Luverdense 2×0 Caxias – A luta inglória do interior do RS

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O Caxias perdeu no último domingo pro Luverdense, dando adeus ao sonho de chegar à série B de 2014. Sobre o jogo, muito já se falou e se escreveu: tomamos dois a zero (quando necessitávamos fazer esse mesmo resultado), o time foi apático pra uma decisão, o Luverdense mostrou uma equipe compacta e bem organizada, mereceu pelo que fez em campo. Talvez perdemos na falta de qualidade, talvez na falta de raça, talvez perdemos pra nós mesmos e novamente os que ficam (direção e torcida) sofrerão as consequências. Ponto final.

Dito isto, vamos ao que realmente importa sobre o futebol do interior do RS, a existência desse site e algumas palavras emblemáticas do por quê esta é uma luta inglória.

Ao desembarcar em Lucas do Rio Verde, Francisco Noveleto, presidente da Federação Gaúcha de Futebol, parecia apenas estar cumprindo com a sua função, que seria, na teoria, defender os interesses de seus afiliados. Vale lembrar que em 2013 apenas um clube do RS teria a chance de subir ao segundo escalão nacional do futebol, o que mostra que as coisas não estão nada bem para uma federação que outrora teve relativa importância.

Pois bem, agora chego no ponto que quero tocar e que ELUCIDARÁ para os que são de fora da província (e alguns – não todos – que estão dentro, mas o campo de visão só enxerga duas cores) como o futebol do Rio Grande do Sul vem sendo conduzido e uma bela razão pra abandonar a maior das pequenas coisas que importam, o futebol.

ESCUTEM este áudio, a entrevista do presidente da Federação GAÚCHA de Futebol para a Rádio Atitude AM, minutos antes da decisão da vida de um de seus afiliados.

Repito, escute o áudio. Amanhã pode ser o seu clube.

CLIQUE AQUI PARA OUVIR O AÚDIO

Bem, é isso. Enquanto milhares de pessoas se movem em torno de um ideal, parte da cúpula trai, sem dó. Como retratado no filme Coração Valente, quando Robert The Bruce abandona William Wallace no campo de batalha após prometer o apoio de suas forças na luta pela independência (e sobrevivência) da Escócia, Noveletto preferiu o afago da soja e a campanha pelo trono da CBF.

Fomos nós, mas poderia ter sido qualquer outro do interior. O time do Caxias foi apático, um reflexo muito adequado para o que a FGF proporciona ao seus afiliados. Não merecemos o acesso, mas se algum dia o merecermos, quem estará lá para dar suporte? O futuro é negro, a luta é inglória e somos bastardos renegados pela própria federação. Bastardos inglórios.

Tiago Zilli

(Foto: Rodrigo Mateus/RBS)

Publicado em 2013, Caxias, FGF, Série C, Série C 2013 com as tags , , , , , . ligação permanente.

9 Respostas a Luverdense 2×0 Caxias – A luta inglória do interior do RS

  1. Fernando diz:

    Há males que vem para o bem.

    Esse discurso é um absurdo, mas ao menos nele dá pra enxergar que essa política toda do Noveletto, elogiando o Presidente da Federação Mato-Grossense de Futebol, indica que ele deverá concorrer à CBF ano que vem.

    Tomara que concorra e vença. Quero ele muito longe da FGF. É um câncer pro futebol gaúcho. Com ele, nosso futebol se enfraqueceu severamente: até esse ano, não tivemos nenhum acesso em nível nacional (só o Juventude conseguiu, esse ano). De resto, são os rebaixamentos sucessivos do Ju e aquela perda absurda de pontos por parte do Brasil-PE que culminou com o rebaixamento do clube à Série D – e que revelou que o mandatário da FGF não se esforça por seus clubes.

    A realidade é que nosso futebol agoniza. Para os times da TERCEIRONA, por exemplo, não se dá apoio algum, já que o objetivo é “terminar de construir a sede da FGF”. Ontem li que o Rio Grande, clube mais antigo do Brasil, cogita se licenciar em 2014.

    Enfim, as coisas estão todas muito bem escancaradas à nossa frente. Acho que o grande problema são justamente os times da Série A. Esses, seduzidos pelo dinheiro que a TV injeta no Gaúchão e que lhes é repassado, não querem bater de frente com a FGF.

  2. O pior que o último Presidente de um clube gaúcho que lutou contra a corja da FGF, foi o Osvaldo Voges. Foi em 2010/2011, quando o Voges reuniu os clubes do interior, para não assinarem o contrato com os valores dispostos para o Gauchão de 2011. Todos estavam unidos, mas quando o Noveletto entregou os papéis, todos assinaram, menos o Voges.
    Não é a toa que Noveletto deve de ir para Chapecó, quando o Caxias jogava lá pela Série C, para conversarem sobre o assunto.
    Como todos os presidentes dos clubes do interior deixaram o Voges na mão, ele foi obrigado a assinar o contrato com aquela cota já estabelecida.

    Hoje Grêmio e Internacional lutam para uma melhor divisão das receitas de televisão/CBF pelo Campeonato Brasileiro. Já que os clubes do eixo Rio-São Paulo, principalmente Corinthians e Flamengo, arrecadam mais.
    Mas na mesma forma, eles arrecadam quase 80% dos valores da FGF/RBS do Gauchão, sendo que sobre menos de 20% para todos os outros clubes.

  3. Franco Garibaldi diz:

    Esse abostado do Noveletto seguir comandando nosso futebol se dá por um motivo especial: todos os clubes estão em sua mão. Seja pela quota que recebem a cada gauchão, seja por dívidas que estem possuem com a própria federação (ou até com o próprio mandatário), a questão é que clube algum se rebela contra a FGF por medo. E mesmo que se tente algo, no final a maioria rói a corda pra não ficar de filme queimado com o poderoso.

    O mais curioso é que os clubes parecem não compreender que quem decide quem senta naquela cadeira são eles. Se forem até o fim numa chapa de oposição, o cara cai do cavalo e eles assumem novamente seu destino. Ou é muita cagalhonice ou então é completo despreparo de ao menos um dirigente dos nossos clubes que seja pra assumir a bagaça.

  4. Fernando diz:

    Alan,

    É verdade. Eu acho muito injusta essa divisão do Gaúchão. Óbvio que Inter e Grêmio são os times que têm seus jogos televisionados, mas vale lembrar que disputam grande parte do certame com suas equipes reservas. Sempre relegam o Estadual a um segundo plano, quando disputam Libertadores e/ou Copa do Brasil.

    Outro problema que enxergo: como não existem competições atrativas no segundo semestre, os clubes se desestimulam a fazer investimentos no período. Decorrência lógica, temos desempenhos pífios em competições nacionais – esse ano o Juventude foi uma exceção.

    Uma possível solução? Tirar uma fatia dessa importância que Grêmio e Inter recebem – se é 80%, que recebam 60% -, e repassar essa fatia aos times que se ativam nas Séries D e C do Brasileiro no segundo semestre. Seriam recursos importantes para essas equipes, que assim poderiam montar elencos competitivos para disputar os certames. As chances de acesso seriam maiores.

  5. Diego Tomazzoni diz:

    Realmente, no futebol do interior enquanto tivermos a frente esse sujeito seremos bastardos inglórios. Enquanto outras federações como a mineira e a catarinense se destacam pelo incentivo ao futebol do interior, no RS o Noveleto empobrece e decepciona os clubes do interior. A falta de incentivo já era fato que comprovava isto e agora essa declaração na rádio vem para demonstrar o desinteresse e a falta de vontade em relação aos clubes do interior. Uma vergonha!

    obs.: Não sabia da tentativa de boicote em relação a assinatura de contrato, infelizmente os clubes também não se ajudam. Acho que esse seria o caminho!

  6. Diogo diz:

    Será que ele pisará no Centenário ainda?
    Espero que sim!

  7. Rodrigo diz:

    Um detalhe, Fernando: a dupla Ca-Ju também tem seus jogos televisionados! Até 2011 eram todos os jogos, tanto em casa como fora. Desde 2012, passaram a ser só os jogos em casa. Ou seja: prejuízo para os clubes, que perdem arrecadação com público. E em 2013 a coisa só piorou. Devido ao televisionamento, a maioria dos jogos do Caxias, por exemplo, ocorreu às 4 da tarde. Ótimo horário? Se fossem em sábados ou domingos. Porém, foram em dias úteis, em horário de trabalho! E adivinha quanto recebemos para compensar o dinheiro perdido com isso? Exatamente o mesmo valor que todos os outros times que não tiveram nenhum jogo em casa transmitido pela TV.

    Eu sou favorável a se utilizarem critérios justos para a distribuição do bolo. Na minha opinião, como a dupla Gre-Nal é capaz de arrecadar muito mais dinheiro devido ao tamanho de suas torcidas, deveria receber, de maneira a promover um equilíbrio técnico no campeonato, um valor semelhante ao recebido pelos outros clubes, como ocorre, por exemplo, nos campeonatos inglês e alemão. Porém, devido à desculpa do “tamanho da torcida”, que legitimaria uma espécie de “lei de mercado imposta”, eles recebem esse absurdo a mais que os demais. Então eu devo perguntar: se utiliza-se o critério de “tamanho de torcida” para os dois grandes, porque não se utiliza para os demais? Por que, segundo o mesmo critério, as duplas Ca-Ju e Bra-Pel, que notoriamente possuem mais torcedores que os demais clubes do interior (em alguns casos, a comparação é semelhante à dupla Gre-Nal perante estes), não recebem uma fatia maior do bolo? Que sejam utilizados critérios semelhantes, ora!

    Mas, na minha opinião, o correto mesmo seria a divisão igualitária. Ou, pelo menos, que 50% da receita seja dividida de maneira igualitária. Os outros 50 poderiam ser divididos de acordo com tamanho de torcidas, ou mesmo o desempenho na edição anterior. Pois acredito que deveríamos ter um maior equilíbrio entre os clubes que disputam o Gauchão. Obviamente, a FGF não concorda com isso, pois tem certeza que o nosso campeonato é extremamente equilibrado, e o interior sempre tem “grandes chances” de conquistar o título, como vimos ao longo da história.

  8. Ricardo diz:

    É pessoal mais um ano nesse marasmo de série c. Tá difícil pra torcida do Caxias, parece que é sempre a mesma história, passa ano é tudo igual, bom vamos por parte.
    O nosso time: o que esperar desse time que não tem homem, olha não leio reportagem sobre o verdes, mas li uns trechos do lisca. O cara falou que tinha um time de mamãezinhas e o nosso time, infelizmente é, não vejo guerreiros. Vejo sempre aquela apatia dos nossos jogadores diante de adversários e principalmente juízes, eles tem medo de abrir a boca, aí é sempre a torcida se esgoelando, gritando quase morrendo pra questionar o adversário e os juízes que vem para o Centenário, eles deitam e rolam aqui. Olha o último time que me lembro que tinha hombridade, foi na época do Mano Menezes. Zilli, faltou tudo para nós como sempre, faltou gana, vontade de ganhar, de crescer, cara eles falam isso, mas não conseguem demonstrar em campo.

    Quanto ao nosso ilustre presidente Novelletto, deixo meus parabéns para este indivíduo, o cara não sabe fazer nada de bom para os clubes do interior, me lembro bem desse episódio do Voges, os outros presidente que que deu??? Todos tem que reunir e questionar sobre valores, os times do interior estão agonizando, olha o que melhorou nessa série c, um pouco cá entre nós, foi a fórmula, porque antes também era um pavor. Foi uma piada essa entrevista e o cara deixou o estádio no meio do jogo, onde isso??? Será que vem para o Centenário Diogo, espero que sim também.

    Quanto a nós torcedores, fica novamente a decepção, a tristesa, o quase, mas deve ter algo muito grande guardado para nós de bom, a torcida como sempre apoiou, fez ações que poucas torcidas fazem, como pintar estádio, dar dinheiro para ajudar o Caxias, e mais umas séries de atitude que é de dar o parabéns, mais um ano, 2014 espero que a atitude de alguns jogadores que irão ficar, mudem, que tenham sangue nos olhos.

  9. Daniel Gremista diz:

    Grande mandato desse fdp, enquanto isso os clubes de SC, ascendendo as divisões superiores…

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