Bra-Far 215

Bra-Far 215. Foto: Ítalo Santos/assessoria GEB

Dizem por aí que seria o fato de ser jogado com os pés o motivo da presença tão massiva das superstições no futebol. Como os movimentos executados com os membros inferiores são menos precisos, o fator SORTE entraria em campo com mais frequência em comparação a outros desportos. Entre espiritualidade, misticismo e ceticismo não é incomum que determinado período de tempo em que se sofra infortúnios consecutivos seja classificado como “maré de azar”, “inferno astral”, etc. Pode-se dizer que o 2013 (TREZE) não é o ano da sorte do Grêmio Atlético Farroupilha.

Considerando ser desnecessário rememorar a derrocada tricolor na Série A2, atemo-nos à participação do clube nas competições do segundo semestre.

A única razão lógica e o único objetivo da inscrição nesses certames era faturar com boas rendas nos dois clássicos previstos na tabela. O desesperado meio a que o clube se apega para emergir do naufrágio financeiro em que se meteu no início do ano. Para isso, foi montado um grupo com algumas peças que permaneceram do início do ano, somados a alguns conhecidos cujos clubes fecharam as portas e jovens trazidos juntos ao técnico Géverton Duarte, oriundos de uma parceria com a base do Foot-Ball Club Riograndense de Rio Grande que se prepara para voltar à ativa.

As pretensões puramente mercenárias sofreram o primeiro golpe já na primeira rodada, que previa um embate frente ao Pelotas no Nicolau Fico. Por ter clássico da capital no mesmo dia, a partida foi antecipada para o alternativo horário das 14h e o público ficou aquém do esperado. Além disso, parte da arquibancada cedeu e o estádio passou uns dias interditado obrigando o Farroupilha a estrear no Bento Freitas na quarta seguinte, contra o Grêmio pela Copa Willy Sanvitto.

A boa vitória frente ao São Paulo no Aldo Dapuzzo e a liberação do estádio após as reformas exigidas para o esperado clássico frente o Brasil, marcado para o domingo seguinte, eram indícios de que a sorte poderia estar voltando a sorrir para o tricolor. Entretanto, as chuvas que desabaram sem parar por uma semana obrigaram o adiamento do BraFar. Após especulações de que podia ir para quarta ou quinta, por SORTE, a partida foi marcada para o domingo seguinte, dia 1º de setembro.

Um domingo ensolarado, de temperatura agradável que traria certamente um bom público, não fosse a necessidade incessante que a Brigada Militar tem de aparecer. Por conta do início das comemorações da semana da pátria, um evento cívico que atrai multidões nas manhãs de domingo (ns), a briosa instituição alegou que não teria efetivo para realizar o que eles chamam de “segurança” no estádio. Uma cidade com quase 400 mil habitantes não poder abrigar dois eventos no mesmo dia é uma piada de muito mal gosto. Já passou da hora dos clubes junto à FGF repensarem a questão da segurança nos estádios.

A falta de bom senso levou o clássico para segunda-feira, 15h30. Apesar de tudo, um número próximo de 2 mil almas deu seu jeito de passar a tarde útil nas arquibancadas do Nicolau Fico. Ingresso – com o nome do clube escrito errado – na mão, que role a bola…

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FGF demonstrando respeito e conhecimento para com o seu filiado GRÊMIO ATLÉTICO Farroupilha

O Farroupilha postado na boa e velha retranca com três zagueiros e a falta de criatividade da meia cancha xavante resultaram num primeiro tempo sem grandes destaques. Uma cobrança de falta isolada por Carlos Alberto e uma cabeçada de Gustavo Papa nas mãos do goleiro Diego foram o mais perto de “melhores lances” de cada lado.

Era notável também a ausência do Alex Amado acelerando lá na frente. A equipe rubro-negra está acostumada a jogar em velocidade e utilizar os contra-ataques em razão da presença do indiozinho, este que ficará fora dos gramados por cerca de dois meses. O meia Gustavinho, também BASTANTE ÁGIL, até então reserva, jogou desde o início.

Próximo aos 20 minutos da segunda etapa, Gustavo Papa comete falta no início de uma jogada que acaba com um cabeceio escorado para o gol. O juiz parou o lance muito antes da conclusão, sem reclamações por parte dos xavantes. Porém, se o gol fosse validado, seria falha do bom goleiro Diego! O mesmo que viria salvar o Farrapo em três escanteios consecutivos nos minutos finais.

O embate entre Fantasmas e Índios Xavantes se concentrava no meio do gramado. Foi um jogo pegado, sem muita criatividade nem técnica, e as chances de gol foram tão pequenas quanto a justificativa para adiar a partida pela segunda vez. Os jogadores demonstraram em campo uma verdadeira RESSACA após duas semanas de espera.

Com o ponteiro marcando meia hora de segunda etapa, Rafael PELEZINHO consegue passar por três defensores rubro-negros e arremata pro gol, mas a bola chega desviada e sem força às mãos do arqueiro xavante. Aos 47 minutos, Paulo Santos adentrou a área do Brasil pela esquerda e cruzou para Anderson Luz – que havia entrado na vaga de Gleisson. Luiz Müller falha, a bola vai entrando mansamente… mas Rafael Forster rebate de cima da linha a melhor chance da partida. Ainda que nenhum lado tenha criado grandes coisas, o gol seria merecido pelo empenho demonstrado pela equipe tricolor nesse clássico. Ainda tivemos tempo para mais uma cabeçada de Gustavo Papa pra fora do gol antes do fechamento das cortinas.

Apesar do empate sem gols, aparentemente ambas as equipes gostaram do resultado. O que não quer dizer que os torcedores de seus respectivos clubes. A sensação que ficou às duas mil almas presentes no SAGRADO Nicolau Fico é que o melhor do clássico se perdeu após tanta espera.

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O Farroupilha soma 4 pontos e enfrenta o Bagé no próximo domingo, fora de casa, pela última rodada. A chance de classificação é boa e, no caso de avançar aos mata-matas, o clube poderá concretizar o tão esperado clássico com todas as VARIÁVEIS desejadas: casa cheia, no Fragata, em um domingo ensolarado, às 15h30, sem temer influência da TV. Já os Xavantes, também com 4 pontos, jogam partida atrasada nesta quinta-feira à tarde contra o mesmo jalde-negro em Bagé e encerram sua participação domingo frente ao São Paulo, no Bento Freitas.

Marcos Ceron Gonçalves | Pedro Henrique Costa Krüger

Farroupilha (0):

Diego; Fuca, Miro e Rodrigo Gaúcho; Paulo Santos, Wagner Rincón, Rafael Pelezinho, Carlos Alberto, Juliano Madalena (Ihuur Tavares) e Roger Bastos; Gleisson (Anderson Luz). Técnico: Géverton Duarte.

Brasil (0):

Luiz Müller; Wender, Cirilo, Fernando Cardozo e Rafael Forster; Leandro Leite, Washington, William Kozlowski, Gustavinho e Cleiton (Marcio Hahn); Gustavo Papa (Éder Machado). Técnico: Rogério Zimmermann.

Fotos de Ítalo Santos (assessoria GE Brasil) e Marcos Ceron.

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Um comentário em Bra-Far 215

  1. “Esporte Clube Farroupilha”

    CARAI

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