Uma ilha alviverde cercada de azul por todos os lados

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Destinado a ser um wanderer de sangue doce na reta final da série D 2013, após a punição de dois jogos de perda de mando de campo pelos incidentes contra o Londrina, o Juventude seguiu seu caminho rumo ao título do campeonato após conquistar o título que realmente interessava no ano: o acesso à série C 2014.

Após eliminar os mineiros do Tupi, aplicando um 4 a 0 que ficou barato para os visitantes jogando em Lajeado (0 a 1 para os locais na volta, em Juiz de Fora), a tabela finalmente afunilou para o confronto em Juventude e Botafogo-PB. Por exigência do regulamento da CBF, a final teria que ser decidida em estádio com capacidade mínima para 10 mil transeuntes (termo que bem define uma torcida impedida de ocupar sua própria casa), além de ser distante ao menos 100km de Caxias do Sul (punição imposta pelo STJD). Descartados o Colosso da Lagoa (longe demais e o gramado não estaria bom) e o Passo D’Areia (que não tem sequer gramado), além da Arena Alviazul do Lajeadense, por não possuir a capacidade mínima exigida, caiu no colo da Arena Porto-Alegrense a primeira final de sua ainda curta história.

Com apenas a parte da geral destinada à torcida do Juventude (depois foi colocado um setor de cadeiras, ao preço ‘simbólico’ de 120 moedas das grandes), estava lançado o desafio à papada: preencher aquele espaço de cerca de 5 mil lugares, tanto para mostrar sua capacidade de mobilização – afinal, era o retorno a uma final nacional 14 anos depois – como para tentar anular a neutralidade que um estádio quase vazio proporcionaria a uma decisão.

E a papada não negou fogo. Num comboio que contou com 30 ônibus fretados, somados a excursões paralelas à organização do clube, carros particulares, avulsos vindos em ônibus de linha e papos já residentes na região metropolitana, a torcida do Juventude emulou uma lateral do Jaconi ontem na Arena, fazendo festa, muito barulho e pintando de verde e branco o local a ela destinado.

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Provando minha jaguarice em termos de localização quando desprovido de um GPS, cerca de meia hora antes eu ainda vagava pela estrada tentando localizar o estádio depois de descer do lado errado da estação Anchieta do Trensurb. Nada que uma corrida alucinada não resolvesse. Chegando no estádio, algo que me surpreendeu: faltando 20 minutos pro jogo, uma baita fila para compra de ingressos, com muita gente acessando o estádio já com o jogo em andamento.

Mal começa o jogo e o Ju mete aquela pressão habitual do time que joga em casa (ok, vocês entenderam). No primeiro ataque forte, a bola sobra pro Zulu que gira e carimba a trave. Nem meio minuto após, aos 3′, o mesmo Zulu ganha do lateral pela esquerda e antes do bico da área, solta uma pancada, a bola sobe alta e cai no ângulo do goleiro paraibano, inflamando a papada no gol mais bonito do novo estádio até agora. Mas aos poucos o Botafogo equilibrou as ações, empurrando o papo pro seu campo, embora levasse maior perigo apenas na bolas paradas.

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No início do segundo tempo, os paraibanos chegaram forte e, após cruzamento rasante, Rafael Aidar, viajero do interior gaúcho, pegou de primeira. O jovem goleiro Airton, campeão gaúcho júnior no primeiro semestre, ainda tocou na bola mas era o empate botafoguense. Menos mal que, aos 24 finais, Rodrigo Possebon sentou a bota de fora da área, a bola explodiu no travessão e sobrou na cara de Paulo Josué, que recém havia entrado, e apenas completou para o gol vazio, definindo o placar (assista aos gols aqui, especialmente a BUCHA no negão matador Zulu).

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Com o final do jogo, aquele que foi o último do grupo que conquistou o acesso em terras gaúchas esse ano, todos foram até a torcida agradecer o apoio e a confiança, reconhecendo a importância da simbiose entre time e torcida para o sucesso em 2013. E, pelos gestos de Lisca, abanando como se estivesse dando adeus, fica a impressão de ele não deve mesmo ficar para o próximo ano.

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Agora é tudo em João Pessoa, dia 03/11, no Almeidão, que está passando por reformas e cuja capacidade também estará limitada em 10 mil presentes, embora provavelmente com lotação máxima. Aliás cabe o registro: na volta para o centro de Porto Alegre, de ônibus, voltei com três torcedores do Belo (apelido do Botafogo-PB). Turma muito boa, com a qual se trocou informações, impressões, desejos de bom retorno e tudo mais que pessoas civilizadas fazem (ou deveriam) após o término de uma partida de futebol. Fato que contrasta, e muito, com o ambiente já tradicional de apedrejamentos de ônibus (ontem, na chegada e na volta para Caxias, ferindo ao menos uma pessoa), o que torna compreensível a atitude da Brigada Militar, que barrou a entrada na Arena de torcedores com a camisa da dupla da capital. Afinal de contas, se não podemos conviver pacificamente entre nós…

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Torcendo por um histórico e tradicional 0 a 0 copero na volta, tônica dos momentos mais marcantes da história da papada,

Franco Garibaldi

(com fotos de arquivo pessoal, do site oficial do Juventude e de registros diversos da papada lá presente)

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5 Respostas a Uma ilha alviverde cercada de azul por todos os lados

  1. Louco do papo diz:

    Baitaa texto!!

  2. Victor diz:

    mandou muito Franco!!!

  3. Francisco diz:

    Grande texto Franco. Show da Papada na arena oas, a maior e mais fanática torcida do interior do RS. E tinha gente que há 1, 2 anos atrás dava o Ju como morto no cenário nacional, pois no gaúcho sempre somos os grandes do interior …..Voltaremos !!!

  4. diogo Cassina diz:

    Demais Franco, como sempre!!! Que torcida é essa!!!

  5. Eduardo diz:

    O que aconteceu em POA é para o tal do André Silva da rádio gaúcha calar a boca. Em um jogo de campeonato gaúcho entre GrêmioxCerâmica ele disse: “tem clube tradicional do interior do Estado que coloca menos torcida que o cerâmica aqui em POA”. O JU nao é uma ilha só na arena, é uma ilha no RS também.
    Parabéns pelo texto,abraco.

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