A camisa 10 resolveu mais uma vez

Wiliam Kozlowski. Foto: Ítalo Santos

O manto vermelho que combate o adversário dentro de campo carrega nas costas números diferentes, correspondentes a todos da equipe. Juntos formam O TIME do Brasil. Fora das quatro linhas outro elemento joga junto e este veste a camisa 12.

É a terceira vez em três anos que a camisa 10 resolve. Em 2011, no Bra-Pel do Centenário, Athos vestia a camisa de numeração quase mística quando marcou o gol da vitória, ao final da partida, no estádio Bento Freitas. Um ano depois outro camisa 10 deixou a sua marca ao enviar um TORPEDO à meta amarela, este foi Marcos Paraná. Neste ano o autor do gol de mais uma vitória em clássicos saiu dos pés de Wiliam Kozlowski, após brilhante contra-ataque.

Camisas 10. Fotos: Carlos Insaurriaga e Diário Popular

A partida era especial, afinal era um clássico Bra-Pel. Tradicionalíssimo e com 100 anos na bagagem. Aliás, foi o primeiro após a marca histórica de um século de duelos, rivalidade intensa e muita DEMÊNCIA. Ontem, 18 de agosto, foram completados 352 embates e o Brasil chegou à vitória de número 126 contra 107 do Pelotas – há ainda outra contagem, que contabiliza 412 clássicos, com 142 vitórias Xavantes, 123 do Lobo e 147 empates.

A peleia

A equipe áureo-cerúlea deu o pontapé inicial, mas com menos de trinta segundos viu a bola mudar de lado. Gadelha tentou sair jogando e Leandro Leite, capitão da equipe rubro-negra, o desarmou e partiu ao ataque. O lance era o indício do tipo de partida que a equipe comandada pelo CACIQUE Rogério Zimmermann faria. Apesar da partida ter tido pouca qualidade técnica, os ÍNDIOS desarmavam sem PUDOR. Em alguns lances, dois ou três jogadores vermelhos cercavam o adversário que era obrigado a fazer passe rápido, errando mais do que o normal. O Brasil avançava no terreno adversário lateral a lateral, falta a falta, na imposição e na vontade.

Torcida do Lobo. Foto: Diário Popular.

O Pelotas tinha dificuldades de ultrapassar o círculo central, apesar de sua galera estar AGITANDO OS MOCOTÓS na arquibancada, buscando dar apoio aos lobos em campo. Quando finalmente a equipe amarela conseguiu boa falta no ataque, os índios revidaram. Após cruzamento, a zaga afasta a pelota. O baixinho Alex Amado faz belo domínio, passa para Cleiton que, em velocidade, dá LINDO passe a Wiliam Kozlowski que corre em direção ao gol, disputa a bola com o último homem do lobo e chuta no canto esquerdo do guarda-meta da avenida. Não deu para o lobo. 1 a 0, Xavante.

O estádio construído pela torcida explodiu. Desde 1943 o Bento Freitas está acostumado a receber clássicos Bra-Pel, ora perdendo, ora vencendo. Os índios Xavantes vibraram, os tambores vermelhos foram levantados aos céus e a tribo INCENDIAVA de paixão. Os lobos não deram o braço torcer e continuavam a cantar, apesar do tento adverso. Fim do primeiro tempo.

Na saída das duas equipes, empurra-empurra e dedos em riste, mas não enxerguei agressão. Se houve, minhas VISTA me enganaram. Entretanto, a quase GUERRA FRIA do intervalo resultou em duas expulsões: Ricardo Bierhals, do Brasil, e Bruno Salvador, do Pelotas. Ambos estavam no banco de reservas.

Foto: Diário Popular.

Na segunda etapa o técnico Paulo Porto voltou ao gramado com a expectativa de mudar o placar. Zimmermann manteve a mesma equipe. O Pelotas começou a se impor um pouco mais, enquanto a equipe rubro-negra se postava com cautela, sempre procurando o contra-ataque que derrubaria de vez o bichano invasor. Bra-Pel nunca é fácil e aos 25 minutos da segunda etapa Edson Borges, do lobo, obrigou Luiz Muller a fazer FULCRAL defesa. A torcida Xavante comemorou como se fosse gol.

Gustavo Papa, então, dá lugar a EL LOCO Éder Machado. O grandalhão matava a bola BICUDEADA pela defesa Xavante e armava o ataque junto com Alex Amado. No entanto, nenhuma jogada levou grandes sustos à equipe amarela. O Pelotas seguia tentando, mas o tempo se esvaía. O torcedor áureo-cerúleo fitava o ponteiro do relógio. O rubro-negro também. Poucos minutos separavam a alegria e a tristeza no mesmo estádio.

A certeza da derrota ou da vitória veio após o apito final do árbitro da partida, Érico de Andrade. Festa da Xavantada que se vê prestes a completar UMA DÉCADA sem perder para o maior rival em território rubro-negro. No estádio da Boca do Lobo, os indígenas saem com vitórias – ou empates – há quase 15 anos, aniversário que pode se completar ainda neste ano.

Foto: Diário Popular.

É a hegemonia de uma tribo efervescente e a consolidação da camisa 10 como responsável pelas quatro vitórias e um empate nos últimos três anos.

O maior camisa 10

Quem talvez mais contribuiu para a MÍSTICA da camisa 10 do Xavante foi Luizinho Vieira, um dos maiores batedores de falta – senão o maior – que o Bento Freitas já viu. E ele estava na arquibancada. AAAH! É LUIZINHO!

Luizinho. Foto: Facebook pessoal.

Fotos de Carlos Insaurriaga, Ítalos Santos (ambos assessoria GEB) e Diário Popular.

Direto da Baixada e ainda em chamas,
Pedro Henrique Costa Krüger | @pedrohckruger

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4 Respostas a A camisa 10 resolveu mais uma vez

  1. lucas diz:

    Os expulsos foram o Ricardo pelo lado do Brasil e o Bruno Salvador pelo lado do pelotas, e não Ricardo e Fernando Cardozo, como está no texto.
    Abraço!

  2. pedrohckruger diz:

    #1

    Bah, Lucas, valeu! Estava tão em CHAMAS que expulsei dois do Brasil.

    Obrigado. Abraço!

  3. Marlene diz:

    BRA-PEL é um jogo muito especial, voltamos à Porto Alegre com a sensação de ter ganhado um campeonato. Dá-le Rogerio Zimmermann.

  4. Ivan diz:

    Provavelmente, mais de 75% dos que estavam na torcida das sombrinhas nunca presenciaram uma vitória do Pelotas sobre o Brasil. É triste, muito triste. Ou não … kkk

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