Noia bate Cruzeiro e se credencia a lutar por taças

Magno protege a criança: volante tem sido um dos bons nomes nesse segundo semestre. (Foto: Diego da Rosa/GES)

De volta ao Estádio do Vale após um longo exílio de 40 dias e 40 noites no deserto de ALVORADA, com pouco beduínos e muitos tiros, o Noia bateu o Cruzeiro – uma invencibilidade que perdura desde 1978 – diante do seu torcedor e conquistou sua quarta vitória no Campeonato Metropolitano, tenteando o troféu que erguera em 1937 – ainda que com outro nome e outra importância.

A partida diante do centenário estrelado foi a segunda de uma maratona de quatro jogos em uma semana. A FGF jogou às favas as recomendações de não se realizar partidas com um intervalo mínimo de 66 horas – já o fizera com outros clubes em anos anteriores – e o Noia, após bater o Cerâmica em Gravataí na quinta-feira, venceu o Cruzeiro no sábado; e terá pela frente o Aimoré na terça e o São Paulo na quinta.

Para ultrapassar essas adversidades o técnico Itamar Schulle escalou times mistos tanto em Gravataí quanto no Estádio do Vale, dando oportunidades a jogadores que não haviam envergado o manto anilado desde o início das contendas. Na partida de sábado o CRISTO CARECA mais uma vez escalou o Anilado com dois meias e três atacantes, esquema de deve ser a tônica nesse segundo semestre – e que com a dedicação dos ponteiros tem tudo para dar certo.

Aproveitando-se da fragilidade do Cruzeiro – chega a ser constrangedor como o Estrelado sempre forma times fraquíssimos no segundo semestre, enquanto o São José sempre incomoda –, o Anilado pressionou os visitantes desde o início. Com Maicon Talhetti agora armando o time – tal como em Gravataí, sem sobrecarregar Bruno –, o time do Vale dos Sinos apostou desde o início na habilidade e no molejo de JÔ e Diogo pelas bandas.

Após o BAFÃO inicial e muito trabalho a Fábio, eterno goleiro cruzeirista, o Noia abriu o placar aos 20 minutos: João Neto, em cobrança ensaiada de escanteio, bateu de canhota, a bola desviou na zaga, e morreu no fundo das redes. Não demorou muito e o Anilado selou o placar ainda na primeira etapa: Maicon Talhetti foi derrubado dentro da área depois de CAGADA da zaga adversária. Diogo, EL TANQUE NEGRO, converteu no rebote de sua própria penalidade, defendida parcialmente por Fabio.

Assim que assegurou o triunfo o Noia passou a cozinhar o jogo, pensando no Clássico do Vale. A fragilidade do Cruzeiro ajudou, visto que o estreante arqueiro Vitor teve que pintar as balizas para se sujar, pois seu uniforme continuava limpo. O Noia de Itamar Schulle é consistente e, paulatinamente, descobre suas individualidades.

É um grupo mais homogêneo, mais independente dos jovens egressos das categorias de base. Tem boas opções no gol (Max e Vitor), nas duas laterais (Rafael Mineiro e João Neto, Alex e Marquinhos), na cabeça-de-área (Magno, Roberto Lopes, Rafael Ceará e Carpini), na armação (Bruno, Talhetti, Eliomar e Mazinho) e nas jogadas ofensivas de flanco (Jô, Diogo e Michel). Faltam, por ora, mais opções no miolo de zaga (só Leo e Juan Sosa no setor) e no comando de ataque (Brandão apenas).

Quando decidiu disputar as competições do segundo semestre, Everton Cury disse que formaria um elenco para buscar títulos e a sonhada vaga à Série D. Aos poucos a promessa se consolida. Itamar já está entre os melhores técnicos que passaram pelo Novo Hamburgo e seu trabalho é reconhecido e evidenciado a cada dia. O time anilado mantem a mesma temperatura ao longo dos 90 minutos, não deitando em cima da vantagem construída e não perdendo os cabelos nos momentos de tensão.

Se mantiver a consistência e buscar mais três reforços pontuais o Noia pode, sim, erguer uma taça ao final do ano – mesmo com todas as adversidades provocadas pela tabela e a força dos adversários.

Ficha técnica:

Novo Hamburgo: Vitor; João Neto, Juan Sosa, Leo e Marquinhos; Magno (Puyol), Bruno (Rafael Mineiro) e Talhetti (Michel); Jô, Diogo (Chico) e Brandão (Eliomar). Téc.: Itamar Schulle.
Cruzeiro: Fabio; Bastos, Odair, Jean e Benhur; Otavio (Jaderson), Alair (Santiago), Ivan e Maxwell (Clauber); Edson (Welder) e Matheus. Téc.: Jeferson da Silva.

Zezinho Dudu

Publicado em Copa Metropolitana, Cruzeiro, Novo Hamburgo com as tags , , , , , , , , . ligação permanente.

2 Respostas a Noia bate Cruzeiro e se credencia a lutar por taças

  1. Chico Luz diz:

    “O time anilado mantem a mesma temperatura ao longo dos 90 minutos, não deitando em cima da vantagem construída e não perdendo os cabelos nos momentos de tensão.”

    mas é muito MALDOSO esse José Eduardo Francisco de Morales.

  2. Weber diz:

    O garoto Lucas Santos voltou do Atlético Paranaense. Ótima opção para o ataque. Também acho que falta mais um zagueiro (além de Lucas Staudt que também voltou) e de um centroavante. Nesta posição o Noia deveria investir pesado, daí teremos time pra ser campeão e já uma base para o Gaúchão. Os zagueiros Peixoto e Zé Carlos, também podem voltar após a participação do Concórdia.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *