Simply the best

A taça do Trensurb é nossa (Foto: Chico Luz)

A taça do Trensurb é nossa (Foto: Chico Luz)

Ao bater o Internacional por 2×1 no Estádio do Vale e segurar um renhido 0x0 em Alvorada, o Novo Hamburgo ergueu a primeira taça desse repaginado Campeonato Metropolitano e consolidou aquilo que já era conhecido desde às fases regionalizadas da antiga Copa FGF: ao longo das estações do Trensurb quem dá as cartas é o Anilado.

Depois de vencer o primeiro turno e garantir vaga na finalíssima, o Noia deu-se ao luxo de utilizar um time reserva no segundo turno do Metropolitano, enquanto os titulares buscavam o caneco da Copa FGF e o clube fazia o possível para driblar a insana maratona de 19 jogos em 44 dias.

O misto de suplentes e aspirantes encarou como um vestibular o returno do campeonato, pois sabia que um bom desempenho lhe garantiria vaga entre os ditos titulares. Esse é um mérito de Itamar Schulle: seu time ideal não é imutável e quem está no reservado sabe bem que será recompensado se trabalhar direitinho. Foi assim com Mazinho, que depois de mostrar serviço no Metropolitano garantiu a camisa 11 do time de cima e foi destaque nas finais da Copa FGF.

Diego e Paulinho mostram a Itamar Schulle que manjam dos paranauê (Foto: Diego da Rosa/GES)

Diego e Paulinho mostram a Itamar Schulle que manjam dos paranauê (Foto: Diego da Rosa/GES)

Rafael Mineiro, Juan Sosa, Zé Carlos e Peixoto deram lugar a Lucas Staudt, Diego, Puyol e Marquinhos; enquanto Alberto carregava o piano Rio Grande afora e Magno e Roberto Lopes se recuperavam de lesão, Rafael Ceará, João Neto e o junior Paulinho seguravam a barra ao longo da BR-116; se Giovane, Mazinho e Eliomar regiam a orquestra em palcos mais famosos, Talhetti, Bruno, Alex e Meirellis mantinham a qualidade em seus pagos; enquanto Jô e Brandão matavam e morriam nas grandes áreas alheias, Diogo e Lucas Santos infernizavam as defesas adversárias do Vale dos Sinos.

Porque o Novo Hamburgo montado por Everton Cury, Juarez Radaelli e Elói Santos e trabalhado por Itamar Schulle, Márcio Vitória, Eduardo Maus e Rogério Ramos é uma grande obra em que estagiários discutem no mesmo tom que os engenheiros, em que pedreiros e gerentes saem do expediente no mesmo horário e tomam cervejas juntos, em que o mais gabaritado dos profissionais sabe que pode ser substituído pelo mais humilde dos peões porque quem bate laje tem qualidade o suficiente pra manter o ritmo puxado de trabalho.

É um elenco homogêneo que se adapta a esquemas táticos diferentes e mantem o equilíbrio e a pegada, que ataca pelas bandas do campo, que faz triangulações entre laterais, volantes e meias, que tem centroavante marcando como zagueiro, que tem jogadores polivalentes, que tem goleiros que repõem rápido a bola em jogo. Que está pronto para responder a pergunta que norteia os trabalhos de Itamar Schulle: quem está preparado para ser reserva?

Diogo, o goleador anilado no segundo semestre, é cercado por dois colorados (Foto: Diego da Rosa/GES)

Diogo, o goleador anilado no segundo semestre, é cercado por dois colorados (Foto: Diego da Rosa/GES)

O time de suplentes conquistou os mesmos 13 pontos que os titulares ganharam no primeiro turno, perdendo a liderança da fase classificatória apenas no último jogo, quando já estava classificado. Bateu o 15 de Novembro nas semi-finais – com direito a 4×0 no jogo da volta -, mas caiu diante do Inter nas finais, com derrotas por 1×0 e 2×0.

Itamar Schulle poderia ter escalado o dito time titular na finalíssima, mas seria um risco alto para a disputa da vindoura Supercopa Gaúcha e um prêmio aos suplentes, que seguraram essa barra – que é gostar de você, didididi ê. No Estádio do Vale, o Noia dominou as ações num jogo quente dentro e fora de campo. Nos estertores do primeiro tempo, Lucas Staudt fez bela jogada individual pela direita e cruzou no fedor para Jô completar DE LETRA e abrir o marcador.

Na segunda etapa, em bela trama na zona do agrião, outra característica dessa equipe, Marquinhos saiu na cara do goleiro, deixou o arqueiro na saudade, e estufou os cordeis da cidadela rubra. Um golo tardio colorado, no entanto, manteve o Internacional na briga e a disputa pela taça viva até os minutos finais do jogo de volta.

Os atletas e a taça metropolitana (Diego da Rosa/GES)

Os atletas e a taça metropolitana (Diego da Rosa/GES)

Em Alvorada, ao contrário da partida do Vale dos Sinos, o Anilado fez um primeiro tempo apagado, para desespero do nosso Moisés de cabeça pelada na casamata. Enquanto a gurizada segurava o rojão na defesa, o meio-campo não prendia a bola e os atacantes peregrinavam sem rumo num deserto de boas jogadas.

Para a segunda etapa Itamar resolveu reforçar a marcação na meia-cancha e colocou o volante Magno. Resultado: o cabra conseguiu se expulso depois de DOIS MINUTOS em campo. Curiosamente a equipe cresceu com as demais mudanças e se multiplicou em campo, amorcegando a partida e não deixando o Internacional chegar com maior contundência à meta anilada. As várias bolas alçadas na área foram um prato cheio para Max, Diego e Puyol.

O trilar do apito de Fabrício Neves Corrêa foi a senha para a invasão de campo por parte de todos os anilados, com o taça erguida em campo e título comemorado com a camisa de jogo colada ao corpo, como bem deve ser. Mesmo quem não estava relacionado para a partida esteve presente na Morada dos Quero-Queros e adentrou o revaldo para levantar o segundo caneco definitivo do Noia.

No mês em que o Trensurb chega ao centro de Novo Hamburgo os vagões já podem ser pintados de anil em homenagem ao grande campeão desse semestre na região. E que as taças sirvam de combustível para o verdadeiro objetivo: a conquista da Supercopa e o retorno à Série D.

Faltam dois jogos.

FICHA TÉCNICA
internacional_45x45Anderson; Diogo (Cláudio Winck), Jean, André e Ebert (Rafinha); Bertotto (Rodrigo Dourado), Jair, Gava (Mike) e Alex (Nathan Cachorrão); Reis e Aylon. Técnico: André Doring
NovoHamburgo_45x45Max; Rafael Mineiro (João Neto), Diego, Puyol e Marquinhos; Paulinho, Eliomar (Magno), Alex (Peixoto) e Bruno; Diogo (Jô) e Brandão (Chico).
Técnico: Itamar Schulle

 

Bicampeão metropolitano?

No longínquo ano de 1937, quando o Getúlio Vargas rasgou a democracia e passou a governar a base do totalitarismo, meus avós dividiam as lides no campo com os estudos, minha família sequer havia se assentado do Vale dos Sinos e os Estados Unidos estavam mais quebrados que estagiários de universidades públicas, o Gauchão era dividido em campeonatos regionais que classificavam seus campeões para a posterior fase final.

O então Sport Club Novo Hamburgo disputava esses campeonatos regionais com os demais clubes do Vale dos Sinos, do Vale do Caí e da Serra e invariavelmente os ganhava, tanto que é o terceiro clube com mais participações no Gauchão – atrás apenas da Dupla Gre-Nal.

Porto Alegre tinha um Campeonato Citadino à parte que classificava seu campeão à fase final. No entanto, em 1937, devido a uma briga na liga que organizava esse campeonato, formada majoritariamente por clubes adeptos do profissionalismo, o Citadino de Porto Alegre que classificaria ao Gauchão não foi disputado por alguns clubes da capital, como Grêmio e Inter.

Para manter o campeonato em curso, o Novo Hamburgo foi convidado por alguns clubes se mantiveram fieis a CBD, como o Renner. E o Anilado foi o grande campeão, batendo o Americano na final – a história toda está contada aqui. O feito está emoldurado no Estádio do Vale e é tido como uma das grandes conquistas do Noia. Não seríamos, assim, bicampeões metropolitanos?

Vestindo mais uma faixa no peito,
Zezinho

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5 Respostas a Simply the best

  1. Weber diz:

    Que orgulho ser anilado!

  2. Natan Dalprá Rodrigues diz:

    Buenas!

    Zezinho, sobre tua dúvida do fim do texto. Um ouvinte fez o mesmo questionamento durante o fim de semana. Baseado no(s) regulamento(s) e no conceito de cada campeonato, creio que consta sim como um título metropolitano também. Sendo assim, o NH é bicampeão.

    Pelo visto, isso só sofreria alguma alteração caso a FGF considerasse os antigos regionais como equivalentes à alguma fase dos Gauchões, coisa que acho meio complicado. Entonces, são dois títulos do torneio e pronto.

    Vemo-nos no Clássico do Vale do MATAMBRÃO 2014. Saludos.

  3. William diz:

    Muito bom!!! E vamos pra cima deles!! Dá-lhe Nóia!!!

  4. Marcelo Alves diz:

    Tche, sempre emocionantes o texto deste grande anilado….
    Tenho que admitir que a administracao Carlos Duarte agora comeca a colher os frutos tambem dentro de campo….parabens a todos pelo resgate ao orgulho de ser um torcedor do Noia….

  5. Denis Utzig diz:

    Pude conferir ao vivo esse angustiante empate homérico em Alvorada. E para minha surpresa, após encarar uma fila quilométrica para comprar uma garrafa de água no intervalo, chego na arquibancada aos 4 minutos do segundo tempo e sou surpreendido com o Magno saindo de campo, expulso. Conforme relato de torcedores presentes, foi falta a favor do Nóia no lance que resultou no segundo cartão amarelo. Roubalheira pra mais de metro! Mas dessa vez nem a arbitragem conseguiu nos arrancar esse título.
    Agora é grudar na TV Com para acompanhar os dois jogos que podem nos levar ao início de uma nova caminhada.
    E Zezinho, para variar, parabéns por esse belo texto
    Abraço!

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