ninguém menos, que MARCOS MILHÃO. 

De lá pra cá, muita coisa mudou. Em Rio Grande, para pior. Mas isso é papo para outra roda de mate. Fato é que São Paulo e Novo Hamburgo voltaram a se enfrentar como clubes de primeira divisão.

Jogar a tarde tem uma infinidade de razões para ser um tiro no pé, porém encontramos uma premissa que procede. Somos INVENCÍVEIS sob o sol. Depois de vencer o Bagé por 2×1, a vítima da vez foi o NÓIA do careca Itamar. Com desfalques nas laterais, Rudi teve que improvisar Emerson Dantas na direita e Rodrigo Ramos na esquerda. Os dois acabaram sendo destaques, Dantas o positivo, Ramos o negativo.

Logo no início da bagaça, o Leão do Parque partiu pra cima e pressionou o anilado. Depois de um PINBALL na entrada da área, Carlos Alberto deu um passe açucarado para Emerson Dantas, o leklek do SP lembrou do passinho do volante, girou pro lado, bateu cruzado e correu pro abraço.

Empolgados, os rubro verdes não diminuíram o ímpeto e buscaram o segundo tento. Após escanteio cobrado pela direita, o zagueiro alemão do Nóia colocou a mão na pelota. Penalidade marcada. Fabiano Diniz + pênalti = gol. Bateu com categoria e foi para frente das lentes comemorar com os colegas de ~resenha~.

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E a resenha rola solta em frente as câmeras. (Foto: João Pedro)

Quinze minutos, dois churrasquinhos, um copo de refri, dois gols e classificação encaminhada. O cenário era tão bom que algo estava errado.

Depois do segundo gol sofrido, os anilados acordaram para o jogo e passaram a assustar a meta de São Luciano. Mas quem se borrou mesmo foi Rodrigo Ramos. O zagueiro, que estava atuando na lateral e, até por isso, tem seu erro amenizado, entregou a rapadura para Eliomar. O avante do vale não desperdiçou e descontou. Era aquele maldito gol sofrido dentro de casa. O olho da gateada preteou e o jogo ficou tenso.

Até o final do primeiro tempo, o time do Vale dos Sinos perdeu duas boas oportunidades, ambas para fora. Do lado rubro-verde, Robert tabelou bonito com Alê Menezes, ficou cara a cara com Simão, mas a bola relembrou Biafra e “voou voou, subiu subiu”.

No intervalo, Piccinini voltou no lugar de Fabiano Diniz. E o GUASCA é bom de bola. Desde a sua primeira passagem no Dapuzzo, Piccinini agrada a torcida rubro-verde e a titularidade parece ser questão de tempo. Porém, Diniz vem muito bem e vai trazer dor de cabeça para Rudi resolver. ‘Problema dos bons’, chavão dos mais verdadeiros.

No início do segundo tempo, o Nóia ameaçou uma artilharia aérea, mas Vagner e Carlão rebatiam até os pensamentos anilados. Foi no rebote de uma dessas bolas alçadas na área que o Leão do Parque sacramentou o triunfo e a invencibilidade solar. Piccinini puxou contra-ataque e lançou Anderson Oliveira – que acabara de entrar no lugar de Robert – o recém contratado do futebol alagoano foi na linha de fundo e colocou no cocuruto de Piccinini. O meia só teve o trabalho de escolher o canto e fechar o caixão.

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Piccinini e Anderson Oliveira comemoram o terceiro gol do Leão. (Foto: Fabio Dutra)

Depois do terceiro tento do SP, o destaque da tarde foi a entrada do Lebron James do Vale. O centro avante anilado com 83 metros de altura parecia Golias perto de São Luciano. Ainda teve tempo para dois gols anulados por forças ocultas na peleia. Dois ENROSCOS na área que resultaram na abolição dos tentos marcados, um para cada lado.

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Alê Menezes cabeceia para as redes, mas Maicon Zuge anula o gol. (Foto: João Pedro)

O juizão Smigol, ou melhor, Maicon Zuge – de boa atuação – decretou o fim do quebra canela. São Paulo larga com grande vantagem e pode perder por até um gol na “casa” do adversário. Não bastasse ter seus muros tingidos de vermelho, o anilado ainda foi expulso da sua humilde residência e receberá o Leão na Morada dos Quero-queros, em Alvorada, dia 05 de setembro. Antes disso, o São Paulo recebe o Farroupilha, domingo. Já o Nóia, enfrenta o Zéquinha, no Passo D’areia, no sábado. Ambas partidas pelas competições regionais.

FICHA TÉCNICA

SÃO PAULO (3) – Luciano; Emerson Dantas, Vagner, Carlão Farias, Rodrigo Ramos; Carlos Alberto, Manivela (Guilherme), Fabiano Diniz (Piccinini), Saraiva (Diego Borges); Robert (Anderson Oliveira), Alê Menezes. Téc.: Rudi Machado.

NOVO HAMBURGO (1) – Simão; Sosa, Lucas, Puyol, Marquinhos (Diego); Rafael Ceará, Magno (Carpini), Bruno; Diogo (Michel), Eliomar. Téc.: Itamar Schulle.

Arbitragem – Maicon Zuge, Claudio Gonçalves e André Guimarães

Gols – Emerson Dantas e Fabiano Diniz (SP); Eliomar (NH)

Invencível sob o sol,

Matheus Almeida

(A primeira foto é de Fabio Dutra)

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6 Respostas a Invencíveis Sob o Sol

  1. Zezinho diz:

    Bah, eu lembro desse 2×2 em 2001. Ambos haviam subido da Divisão de Acesso e fizeram suas reestreias se enfrentando na primeira rodada do Gauchão daquele ano. Jogo num sábado à noite, transmitido pela TV Com. Pena que aquele time anilado era tão zuado que logo foi rebaixado – com a pior defesa e um dos melhores ataques.

    O brabo é que a zaga do Noia é muito inexperiente. Estamos jogando com dois guris 95 no miolo: Lucas e Puyol. E ainda o Juan Sosa foi improvisado na lateral. Pelo que tenho ouvido, o time é encaixado do meio pra frente, mas é a JOVIALIDADE da zaga que está pegando. Verei contra o Zequinha, sábado

  2. Joao diz:

    Na ultima foto, ao fundo, é a torcida adversária ?

  3. #2 Acho que não, só parte da turma do Sampa LAGARTEANDO mesmo.

  4. Matheus Almeida diz:

    #1 Lembro vagamente deste duelo de 2001, mas o time do SP também não era dos melhores. Resistiu bravamente, mas acabou caindo no ano seguinte.

    O time anilado é bem organizado sim. Tem chances de reverter o resultado na volta, principalmente pelo gol marcado fora.

    #2 é a torcida rubro verde buscando o pouco de sol que ainda incidia no Dapuzzo.

  5. Castellano diz:

    “O olho da gateada preteou”

    “mas a bola relembrou Biafra e “voou voou, subiu subiu””

    Orgulho desse meu pupilo (Risos).

    Só faltou menção à mística do Joel no PENAL (ns)

  6. Matheus Almeida diz:

    #5 A convivência gera a demência e vice-versa. hahahahahaha

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