Chocomel

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Domingo de clássico em Bagé, mais precisamente nas bandas do meu eterno rival Guarany. Um dia lindo, que começou ensolarado e terminou pintado de amarelo e preto. Eram 14 horas quando pisei na terra do “inimigo”. Do lado de lá daquele gramado – que mesmo não estando um tapete está, infelizmente, em muito melhores condições que o nosso – já havia uma tribo em peso. Um vermelho e branco intenso já incomodava minha visão. Do lado de cá, um sempre bonito amarelo-e-preto também já tomava conta das arquibancadas.

O clássico começou sem graça. As muitas faltas que ocorriam não deixavam o jogo correr, nem a bola. Quando resolveram parar com a brincadeira, o aguerrido abelhão foi pro combate. Dominou o setor de ataque, e se minha paixão doentia não me engana, quase não saímos de lá o primeiro tempo todo. Quem, por pena de tê-lo deixado esquecido, resolvia olhar pro lado do gol do Fernando, o via eternamente se aquecendo. O homem quase não trabalhou. Quando a bola chegava até ele, era nada muito perigoso. E, por mais que dominando o ataque, as conclusões pelos jalde-negros não eram tantas e também não de roubar um “UFA” dos alvirrubros que assistiam.

Bueno, o gol, filho único de mãe solteira, saiu no segundo tempo. No inicio dele. Melhor, com alguns poucos segundos. Não posso nem dizer se foi bonito, feio, fácil ou difícil. Acredito que poucos possam dizer. Conversei com algumas pessoas e nenhuma viu. Quase recorri ao árbitro, tenho esperança que ele possa dizer algo sobre. O fato é que eu estava sentando (sim, estava no meio do caminho entre de pé e com a bunda escorada naquela arquibancada fria), agarrada num pancho que com muita paciência consegui comprar depois de enfrentar uma fila kilométrica, quando ouvi gritos: “GOL!” “Já?” “De quem?”

É, pessoal, tinha nascido a criança. O responsável por ele só fiquei sabendo ao fim do jogo. Matão é o nome dele. E desculpem o trocadilho, mas não podia perder, Matão matou o jogo. E o índio. A comemoração foi linda. Parecia fim de jogo, apesar de ainda faltar pouquíssimo menos de 45 ETERNOS minutos dele. Que na real, tornaram-se 52. Alguns muito sofridos. Mas deixamos pra quando chegar a hora deles. Seguindo a alegria, o alambrado veio abaixo. Literalmente. Caiu. Despencou. Tamanha foi nossa loucura.

E o jogo seguiu assim, dominado pelo enxame. Pedro Jr ainda teve uma baita chance de ampliar o placar, mas o lateral falhou na finalização. Por volta dos 30 minutos do segundo tempo, Leco, treinador alvirrubro, espertamente – mas acredito que, na visão da indiarada, tardiamente – fez sua equipe avançar. E não sei por que cargas d’agua, o “profe” Badico resolveu ajudá-lo. O enxame, após também algumas alterações, foi se mixando, retrancando, e, olha, quase não mais saiu de dentro de sua área. O que o Fernando tinha descansado no primeiro, teve que recompensar. A zaga também. Foi bola e bola chegando pr’aquelas bandas. E uma defesaça que me tirou um “UFA” do fundo do peito.

Pra piorar, ou melhorar, porque clássico sem frio na barriga, unhas roídas, e teste de condição cardíaca, não é clássico, o árbitro acrescentou 7 LONGOS minutos. O porquê disso? Pois bem, teve muita confusão no segundo tempo. Pauleira entre jogadores e comissão, e muita discussão com a arbitragem pós a expulsão de Diego Rocha (jalde-negro) e Douglas (alvirrubro).

Mas, para mais um “UFA” sair da garganta, e a festa poder tomar conta, o árbitro apitou às 17hs07min. Fim de jogo. Fim de conversa. Três amados pontos foram somados pro meu Bagé.

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O curioso é que desde 1940, os 18 de agosto em que ocorreram BAguas (três até o de hoje – 1940, 1957 e 1985), essa data e esses clássicos são só sorrisos no rosto da abelhada. Em todos saímos vitoriosos. E como já estão sabendo, em 2013 não foi diferente. Acrescentamos mais um pra essa estatística. E o curioso também, é que é o primeiro desses que presencio. Sim, sou novinha. Ta, isso não é tão curioso.

Curiosidades (ou não) à parte, o clássico de número 413, o qual me atrevo (copiando o que ouvi de meu tio e achei “engraçadinho”) a chamar de chocomel – mesmo que o banho não tenha sido de gol e sim de superioridade – não só devolveu a alegria e confiança a essa nação jalde-negra, como também tirou a invencibilidade do co-irmão e reabriu o gol de Luli. Que venha o Garibaldi!

Diretamente da Rainha da Fronteira,

Luisi Ribeiro

Publicado em Bagé, Guarany de Bagé, Segunda Divisão 2013, Terceirona 2013 com as tags , , , , , , , , . ligação permanente.

3 Respostas a Chocomel

  1. Kauê Monteiro diz:

    apesar de alvirrubro, belo relato. Que a co-irmã seja bem vinda ao site. :)

  2. Luisi Ribeiro diz:

    Obrigada, Kauê! Apesar da saudável “rivalidade”, estamos juntos! Bjss

  3. Arthur Teixeira diz:

    O indio morreu de novo! Dálhe Jalde-Negro!

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