19/09/2010 – 22/09/2013

IMG_20130922_130659Alívio, o velho clichê. Mas não há em nossos dicionários uma palavra que expresse melhor o sentimento vivido e aturdido pelos alviverdes depois do último domingo. Como bem versam os papos nas próximas linhas, cada esmeraldino retirou umas OITOCENTAS toneladas das costas. Mais do que um acesso, o PAPO expurgou as almas que puderam, em festa, saudar a loucura que é deixar essa sucursal do inferno chamada Série D.

O maior indício da eclosão de sensações que desfilaram, assim como as lindíssimas juventudistas, na Rua Hércules Galló e arredores, foi o semblante de cada jaconero. Os olhos de todos os calejados e agitados torcedores traziam consigo esperança, alegria, a convicção de que era o dia. Todavia, quem ama um clube do interior sabe que, para essa população de INSANOS, ter medo é uma norma de conduta.

Resumidademente, só me resta colocar que no transcorrer dos minutos, os olhos de todos foram de um esplendor contagiante para uma atenção quase que congelada no tempo e no espaço. Perto dos 75′, vi pupilas que se dilatavam, ornadas por uma mistura de faces arfantes.

Mas, para o bem do futebol gaúcho, o que saiu de cada par de JANELAS DA ALMA, após o apito do calvo neurastênico que conduziu a partida, foram lágrimas de júbilo, que somadas à chuva PEGA-BOBO que trouxe a Estação das Flores a estes confins, lavaram o coração e a razão dos verde y blancos.

Meu último brado, antes de irmos ao que realmente importa, transcende este clube centenário que teve a dignidade de obter sua vaga com CINCO volantes em campo. A esta instituição apenas me resta dizer: parabéns, Esporte Clube Juventude!

Natan Dalprá Rodrigues

P.S.: antes de seguir a leitura, viva um pouco do que viveram time e torcida neste vídeo da chegada do ônibus do Juventude, via corredor jaconero, além de escutar os minutos finais da partida com a equipe da Rádio Caxias.

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Três anos de agonia. Exatos, praticamente. Dois deles batendo no ferro que sustenta a rede, já que nem na trave chegamos. Daquele domingo ensolarado e triste no Heriberto Hülse ao domingo frio,  chuvoso e redentor que viveu o Alfredo Jaconi no último final de semana, muita coisa aconteceu, algumas delas relatadas aqui mesmo.

Tirando 2011, quando tínhamos ‘vaga assegurada’ na D em função do rebaixamento no ano anterior, todo ano foi necessário recuperar essa vaga vencendo a copa do segundo semestre promovida pela federação. E hoje fica bem claro que esse acesso começou mesmo no bicampeonato da copinha lá no Bento Freitas. Não só pelo título, mas pela noção de que a realidade do clube era aquela e só essa admissão seria capaz de ser o algo a mais que tiraria o Juventude dali.

Já era primavera, embora isso dissesse muito pouco para o clima serrano. Envolto em uma cerração que parecia querer se somar à fumaça dos extintores que seriam disparados na entrada do time em campo, o Jaconi pulsava.  Lá estavam desde aqueles que sempre acreditaram até aqueles que foram acreditando com o tempo ou que somente acreditaram depois do primeiro jogo em Blumenau.

Jogo nervoso. E ruim. Típico de partida que, mais do que um acesso, definiria rumos.  Quase nenhuma chance de lado a lado no primeiro tempo. Cenário que não mudou no segundo, quando o Metropolitano passou a querer mais o jogo, pressionado pelo relógio acelerado e pelo placar inerte. Num estranho contra-ataque – estranho porque o Juventude não atacava para justificar esse nome – o pavor tomou conta do estádio. Faltando cerca de 15 minutos pro fim, o jogador do Metrô recebe a bola livre pela direita, dribla o nosso goleiro e toca em diagonal, quase sem ângulo, rasteira pro gol…

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Diogo, o “Zina” jaconero, que segundos antes havia sido driblado no meio do campo na origem do lance, surge na corrida, já se embolando com Chicão, e marca o maior NÃO-GOL que tenho lembrança no Jaconi, metendo a bola pra escanteio.  O cagaço foi tão grande que, diferente da maioria, não consegui vibrar.  Estava mais puto da cara com o todo o lance em si e a iminência de ver tudo indo por água abaixo de novo que, a partir dali, nem vi mais o jogo direito.  Ia de um lado pro outro, procurando a placa dos acréscimos que não subia e esperando ouvir o apito final que insistia em não acontecer.

Até que aconteceu. A vibração tomou conta do estádio e, após abraçar quem estivesse mais perto, conhecendo ou não, a catatonia tomou conta de mim. Apenas observava a festa dentro de campo, já com o torcedor que invadia o gramado e fazia do passeio no abarrotado carro-maca seu desfile em caminhão de bombeiros particular. Só sentia o alívio de um peso que já se tornava insuportável e a alegria de, enfim, ter de novo um calendário mal e porcamente decente.

Pode parecer pouco pra quem não acompanha o Juventude. Não foi. Foi fundamental. E não apenas pra seguir sonhando subir mais degraus dessa escada…

Franco Garibaldi

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O dia 22/09 deve, e vai, ficar marcado por muito além do que um acesso.  Este duro 0 a 0, debaixo de muita água, foi mesmo para lavar a alma. No ano do centenário, completamos TRÊS anos no INFERNO da última divisão nacional. E, apesar dos fiéis papos estarem sempre ali, ao lado de quem quer que fosse vestindo as cores esmeraldinas, a subida a um patamar ao menos que possa se dar ao luxo de ser, de fato, chamado de CAMPEONATO, era questão de SOBREVIVÊNCIA.

A agonia de ficar tanto tempo na VÁRZEA que é a Série D nacional – lugar onde gandula vira zagueiro – estava nítida nas palavras e expressões dos papos que jamais pensaram em abandonar o time. Durante o PULSANTE corredor jaconero, expressões como: “é hoje, acabou o Inferno!”, “chega de tristeza, a partir de agora é só alegria!”, entre tantas outras que reverenciavam uma tentativa de LIBERTAÇÃO do torcedor Papo daquela dura realidade, eram comuns.

Certamente, muito pelo vivido principalmente nos dois últimos anos. Desta vez, vi um time, direção e até a própria torcida com os pés no chão, mais cautelosa, sabendo que o sucesso só vem com trabalho e não com todo aquele alarde DESNECESSÁRIO que, lá no início do TORNEIO, já havia me chamado a atenção.

Se estando IN LOCO, podendo acompanhar lance a lance com os olhos vidrados nas jogadas, a tensão e o nervosismo de saber que um mísero crime catarina colocaria tudo água abaixo quase que provocava um ataque cardíaco neste que vos escreve, o que poderia dizer dos 25 minutos finais de jogo? Digo isso, pois, compromissado com a missão profissional de ter que trabalhar logo após o apito final de Pablo dos Santos Alves, tive que deixar a Jaconera e correr até o trampo, tentando escapar da chuva, desviando das INÚMERAS poças d’água e, ainda, tentando, de alguma maneira, que os MALDITOS fones PARASSEM nos meus ouvidos.

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Era o corpo se dirigindo até o centro da cidade e a cabeça totalmente tentando enxergar o jogo através da voz de Gilberto Júnior no radinho.

Pedro Torres

(textos com fotos do jornal Pioneiro – confira a galeria completa de imagens do jogo – e do arquivo pessoal; veja também o blog dos Papos da Capital para mais fotos dos torcedores)

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8 Respostas a 19/09/2010 – 22/09/2013

  1. Getulio diz:

    Subiu o meu Verdão !!! Alegria , alegria. Galinhada, ponham as barbas de molho porque ano que vem vai ter ca-JU no inferno da série C e vocês irão pagar com juros e correção monetária os fatos de 2010. Juventude, o maior do interior. Papada, a maior e mais fanática!!

  2. Douglas diz:

    Pobre Getúlio, embora eu tenha muita vontade de ter um CAju pra quebrar o saltinho de vocês mais uma vez, acho que tu vai ter que esperar. Já tão com o ego lá em cima de novo, mas vão desmontar o time, e na primeira baixa que tiverem voltarão a botar meia dúzia no estádio. Te conhecemos papada.

    ps. Mas parabéns pelo acesso e pelos textos do Franco aqui no blog.

  3. João Alberto diz:

    Já tá com medinho Douglas. Tratem de subir se naum vai ficar ruim pra vcs seus amarelão…
    Dá-lhe Papo , sempre vencedor, aqui tem título todo ano, é copa RS – bicampeão, título do interior, tri campeão de juniores , acesso a série C. Essa é a nossa realidade e a de vcs, cai caixias, patrimônio da série C.

  4. Gustavo diz:

    Pagar com juros e correção monetária??? AHAHAHAHHAHAHAHAHAHAHHAHAHAHAH
    Pára…bebeu o que na comemoração para achar em algum momento que vocês conseguem alguma coisa como pagar de volta um rebaixamento com gol aos 51′????? Esse tá na história, vocês tem que penar muito na C…calma…sossega o faixo que aqui o ano nem acabou ainda…

  5. Douglão Jaconero diz:

    Ae xará do co irmão. Qual é? Só porque estamos comemorando justamente nosso acesso estamos de salto alto ? Para aí, quem cria essas lendas de arrogância são vcs mesmo. Vai pra página do teu clubinho , cai fora daqui , nos deixe em paz , comemorando mais uma conquista, que aqui no Papo é no mínimo uma por ano meu caro. E tratem de subir que essa série C tá uma barbada, só tem timinho é obrigação pra vcs, mas não sei não já que vcs sempre morrem na praia…

  6. Antenor Vargas diz:

    Texto do site do JU escrito por um dos maiores juventudistas de todos os tempos:
    A COPA DO MUNDO É NOSSA!
    Enviada em: 24/09/2013 02:20:11
    Por Francisco Michielin
    Vocês pensam que é exagero? Conquistar o acesso para a Série C representa a saída de uma UTI em estado terminal. Era o inferno dentro do inferno. A Série D, pela sua concepção e formatação, é injusta e ingrata. Não podíamos mais ficar respirando por aparelhos, a cada ano obrigados a desfrutar de uma vaguinha, na base do ganha ou morre. A dimensão de uma série para outra pode não parecer, mas é fantasticamente imensurável. Não há parâmetros de comparação. Com a Série C alcançada tudo melhora. Há calendário, os jogos são em turno e returno, todos contra todos, em casa e fora. Ou seja: uma competição decente. Mas, além disso, muito acima, está o retorno do clube para uma posição mais condizente e, sobretudo, mais digna. Agora, aliviada, a direção tem tempo suficiente para planejar a retomada de planejamentos compatíveis com a grandeza do JU. Sem afobações e precipitações. Foi, sem dúvida, uma conquista gigantesca, cujas proporções muita gente ainda não se deu conta, a ficha sequer caiu. O tempo dirá que não há exagero algum em se considerar esse ritual de passagem como uma verdadeira vitória ao estilo de Copa do Mundo. Sem esquecer ninguém, prefiro não ficar desfiando muitos nomes. Entretanto, sou eternamente grato aos jogadores, cujo grupo se mostrou de alto caráter e de entrega total. A todos eles, o meu grande abraço. O “Lisca Lôco” merece todos os elogios possíveis, ele que desde que assumiu só soube dar recados otimistas, mesmo nos momentos mais críticos. Prometeu que passaria o Juventude para a Série C. Cumpriu. E mostrou o quanto conhece de futebol. Citando Raimundo Demore, cumprimento todos os esplêndidos componentes da Diretoria. Foram dedicados, devotados, esforçados e eficientes. Comeram do ruim e do pior, sem jamais jogar a toalha. Aí estão o Jones Biglia, o Roberto Tonietto, o Adão Marques, o Maurício Grazziottin, O Jerônimo Dani, o Emir Alves e tantos mais. Os ex-presidentes tiveram uma atuação marcante e sempre presente nas horas mais necessárias. Todos os funcionários deram o seu melhor, trabalhando, sofrendo, lutando para construir o nome do Juventude cada vez mais e com maior intensidade. E a Papada demonstrou que existe mesmo, que está viva, ressuscitada e feliz, dotada de uma força espetacular, tornando o Alfredo Jaconi um dos estádios com mais características de “caldeirão”. Que torcida maravilhosa! A Maior do Interior! Nós acreditávamos. Nós somos Jaconeros. Vamos subir Papôoo! E nós subimos!!!

  7. Lisandro diz:

    saimos do fundo do poço, mas ainda há mto pra subir. agora foco pra vaga na copa do Brasil na copinha e ano que vem união total novamente pra subir pra serie B. Estes anos serviram pra refinar a torcida, que mostrou sua força na reta final da d e som certeza levará o time pra serie B.
    Vamo Juve.

  8. Pingback: Uma ilha alviverde cercada de azul por todos os lados | Toda Cancha

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