Para entrar pra história de verdade

corredorjaconeroEsse texto era pra ter sido escrito no domingo que passou.  Acabou ficando pra segunda, quando também não foi possível.  Veio a terça e já não havia mais um pingo de adrenalina nesse corpo para tentar passar pra alguém o pânico que foi acompanhar o tenso Juventude x Londrina que todos a essa altura ao menos já ouviram falar como foi.  Mas, mesmo assim, creio que ainda seja válido recordar o jogo e, mais ainda, projetar o que realmente interessa.

Impedido de me fazer presente no Jaconi com a turma dos Papos da Capital (aliás, aqui tem um belo  e peculiar relato de como um papo que tá longe acompanhou o jogo) por uma daquelas vicissitudes de última hora que nenhum pai gosta de passar (a.k.a. filho doente, agora melhor), o rádio foi a salvação.  Admito que pensei em fazer qualquer outra coisa na hora do jogo, mas como teria que ficar dentro de casa cuidando do filhote, impossível não buscar alento no rádio.  De outro lado, Pedro Torres encontrava-se em situação parecida: dentro do rádio, ou melhor, da rádio, também privado de mandar bala num pastel com gasosa sabor estádio (aliás, o Pedrinho fez um detalhado relato do jogo em si para o Toda Cancha no rádio desta última segunda (09/09), baixável aqui (sonora no primeiro bloco), além do post publicado pelo próprio site oficial do clube).

chegadajaconi

Mesmo vivendo tudo de longe, pelas ondas internéticas do rádio (vejam, até a Gaúcha transmitiu o jogo (!), mais por grade vaga do que outra coisa, mas ok), me socorria também do tuíto e do ~feice~ para ter as IBAGENS do que rolava.  Ver materializado o corredor jaconero, planejado durante a semana nas mídias sociais, foi comovente, não só pra mim, mas para a comissão técnica e jogadores, que desceram do ônibus nitidamente emocionados, quando não chorando, além do presidente, que precisou de alguns minutos pra se recompor antes de dar entrevistas pra falar sobre aquilo.

Em campo, aquilo que acontece com todo torcedor diante de um jogo decisivo de seu clube: relógio voando até o gol de Rafael Pereira no meio da etapa inicial, que garantia ao menos o filme de terror dos penais caso terminasse daquele jeito.  Mal eu sabia que filme de terror seria, na mesma altura do segundo tempo, ouvir narrada a furada de Gerley e o gol de empate do Londrina.  Naquela hora, só o que me veio à mente foi o feitiço do tempo vivido em 20011 e 2012 se materializando mais uma vez.  Não podia ser.  Faltavam menos de 30 minutos (já somados os acréscimos) pro Juventude fazer dois gols e finalmente passar de fase na série D, coisa que nunca havia feito em todas suas participações.

O tempo passava e nada. Lisca empilhava o que sobrou de jovens não negociados pelo clube para sanear as contas e nada.  A torcida seguia berrando “EU ACREDITO!”.  Eu não, confesso.  Conselheiro vitalício do clube dos pessimistas, eu queria acreditar, mas sabe, né… Nem com o pênalti marcado por Zulu, aos 42′, eu tinha certeza de que dava. Pensava “que merda, vai ser tipo contra o Mirassol, em 2011, ganhamos mas não levamos”.  Mas não.  Num chutão do goleiro Fernando, talvez pra devolver aquele gol tomado no norte paranaense, Douglas desvia pra área, um dos piás recém entrados tenta o drible e a bola sobra pra ele.  Aquele que até uns minutos antes do gol de pênalti até eu, que defendo o cara, perguntava onde ele tava na hora da decisão.  O negão matador tava lá, Franco, no lugar certo pra pegar a sobra do drible e meter no canto, longe do goleiro e do zagueiro que se esgaçou tentando desviar seu rumo.

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Mais uns minutos até o fim e tudo foi aquilo que todos puderam acompanhar pelas imagens da tevê (se não viu, veja aqui).  Invasão de campo, festa linda no gramado, tudo muito justo, merecido, pois só quem viveu o clube, quem não largou o Juventude depois do início da derrocada iniciada em 2007 entende realmente o que significa a classificação do último domingo.  Inesquecível. Se é para quem só ouviu pelo rádio, imaginem pra quem estava lá e vai poder contar pros netos…

Mas se tu é papo, caro leitor, agora pare.  Volte até o primeiro parágrafo e releia o que escrevi sobre o fim da adrenalina.  Feito? Explico. CHEGA de festa, chega de êxtase por um feito histórico que, pra ficar na história de verdade, precisa de um desfecho a altura: o acesso à série C, que tá logo ali, depois do próximo mata-mata.  Mas, do outro lado, tá um time que conhecemos de outras edições, embalado e com a mesma fome que a gente por essa vaga.  “Ah, mas o Metrô é um time novo, sem tradição”.  Verdade.  Assim como era o Mirassol, assim como era o Cianorte.  E pra quem morremos no passado.

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Não que eu ache que ainda tem papo que não se ligou da realidade (mentira, acho sim) que vivemos e da selva que é a série D, onde camisa não diz muito em comparação a preparação, qualidade e determinação, mas é hora de encarar os fatos.  Mais do que nunca, o que teremos a partir do próximo domingo é a FINAL DO SÉCULO para o Juventude.  E não é melodrama, nem exagero, é apenas a verdade: todos nossos triunfos passados ficaram na página da história que já foi virada.  A conquista (ou não) dessa vaga – que vale muito mais do que uma eventual taça de campeão da série D – será, na minha opinião, determinante para o futuro do Juventude.  Muita coisa estará em jogo nesse lapso de tempo entre os jogos de Blumenau e do Jaconi.

Quem viver, verá.  E dessa vez eu quero estar lá.

Franco Garibaldi     

(com fotos de Juan Barbosa/Pioneiro – veja a galeria completa aqui – e do E.C. Juventude) 

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7 Respostas a Para entrar pra história de verdade

  1. baldasso diz:

    bah, também sofri longe, de Sergipe, mas ligado na radiola.

    vamos JUVE, dois jogos só para cumprir a missão do ano do século.

  2. Ury Malakov diz:

    O BALDASSO, TÁ ME OUVINDO? HAHUAH DALE PAPO! VAMO Q ELES TÃO KAGADO!

  3. Guilherme diz:

    Meu Deus do Céu! E a esta hora eu aqui esperando pra ver o Sergipe, que decide a vaga pras quartas só hoje, terça-feira, contra o valente Tiradentes do Ceará. De certo modo, o texto só fez aumentar meu nervosismo. D de desespero… rsrs

  4. Ana Carolina Corso diz:

    Muitoooo bommm teu texto! Também moro em Porto Alegre, tenho uma bebê pequena (aquela que por sinal publicaram a fotinho no Face dos Papos da Capital,vestida de macacãozinho do Ju, escrito Zulu) e por isso também não pude ir à Caxias, também me restou ouvir pelo rádio. Na real, se estivesse no campo teria ido embora no gol do Londrina, nao teria agüentado firme e acreditado! Mas deu, finalmente passamos pelas oitavas e vamos passar pela próxima fase também, porque estamos com sorte de campeão. Ok, jogamos muito melhor que o Londrina, mas aqueles dois gols finais também tiveram o “dedinho” da sorte. Bom, espero que daqui há 2 semanas eu esteja lendo tu narrares nossa classificação à serie C. Boa sorte pra nós, aqueles que nunca desistiram de torcer e sofrer pelo verdão.

  5. baldasso diz:

    Ury Malakov

    háááá, isso aí, afudê né, afudê!

    dá-lheeee!

  6. #1 #5 Cara, tu tá em Sergipe atualmente? Bah, isso sim deve ser foda, acompanhar de tão longe!

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