Ganas de vivir – a heroica classificação do Noia

Juan Sosa marca aos 52 minutos da segunda etapa: Noia bateu São Paulo por 2×0 e conseguiu classificação heroica. (Foto: Rodrigo Rodrigues/GES)

Na tarde da última quinta-feira o Novo Hamburgo mostrou com futebol, sangue, suor, lágrimas e MOLEJO que ainda tem muita alma, apesar de seu rubro estádio. Que a vontade de vencer a cada dia, de ultrapassar as dificuldades, de buscar um lugar ao Sol escaldante do Vale dos Sinos nos piores dias de Verão se sobrepõe a qualquer mera pintura errônea de paredes e postes.

A esquadra anil adentrou ao gramado do Estádio do Vale com a dificílima tarefa de reverter o placar de 3×1 conquistado pelo São Paulo, em Rio Grande, no jogo de ida da 1ª fase da Copa Willy Sanvito. Como se a vida dos trabalhadores dessa terra castigada pelas chuvas não fosse uma eterna luta contra reveses diários, geadas que destroem plantações, crises que fecham fábricas, violência que ceifa famílias.

Armado num arisco e cutucador 4-3-3, a equipe de Itamar Schulle partiu pro BAFÃO tal qual o árbitro soprou o apito, porém com pouca efetividade. Sabiamente, o São Paulo armou um CATENACCIO PORTUÁRIO, saindo só na boa e defendendo com galhardia, espanando quando era preciso. Afinal, know-how para isso tinha e o Noia sabia muito bem quem eram os responsáveis por isso – a SANTÍSSIMA TRINDADE do São Paulo, composta por Aládio, Rudi e Luciano, vestira a camisa do Noia em tempos distantes e erguera taças no velho Santa Rosa.

O primeiro tempo passou com a ansiedade de quem espera o VILA MARTE atrasado para encontrar a pessoa amada, mas que a cada vez que avista um ônibus dobrando a esquina distante, aperta os olhos para que sua miopia consiga ler qual linha que vem ao seu encontro, e tem que engolir seco o suor frio de sua testa ao verificar que ainda não é o seu esperado veículo.

Na volta do intervalo, o ESPADAÚDO zagueiro Léo resolveu acabar com a morosidade e trouxe emoção a peleia: foi expulso com menos de 1 minuto jogado. Entretanto, necessitando loucamente do resultado, Itamar Schulle não recompôs o miolo de zaga, apenas sincronizou as subidas dos laterais e deixou Juan Sosa solito no más guardando no bolso os ataques riograndinos.

Zagueiro Léo foi pro chuveiro mais cedo e saiu vestido pra briga; atrás, Ricardo Ramos, preparador de goleiros, com sangue nas ventas. (Foto: Rodrigo Rodrigues/GES)

Zagueiro Léo foi pro chuveiro mais cedo e saiu vestido pra briga; atrás, Rogério Ramos, preparador de goleiros, com sangue nas ventas. (Foto: Rodrigo Rodrigues/GES)

Dando de ombros à desvantagem numérica o Noia atirou-se ao ataque com maior efetividade. Até que Eliomar lançou JÔ, a flecha-negra do Trensurb, em profundidade e o avante usou de toda sua MALEMOLÊNCIA para encobrir Luciano utilizando sua cabeça presente em tão diminuto corpo. O ponteiro marcava 18 minutos da etapa final e tudo era o CAOS no Vale dos Sinos.

Em meio à busca desenfreada pelo tento redentor, o Noia se via vitimado também pela fadiga muscular dos atletas, afinal enfrentara o Aimoré 43 horas antes. Enquanto verdadeiros MORTEIROS eram arremessados à área do São Paulo, o time visitante ainda teve dois atletas seus expulsos e abusou da CERA para segurar o placar – e desde quando grama é polida?

Até que aos 52 minutos da etapa final Jô lança Rafael Mineiro, tal qual uma bicicleta sem freio e guidão frouxo descendo a General Câmara – experiência própria. O lateral centra na área e a redonda se oferece a Juan Sosa, esse oriental embebido de DULCE DE LECHE, único zagueiro do Noia em campo, que deixa o defensor rubro-verdade na sarjeta e, de perna sinistra, estufa os cordeis da cidadela riograndina, dando a vitória e a classificação heroica ao Novo Hamburgo.

Assim que a bola entrou no gol adversário, o árbitro trilou o apito final. E o São Paulo fez a única coisa digna que lhe restava: partiu pra briga. Por 5 minutos o Estádio do Vale foi palco de uma verdadeira peleia braba, com quebra-pau generalizado, um batismo de fogo ao seu quinto aniversário completado há três semanas. Uma bela homenagem ao Setembro gaúcho.

Noia bateu São Paulo na bola e no pau. (Foto: Rodrigo Rodrigues/GES)

Noia bateu São Paulo na bola e no pau. (Foto: Rodrigo Rodrigues/GES)

Se havia dúvidas quanto à existência de alma por parte do Novo Hamburgo após o aluguel de sua casa por parte do Colorado, os jogadores anilados trataram de responder a questão da forma mais contundente possível: pintando as paredes do Estádio do Vale com seu próprio sangue – e com os sorrisos da classificação conquistada.

Louvando preces ao Cristo Careca,
Zezinho

 

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8 Respostas a Ganas de vivir – a heroica classificação do Noia

  1. Weber diz:

    Quem viu, viu. Quem não viu………..
    E o resto é história pra contar pros netos.
    DÁ-LHE NOIA!

  2. SENSACIONAL o texto do Zezinho. Parabéns, tchê. E meus parabéns à torcida do NH pela vitória.

  3. Denis Utzig diz:

    E M O C I O N A N T E!
    E frustrante não ter acompanhado uma das partidas que ficará na história do Estádio do Vale!

  4. Parabéns aos anilados. Um time que joga pra frente e não se esconde merece sempre sair vitorioso.

    O São Paulo subestima sua própria capacidade com retrancas bizarras e sem sentido. Um gol rubro-verde definiria o confronto a nosso favor, mas Rudi não consegue se sagrar vitorioso sem passar 45 minutos correndo atrás da bola. No primeiro confronto perdemos a oportunidade de fazer do jogo da volta uma mera pelada de solteiros contra casados. A arbitragem colaborou sim, sem choro. Depois de expulsar o zagueiro anilado, fez de tudo para o Nóia chegar ao seu objetivo – sem falar dos 6 minutos de acréscimos, quando o gol foi marcado no 7º minuto -, mas quem sabe isso já é uma boa para chegarmos calejados no gauchão do ano que vem.

    Desde o acesso, somamos uma derrota vexatória pro Xavante no Dapuzzo, uma eliminação com a vaga na mão e ainda corremos riscos de eliminação na regional – sendo que, de 5 times, 4 avançam.

    Fora a inércia do clube, que não avança em nada. Daí pode vir até o PAPA (o Francisco, não o Gustavo) reclamar de renda e falta de apoio.

    Parabéns pela classificação e pelo texto, Zezinho. Até 2014!

  5. Mateus, foram TRÊS expulsões e DEZ substituições do segundo tempo. É o ônus desse regulamento ridículo aprovado no segundo semestre, que permite a cada time realizar cinco substituições. A qualidade do jogo cai abruptamente.

    Claro que acho bizarro tanto acréscimo e talvez esperneasse se fosse contra o Noia, mas todos os clubes tem culpa ao terem assinado esse estupro ao futebol – estão inventando a roda

  6. Sim, 5 substituições é só em campeonato da base. No profissional eu não lembro de ter visto. Com relação ao acréscimo, ele pode dar tantos minutos quanto achar necessário, mas tem que acabar o jogo quando eles também acabarem. Se o jogo ia até 51 e o gol foi aos 52 significa que algo está errado.

    Isso me lembra aquele episódio do Marcio Chagas. A famigerada plaquinha “até empatar” na partida entre Grêmio e Caxias.

    Mas isso não muda os fatos, se o SP tivesse um pouco mais de CULHÃO e vontade de jogar com a bola no pé, estaríamos comemorando a classificação nesse momento. Que siga la pelota!

  7. Sim, 5 substituições é só em campeonato da base. No profissional eu não lembro de ter visto. Com relação ao acréscimo, ele pode dar tantos minutos quanto achar necessário, mas tem que acabar o jogo quando eles também acabarem. Se o jogo ia até 51 e o gol foi aos 52 significa que algo está errado.

    Isso me lembra aquele episódio do Marcio Chagas. A famigerada plaquinha “até empatar” na partida entre Grêmio e Caxias.

    Mas isso não muda os fatos, se o SP tivesse um pouco mais de CULHÃO e vontade de jogar com a bola no pé, estaríamos comemorando a classificação nesse momento. Que siga la pelota!

  8. Correção o 2º gol do Noia foi aos 51 minutos e não 52, e o jogo deveria ter ido até os 70 minutos porque o goleiro Luciano desde o 1º minuto fazia cera, assim como os jogadores do banco de reservas do São Paulo que a todo o minuto jogavam bolas para dentro do gramado. Parabéns Noia pela vitória na garra e na raça. Dá-
    lhe Noia!

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