Novo Hamburgo é campeão da Copa Willy Sanvitto e está na Copa do Brasil de 2014

Elenco anilado com a taça: Noia superou São Paulo, Grêmio, Pelotas, São José e uma insana maratona para conquistar o bi-campeonato da Copa FGF

Elenco anilado com a taça: Noia superou São Paulo, Grêmio, Pelotas, São José e uma insana maratona para conquistar o bicampeonato da Copa FGF. (Foto: Giovani Junior)

Depois de longos 8 anos de espera, troca de estádios, renúncias de presidentes, finais de turnos, eliminações doídas e brigas contra o rebaixamento o Novo Hamburgo volta a levantar uma taça e retorna às competições nacionais. O bicampeonato da Copa FGF (homenageando, esse ano, Willy Sanvito) veio com um renhido empate diante do São José, batizando o Estádio do Vale e consagrando o trabalho praticado no Anilado, capitaneado por Itamar Schulle.

Tal como em 2005 a conquista do título veio após um Gauchão fraquíssimo, o medo do descenso e da insolvência. Tal como em 2005 veio com um empate em 1×1 em casa após ter vencido o jogo de ida. Para que as boas coincidências continuem acontecendo falta a conquista da Supercopa Gaúcha e a consequente vaga na Série D do Brasileiro, reais objetivos desse semestre – e aos quais o Noia está a apenas dois jogos de alcançá-los.

Não pensemos, contudo, que o caminho para o título foi florido e não deixemos que a glória redentora esconda os erros de ontem. Por pouco o Noia não ficou a ver navios. Visivelmente nervoso e apático, o time da casa foi envolvido na maior parte do jogo pelo bom time do São José, que, se mantiver a base, fará bonito no Gauchão vindouro.

Se depois do primeiro encontro o gajo já arrancou um sorriso e um par de beijos da amada, no encontro posterior não pode perder a chance de selar o compromisso. Não adianta de nada tosquiar a melena, passar uma graxa no cabelo, vestir-se bem, fazer a barba, escovar os dentes, passar uma água de cheiro e tomar um banho de sanga se não mostrar CONTIÚDO e pegada. Se ESCOLHER ESPERAR o momento certo, a bela escapa de suas mãos e vai bailar com outro rapaz menos falante e mais atuante. O Zeca esteve à espreita de roubar a taça do atônito anilado.

Síntese do jogo: Rafael Ceará acuado pela marcação dobrada do São José (Foto: Giovani Junior)

Síntese do jogo: Rafael Ceará acuado pela marcação dobrada do São José (Foto: Giovani Junior)

O Noia manteve a compostura na primeira etapa graças às atuações de Mazinho e Jô, a reprodução da SENSUALIDADE em forma de amor pelas bandas do campo. O ponta-esquerda lembrou os tempos de São Paulo, permaneceu em evolução e infernizou a defesa porto-alegrense, quase abrindo o placar em bom chute de fora da área. O mesmo fez Jô pela ponta-direita, com seu chute detido por Luis Carlos.

Contudo a meia-cancha anilada padecia. Alberto saiu com menos de 10 minutos e Rafael Ceará teve que se desdobrar na marcação para ajudar o descontado Bruno e o perdido Rafael Mineiro. O resultado foi uma sucessão de faltas bobas e perigosas cometidas próximas à área, justamente num adversário que tem as qualidades de Alexandre Bindé e Rafinha para baterem na bola e Ramos como cabeceador.

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Mazinho foi um gigante pela ponta-esquerda (Foto: Giovani Junior)

O começo da segunda etapa teve um verdadeiro BAFÃO do Zequinha, aumentando a pressão e o domínio. Após uma bateria bolas aéreas venenosas salvas por Vitor, Rafinha cobrou falta no fedor, ninguém tocou na bola e a redonda morreu no fundo das redes aniladas. Inicialmente o bandeira hesitou em validar o gol, visto a posição irregular de Ramos, mas como o capitão do São José não tocou na bola o tento foi assinalado.

Logo após o revés, Itamar Schulle finalmente mexeu na equipe e pôs Eliomar no lugar do apagado Giovane. O amuleto do treinador deu vitalidade à equipe e recolocou Mazinho e Jô no jogo, além de ressuscitar Brandão, que mais parecia um volante em meio aos zagueiros adversários do que necessariamente um camisa 9.

O ingresso de João Neto no lugar de Bruno com a consistência necessária ao Noia para cozinhar a peleia e conter os avanços do São José. O Noia retomou o controle da partida e foi em busca da felicidade, compensada aos 37 minutos da etapa final: Mazinho cobrou falta na ponta-direita e Juan Sosa deu a CASQUINHA redentora, empatando a partida. Nada mais justo que o capitão uruguaio, que fizera o gol da classificação heroica diante do São Paulo no primeiro mata-mata, fosse o escolhido para selar a conquista.

Capitão Juan Sosa explode em alegria após o gol, juntamente com Jô, Eliomar, Peixoto e João Neto (Foto: Giovani Junior)

Capitão Juan Sosa explode em alegria após o gol, juntamente com Jô, Eliomar, Peixoto e João Neto (Foto: Giovani Junior)

Porém era necessário um pouco mais de drama. Nos últimos giros do ponteiro, João Neto cometeu pênalti bobo e Rafinha foi para a marca da cal, revivendo as esperanças alvi-azuis. Mas Vitor pulou como um GATO e espalmou a bola em direção a BR-116. O goleiro reserva anilado, que substituíra o suspenso Max, tinha a desconfiança desse escriba devido às suas falhas em jogos do Metropolitano, notoriamente na saída da goleira. Sua atuação ao longo dos 90 minutos já o credenciava a ser um dos melhores em campo e a consagração veio com o pênalti defendido.

O trilar do apito de Márcio Coruja foi a senha para a invasão do gramado por parte de torcedores e dirigentes, como deve ocorrer em toda e qualquer comemoração de título, com a camisa do time no corpo ou a do adversário trocada após o prélio, sem camisetas prontamente confeccionadas para a celebração. Juan Sosa ergueu a segunda Copa FGF da história do Anilado e colocou o Novo Hamburgo como maior vencedor dessa competição, ao lado de Juventude e Internacional.

Apesar da enchente que abateu Novo Hamburgo, torcida anilada compareceu e fez a festa (Foto: Inézio Machado/GES)

Apesar da enchente que abateu Novo Hamburgo, torcida anilada compareceu e fez a festa (Foto: Inézio Machado/GES)

É o coroamento de uma diretoria com culhões e bigodes, que não acredita em justiças divinas, que não faz troças com rivais, que não tem problemas em emprestar seu estádio às visitas. De uma diretoria que trabalha arduamente, que salvou o clube do rebaixamento e que prometeu time forte no segundo semestre e taças. O resultado de ontem mostrou que as palavras de Everton Cury, Juarez Radaelli e Elói Santos não são rompantes jogados ao vento.

Itamar Schulle entra, em definitivo, para a história do Novo Hamburgo, ao lado de Otto Pedro Bumbel, Carlos Froner, Ernesto Guedes, Tadeu Menezes, Vacaria, Chicão e Gilmar Iser. Tem ainda o segundo turno do Metropolitano pela frente e a Supercopa. Tem 180 minutos para dar ao Noia um calendário nacional para todo o ano. Tem muito mais para dar e se consagrar.

Que esse sonho delirante permaneça por mais tempo e que acordemos com a certeza que os transformaremos em realidade, vestindo novos faixas sobre nosso manto anil.

FICHA TÉCNICA

NovoHamburgo_45x45Vitor; Rafael Mineiro, Zé Carlos, Juan Sosa e Peixoto; Alberto (Rafael Ceará), Bruno (João Neto), Geovani (Eliomar) e Mazinho; Jô (Lucas Santos) e Brandão (Chico). Técnico: Itamar Schulle
sao_jose_porto_alegre_45Luis Carlos; Bindé, Marcelo Oliveira, Everton Alemão e Jeanderson (Fabinho); Jonas (Zezinho), Ramos (Diego Borges), Felipe Guedes (William) e Rafinha; Jean Silva e Franciel (Arthur). Técnico: Beto Campos

Gols: Rafinha (SJ) aos 8′ e Juan Sosa (NH) aos 37′ do 2º tempo.

Campeão e querendo mais,
Zezinho

 

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3 Respostas a Novo Hamburgo é campeão da Copa Willy Sanvitto e está na Copa do Brasil de 2014

  1. Marcelo Alves diz:

    Como sempre, belo texto do Zezao anilado !!!!, VAMOS NOIA !!!!!!, SEMPRE !!!!!

  2. Leandro áureo-cerúleo diz:

    parabéns ao Nóia; mas que tristeza esta foto do título com distintivo do Inter no fundo… é o fim do futebol gaúcho!!!

  3. Sensacional texto!
    Zezinho, tu és foda.
    Ao Noia, parabéns duplo: dribla na administração racional, faz golaços nas competições emocionantes.
    Força, Noia! Dale, Noia!

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