It’s Schulle time!

IatamDurante a passagem de Sir Alex Ferguson pelo Manchester United os Diabos Vermelhos conquistaram diversas vitórias e empates nos minutos finais de suas partidas, sendo o caso mais famoso a decisão da UEFA Champions League de 1998/99, quando os ingleses venceram o Bayern por 2×1 com dois tentos depois do tempo regulamentar. Era comum ver o manager escocês pulando no reservado e implorando ao juiz um tempo a mais para vencer. Numa realidade totalmente diferente algo semelhante acontece com o Novo Hamburgo comandado por Itamar Schulle, para desespero dos corações anilados.

A primeira vez que o Noia experimentou o sabor de uma vitória heroica nos acréscimos foi no Gauchão de 2012, quando Paulinho Macaíba decretou o triunfo anilado por 3×2 diante do Juventude aos 46 minutos da etapa complementar, levando a equipe à final da Taça Piratini. O que os anilados não saberiam é que aquele evento deixaria de ser aleatório para tornar-se regra um ano depois – e com finais felizes.

A rotina iniciou-se no Gauchão de 2013, quando o Noia lutava contra um rebaixamento praticamente decretado. Na penúltima rodada da Taça Farroupilha Leonardo Cipriano marcou um golo impossível aos 49 minutos do segundo tempo diante do Lajeadense, no Estádio Alviazul, empatando o jogo e dando ao Anilado um pontinho importantíssimo na fuga contra degola. Na rodada seguinte o Noia segurou o 0x0 com o Grêmio e terminou exatamente um ponto acima do primeiro rebaixado.

Nas competições do atual semestre essa característica passou a ser intrínseca ao time de Itamar Schulle, adjetivando seu elenco como brigador e que não se entrega así no más. A primeira amostra veio nas Oitavas-de-Final da Copa Willy Sanvito. Após perder para o São Paulo por 3×1 em Rio Grande, o Novo Hamburgo conquistou a vaga com um gol de Juan Sosa aos 52 minutos da etapa final e a necessária vitória por 2×0.

Juan Sosa marca nos acréscimos e classifica o Noia na Willy Santivo (Foto: Michel Prezzi/ECNH)

Juan Sosa marca nos acréscimos e classifica o Noia na Willy Santivo (Foto: Michel Prezzi/ECNH)

No primeiro turno do Metropolitano o Anilado buscou a vitória diante o Cerâmica, em Gravataí, aos 39 minutos da etapa complementar, em belo chute de Marquinhos. A vaga na final passou a ser construída quando Meirelles cobrou falta com maestria aos 41 minutos do 2º tempo contra o Inter, no Estádio do Vale, e virou o jogo para 2×1 – na partida de volta na semi-final, em Alvorada, Eliomar marcou no empate em 1×1 que deu a vaga ao Noia.

A taça do 1º turno só veio aos 48 minutos do 2º tempo da finalíssima, quando Lucas Santos encobriu o goleiro Axel e decretou o 1×1 contra o Aimoré. Com a vaga na final do campeonato já garantida, o Anilado passou a jogá-lo com seu time reserva, mas com a mesma característica ‘enfartante’: o importante empate em 1×1 com o Grêmio, em Eldorado do Sul, foi conquistado graças ao gol fatal de falta de Meirelles, no último lance da partida.

Os titulares mantiveram a pegada durante as demais etapas do mata-mata da Willy Sanvito: após empate em 0x0 com o Tricolor de Porto Alegre fora de casa, a vitória por 2×0 só foi consolidada nos segundo derradeiros, com gol de Bruno pouco antes do apito final, levando o Noia às semi-finais. Diante do Pelotas, brioso adversário da etapa seguinte, o Noia perdia em casa até os 44 minutos do 2º tempo, quando Peixoto deu uma casquinha salvadora e manteve a invencibilidade de 7 meses do Anilado no Estádio do Vale.

Bruno decreta a vitória anilada no último giro do ponteiro diante do Grêmio (Foto:Michel Prezzi/ECNH)

Bruno decreta a vitória anilada no último giro do ponteiro diante do Grêmio (Foto:Michel Prezzi/ECNH)

Na Boca do Lobo o Noia pariu um empate em 1×1 com o áureo-cerúleo, levando a decisão aos penais. E nas cobranças da marca da cal o Anilado levou a melhor, com triunfo de 4×2 e a vaga na final diante do Zequinha, com as partidas marcadas para os dias 20 e 27 de Outubro. Tempo curto, porém suficiente para os anilados realizarem um check-up completo e recarregarem as baterias de seus desfibrilador – não à toa um dos patrocinadores do Novo Hamburgo é uma clínica médica.

Essa característica de uma equipe brigadora até o último trilar do apito é um alento aos anilados de quatro costados, acostumados com desfechos tristes em outros tempos. É um momento diametralmente oposto ao vivido durante o Gauchão de 2007, quando o time treinado pelo lamentável Abel Ribeiro deixou escapar diversas vitórias nos minutos derradeiros – entre elas uma vitória diante do Internacional, recém Campeão do Mundo, e a classificação ao mata-mata diante do rebaixado Glória, ambas em casa.

Sosa disputa bola pelo alto contra o Pelotas: classificação heroica veio nos pênaltis (Foto:  Carlos Queiróz/Diário Popular)

Sosa disputa bola pelo alto contra o Pelotas: classificação heroica veio nos pênaltis (Foto: Carlos Queiróz/Diário Popular)

E o Novo Hamburgo chega à sua segunda decisão desse semestre não apenas por ter um time brigador, mas por ter um elenco bom e homogêneo que ultrapassa os males provocados pelo calendário bizarro feito por quem comanda o futebol gaúcho à base da tirania. Entre 30 de Setembro e 20 de Outubro o Noia terá realizado ONZE partidas; ou seja: o Anilado entra em campo a cada dois dias, sem tempo para treinar ou descansar seus atletas. Assim a saída encontrada foi dividir o elenco em dois: os titulares jogam a Copa Willy Sanvito e os reservas o Metropolitano – hoje o Noia enfrenta o Inter em casa, já classificado e bastando um empate para garantir a liderança e as decisões em casa.

No próximo domingo Itamar Schulle disputará sua terceira decisão em 72 jogos oficiais pelo Anilado, objetivando a taça, uma vaga na Copa do Brasil e na Supercopa Gaúcha. Mas seu histórico recente mostra que os anilados viverão emoções suficientes até o último giro do ponteiro semana que vem – e a permanecer a rotina, com mais sorrisos de felicidade estampados em seus rostos.

Com o cartão Unimed em dia,
Zezinho

(Título do texto foi sugestão de Chico Luz, jornalista, músico e dançarino)

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Um comentário em It’s Schulle time!

  1. Daniel Meinhardt diz:

    Tudo show, mas em 2007 conseguimos uma bela vitória nos últimos minutos, juventude 2 x 3 Nóia, com dois gols de Joilson. Se não me engano era abel ribeiro o treinador.. abraços

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