E isso é tudo, pessoal?

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Até que ponto somos reféns de um passado recente? Até que ponto o êxtase da conquista satisfaz os anseios de milhares? Como sair de uma paixão platônica para uma desconfiança desmedida? Do que se alimentam, como sobrevivem?  Tudo isso, sexta, no Toda Cancha Repórter (ns). Apenas um pouco de CHALAÇA antes da treva.

São, praticamente, os mesmos viventes de meses atrás. A mesma tática, o mesmo técnico, o mesmo presidente, o mesmo clube, a mesma torcida.  Mas são, literalmente, outra atitude, outro pensamento, outra motivação. Se o mês de maio marcou o REGOZIJO rubro-verde, o de setembro marca a SUSPICÁCIA.

Depois de toda a euforia da vitória, o sentimento era de exaltação, organização, planejamento: CRESCIMENTO! A derrota de hoje (ontem, ou seja lá quando que estiverem lendo este texto), apenas retrata o que é o Sport Club São Paulo após seu tão sonhado acesso. Antes, ainda, o rubro-verde conseguiu a proeza de ser eliminado pelo Novo Hamburgo quando tinha, há 30 minutos do fim da partida, o seguinte cenário: empatava por 0x0, tinha um homem a mais em campo e 3×1 a favor no placar do jogo de ida. O time anilado é muito bom e por méritos buscou a classificação. A arbitragem colaborou, é vero, mas o principal motivo da eliminação foi a falta de espírito de campeão. O que assolava o Aldo Dapuzzo no primeiro semestre, agora está em falta. Não satisfeitos, acharam que um sopapos resolveria a caca feita. Papelão!

Chance para recuperação. Domingo, Bento Freitas, OITAVO clássico da zona sul em doismilitreze. Objetivo: empate para evitar uma eliminação vexatória.  Resultado: eliminação vexatória. Em um grupo de CINCO clubes, com QUATRO – repito, QUATRO – passando de fase, conseguimos a exclusão. Inaceitável! Com todo o respeito que os quadros do Farrapo e do jalde-negro merecem, mas ambos estão na terceira divisão. Senhores, agora somos times de primeira divisão, joguemos como tal.

Logo nos primeiros minutos, a prova do que estaria por vir. Dois golos Xavantes. Eder Machado, o perdedor de pênaltis do primeiro semestre, já balançara a rede rubro-verde duas vezes e o ponteiro nem 20 voltas concluíra. Na rainha da fronteira, o Bagé aplica 4×0 no fantasma – que já estava classificado, jogava por jogar. Nós, clube de primeira, de jogadores na seleção da Divisão de Acesso, éramos eliminados sem cerimônia e sem forças  para reagir.

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No segundo tempo, algumas coisas mudaram, menos o escore. Reclamemos de um pênalti então, quem sabe ele teria alterado alguma coisa quando já faltavam 5 minutos para o fim da partida. Nas entrevistas, a velha e manjada frase: “agora é trabalhar e levantar a cabeça”. Poderíamos trocar por: “agora é mais umas semaninhas de folga, uma passadinha pra ver a família e voltamos pro segundo turno”.  ATENÇÃO: as desculpas de “gramado ruim”, “falta de tempo para treinar” e “sequência de jogos” não serão aceitas por motivos de: mentiras.

Nosso presidente ~sabiamente~ diminui o caos. “A copinha não vale nada, temos que pensar no gauchão 2014”. Isso foi a introdução para logo após pedir que a torcida vá ao estádio e apoie o time. Concluo que: a torcida – culpada de tudo – tem que frequentar mais o Aldo Dapuzzo, afinal estamos disputando uma competição que não vale nada. Ou melhor, temos que nos associar porque o SP oferece muitas vantagens, sendo a principal delas, um jogo a cada mês.  Tá errado, senhores.

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O São Paulo é um clube grande, um clube que tem uma torcida apaixonada e fiel. Olhemos para nós mesmos dessa maneira. Enquanto encararmos com normalidade perder pro Novo Hamburgo, pro Brasil e pro Pelotas ficaremos com essa imagem de amadores. Somos inferiorizados por nós mesmos. Nós queremos que o Polo Naval e as grandes empresas da região batam na nossa porta e digam: “ei, tava passando por aqui e resolvi dar uma ajuda. Querem uns 100 mil mensais?”.  Falta ambição. Nossa campanha de sócios é para chegar a MIL associados. Aliás, campanha essa que se baseia na divulgação feicebuqueana.

Todos que estão lá, tem a eterna gratidão da torcida rubro-verde. Inclusive a minha. Mas isso não significa que deixaremos de cobrar. Quem acha que já fez tudo que podia pelo São Paulo, dirija-se a saída mais próxima. De preferência, pelos fundos.

Jogos a tarde, derrotas, estádio precário. Estamos a poucos meses da estreia no Gauchão e tudo que conquistamos foram alguns TAZZOS numa partida de BAFO.

Nós estamos aqui, mais do que nunca. Queremos, mais do que ninguém, ver este clube crescer. Mas, assim como em qualquer coisa da vida, temos que fazer por merecer, como fizemos naquele dia 19. Não odiamos ninguém, não queremos o mal pra ninguém, só queremos que, daqui pra frente, essas derrotas nos sirvam como lição e algo REALMENTE mude. Já pedimos por mudanças, dias atrás (http://www.todacancha.com/2013/07/19/recordar-perder-levantar-mudar-e-crescer/) e até agora nada. Aprendam: qualquer torcida no mundo abraça um clube e um time que o acolha e não que o intime para ir ao estádio.

Acredito SIM que ainda vamos nos recuperar neste segundo semestre.

Obrigado pelo acesso que nos proporcionaram, mas ficaremos mais gratos ainda se o fizerem valer a pena.

Fotos: Ítalo Santos

Ainda esperando pela mudança,

Matheus Almeida

Publicado em Brasil de Pelotas, São Paulo-RG, Sem categoria com as tags , , , , , . ligação permanente.

7 Respostas a E isso é tudo, pessoal?

  1. luis roberto campos diz:

    disputar essas copas do 2º sem com o mesmo time não tem sentido, só gastos.Deveriam ser testados jogadores jovens, etc.se o sp não se organizar vai ser ficha 1 para rebaixar no Costelão de 1ª.

  2. Borges F. diz:

    Rudi anda falhando
    No segundo tempo, Luís Fernando vinha sendo ótimo escape do SP pela direita infernizando o Forster, e o cara me tira o cidadão.
    Acabaram superestimando o São Paulo dps do dia 19, tem que evoluir para jogar a 1.

  3. Ivan diz:

    Estes resultados estão normais. Anormal foi a subida para a primeira divisão.
    O São Paulo não é um clube grande. Tem história, é verdade, mas é isto. E só.
    Torcida? Teve. Não tem mais.
    Aliás, três clubes do interior possuem torcida própria: Brasil/Pel, Juventude e Pelotas. Nesta ordem.
    A primeira ação a ser tomada é deixar o delírio passar e analisar a realidade nua e crua de forma serena. Para se resolver um problema, antes de mais nada, é preciso entendê-lo.

    Abs.

  4. Matheus Almeida diz:

    #1 – Concordo. Teríamos que manter uma espinhal dorsal do primeiro semestre e anexar algumas peças importantes. O problema é que os boatos correm a respeito que esse time se manterá em boa parte para o Gauchão do ano que vem. Daí não tem nem porque jogar.

    #2 – Também acho que o Rudi regrediu bastante neste segundo semestre. O SP no comando dele é muito comedido, nunca pressionamos o adversário nem dentro dos nossos próprios domínios. Quando estamos na frente, nos retrancamos. Quando estamos atrás não temos forças para reagir.

    #3 – Ivan, provavelmente és xavante. O ar de soberba que rodeia o comentário deixa isso mais evidente. Normal, para quem teve de batalhar dobrado por aquilo que conseguimos com meia dúzia de jogos, ainda estar com as espinhas dos “peixeiros” entaladas na garganta. O SP vem de anos de inércia, a recuperação é lenta e trabalhosa, tememos que a demora para tomar as atitudes comprometam nossa conquista desse ano. Após o Costelão de 2013 voltamos a debater. Abs.

  5. Lucas diz:

    Luis e Matheus esses campeonatos do segundo semestre dão vaga na copa do brasil e na serie D, como não temos motivos para disputar? Pelo contrario até, temos motivos para disputar e querer muito ganhar.

  6. Lucas, é verdade, mas se no momento não conseguimos nos estruturar para um Gauchão imagina para um campeonato nacional. Temos que procurar não tentar passos maiores que nossas pernas. Primeiro vamos nos restabelecer no cenário estadual, reformar nosso Dapuzzão e organizar nossa vida financeira. A Série D e a Copa do Brasil me parecem ser consequência desse trabalho. Se vier antes, melhor.

  7. Marlene Dorneles diz:

    Palmas para o Ivan, falou a verdade, Anormal foi a subida do São Paulo para a 1ª Divisão.

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