Em terra de Ganso e Pato, surge o FRANGO dos pampas

Nascido nos embalos da Oktoberfest, em família só de irmã mulher e amante do futebol desde NENYS, Henrique Cortes começou a se arriscar no mundo da bola como goleiro em escolinhas da Capital do Fumo. Praticamente um Rogério Ceni mirim dos pampas, porque gostava de fazer gol uma barbaridade, sempre querendo tirar o lugar nos atacantes quando surgia falta perto da área ou penalidade pro seu time. E quando fazia gol, ficava mais faceiro que pinto no lixo!

Já com 15 anos, FRANGO como é conhecido pelo fato do pai vender frangos assados e principalmente por ter amigos que não perdoam, decidiu que iria deixar o arco e se aventurar no ataque. O que era brincadeira de todo piá que se preze, foi virando uma paixão, acabou se tornando o maior sonho do CUERA que nunca foi aquele craque, mas que se destacava pela vontade e garra dentro das quatro linhas. O espírito COPERO & PELEADOR.

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Já acostumado a ATUAR nos campos amadores do Vale do Rio Pardo, no início de 2012 aconteceu uma peneira no RINHADEIRO do F. C. Santa Cruz pra equipe juvenil. Sem pensar em outra possibilidade senão fazer o teste e quem sabe, poder jogar o Gauchão da categoria, FRANGO pegou a chuteira e rumou até os Plátanos. Dos cerca de 50 PIÁS que lá estavam, apenas cinco passaram, e adivinhem? Sim, Henrique foi um deles.

Dadas as cartas, FRANGO era o mais novo atleta do GALO (tudo em família). Jogou a Copinha e o Gauchão da categoria pelos carijós, quase sempre como titular. Sem grandes conquistas com o grupo, mas se destacando dias dos demais e cada vez mais apaixonado pelo futebol e com a certeza de que seguiria esse rumo.

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Em 2013, o Galo optou por fechar o juvenil. Quando Frango achou que poderia ter ali o sonho destruído sem chegar no profissional, eis que surge oportunidade na TERRA DO MATE pra jogar no Guarani-VA. Quando começou a vivenciar mais um pouco do que é ser jogador, foi morar fora de casa, sem as mordomias de filho mais novo, passar semanas longe da família e afins. Mas o cuera é cabra macho e não se encolheu. Jogou a Copinha no Índio e mesmo não indo muito longe na competição e não conseguindo disputar o Gauchão da categoria, Frango teve ali a prévia do que o futuro reservava pra ele.

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Dispensado do Guarani, voltou pra casa e ficou treinando sozinho, correndo na BR (?) toda noite, não importando se frio, calor ou chuva. Não parando nunca e esperando uma nova oportunidade aparecer.

Certa feita, surgiu um velho conhecido dos carijós na vida de Henrique, o PALITO, ex jogador e hoje diretor do alvinegro. Como um PAI no futebol, conseguiu um teste no São José pra Frango. Faceiro igual pinto no lixo, pegou as chuteiras e se foi pra capital. Visando o teste como uma oportunidade única, e encarando o Zequinha como uma possível vitrine no futebol, Frango colocou o coração na ponta da chuteira e passou no teste.

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Após dois meses de treino e perda de alguns quilos a mais (mas quem liga pra isso quando vê o Walter estufando a gorducha na rede), foi no dia 24/08 que FRANGO teve sua tão esperada estreia contra o Cerâmica, em partida válida pelo Gauchão Sub 17. Chegou mostrando a que veio e já balançou a rede contra Pelotas e Lajeadense, Lajeadense que entrou no final da partida e marcou o TENTO da vitória. Faceiro que só ele, ainda convive com uma ansiedade imensa que só terá fim em novembro quando estrear no Brasileiro Sub17.

“Estou feliz demais por estar vivendo um sonho e trazendo alegria pra minha família que é o maior motivo por eu querer tanto isso, eles vivem esse sonho comigo, preciso ser orgulho pra eles que tanto torcem por mim. Pretendo continuar nessa caminhada por muitos anos, até que um dia eu possa olhar pra trás e ver que fui uma pessoa realizada e dei orgulho pra minha família, principalmente pro meu herói que faz tudo por mim, meu pai!” diz o cuera com os olhos lacrimejando como se estivesse descascando uma CEBOLA ROXA.

Leva Hulk como ídolo no futebol e mais que isso, leva consigo uma chuteira do cuera que ganhou de um jogador do Avenida que jogou em Portugal com SUPER HERÓI.

“Sabe, eu fico muito feliz, me orgulho muito de mim. Porque estou seguindo isso e nem penso em parar, tenho muitos amigos que tinham muito mais qualidade ou já tinham jogado em muitos times, que vão ficando pelo caminho, e eu não… Tô nessa ainda, por causa de muito trabalho sabe, muito suor, sempre fui muito desacreditado pela maioria das pessoas quando comecei. Cheguei a ser muito zoado por várias pessoas por sonhar que iria ser jogador, mas aos poucos vou provando pros outros, mas principalmente pra mim mesmo, que basta acreditar, e que sou do tamanho do meu sonho.”

FATO MARCANTE

Ainda quando se aventurava nas escolinhas, em um campeonato com times de fora, presenciou um diretor de time de nome não revelado falando que eles era fracos, que qualquer reserva do time dele era titular na equipe em que Frango jogava e quando foi discordar do mesmo, ouviu um “cala a boca gordinho, tu é reserva, nem fala comigo”. Diante de tamanho XUCRISMO, a mágoa foi inevitável, mas como é melhor calar-se e deixar o outro pensar que és idiota do que falar, calou-se e foi jogar.

Não foi daquela vez que ele mostrou o contrário pro diretor que esbanjava simpatia, e seu time acabou sendo eliminado nas penalidades justo pro time em questão.

Passado algum tempo, já atuando no Santa Cruz, eis que se encontrou novamente com o time e o diretor aquele. E na arquibancada? Lá estava o mesmo diretor que outrora o DESRESPEITARA. Dessa vez o campeonato não era amador e eles precisavam vencer pra não cair fora.

Como em roteiro de novela mexicana, o Galo venceu por 3 x 1, com dois gols de FRANGO.

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“Aquilo foi demais pra mim, ele lembrava de mim e deve ter lembrado de quando me subestimou e de que não deveria ter feito isso.”

Aguardando o reconhecimento de mais uma ave no futebol,

Sabrina Heming.

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