Veloz e furioso

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Quando todos temerosamente esperam que o ciclo do futebol esteja chegando ao fim na monumental Boca do Lobo, chega alguém e risca um fósforo para espantar a escuridão. Essa fagulha, por pequena que seja, tem sempre uma grande proporção. Depois de atuações PAVOROSAS que inacreditavelmente lhe renderam a ponta da tabela da Copa Sul-Fronteira, o Pelotas finalmente teve atitude e venceu, de forma incontestável, o Lajeadense pela Copa Willy Sanvitto.

O primeiro confronto havia acabado na igualdade. Jogando com o time “B”, os Frukenses saíram na frente e o Lobo precisou buscar resultado. Ressabiados que somos, nós torcedores, fomos ao estádio esperando, sim, a classificação, mas já esperando pelo tímido zero a zero. Nem deu tempo do primeiro idoso abrir a boca pra largar alguma maledicência sobre qualquer pífia atuação que fosse. Fabiano Gadelha, que – permitam-me dizer – manteve a seta vermelha e a “stamina” em alta até o fim da partida, acertou um pataço no rebote da zaga e enfiou Eduardo Martini pra dentro do gol com bola e tudo.

Eram passados 13 minutos quando Gadelha cobrou falta da esquerda e a bola passou por todo mundo, menos pelo zagueiro Pedrão, que – parece – pegou gosto por fazer gols. Que continue! Pelotas 2 a 0, time em cima, marcando bem e criando bastante. Os otimistas pulavam, os realistas esfregavam os olhos, incrédulos. A única unanimidade era o sorriso no rosto.

GOL

Até o fim da etapa inicial, o áureo-cerúleo comandou as ações. No segundo tempo o Lajeadense correu atrás do prejuízo, mas de uma forma tão desordenada que até mesmo o bom técnico Benhur Pereira já devia saber que o boi já havia se ido com as cordas. Paulo Sérgio, quando exigido, mostrou não estar debaixo da trave pra brincadeira. Já Tiago Gaúcho, um jogador à moda antiga, mostrou que nem sabe o que significa “brincadeira”. Ele chutou, dividiu e distribuiu carrinhos que poderiam ser facilmente enquadrados na lei brasileira como “tentativa de homicídio”. Um marginal aos olhos da sociedade, mas um símbolo de raça pra quem curte o esporte bretão e defende a essência do ludopédio do interior gaúcho.

Eram passados 30 minutos da etapa complementar quando Gadelha deu uma arrancada do campo de defesa até a área do adversário e chutou pra fora. Um lance de qualidade praticado com pulmões de guri e inteligência de veterano. A pontaria foi o de menos. O que ficou da partida foi a ENTREGA do grupo. Pra bons entendedores meias palavras bastam: é importante levar alguns sustos fora das quatro linhas para saber a quem se representa.

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Muito cedo pra dizer que “o Pelotas voltou”, mas em tempo pra afirmar que a confiança ressurge em um momento muito propício. Logo ali estão as semifinais da Copa Sul-Fronteira. Depois vem a segunda fase da Willy Sanvitto. A ordem é seguir subindo sem olhar pra baixo. É bem verdade que “quanto mais se sobe, mais dura é a queda”, mas cair não é uma opção. Temos assuntos inacabados a resolver durante essas competições. A última vitória do áureo-cerúleo em clássicos contra o rival rubro-negro já tem NOVE anos e ONZE meses. Se o pesadelo do jejum acabar com uma TAÇA na mão toda essa situação vai se tornar um grande sonho do qual vai ser difícil ter alguém disposto a acordar.

Do sonhador-realista-mas-sempre-esperançoso,

Leandro Lopes

Publicado em Copa FGF 2013, Lajeadense, Pelotas com as tags , , , , , . ligação permanente.

Um comentário em Veloz e furioso

  1. Juliano diz:

    Seremos campeões…adivinha em cima de quem?

    Não queremos em qualquer jogo , em qualquer momento…queremos naquele jogo e no momento exato!

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