Um novo tempo, apesar dos perigos

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Não há como negar: foi um belo ano para o Juventude. Após um início devagar no Gauchão, o time embalou e só foi parado, na final do segundo turno, por uma daquelas peripécias com as quais são brindadas apenas duas equipes no estado – uma ‘marciochagadada’, equivalente gaudério do ‘Shaq Attack’. Ou seja, teve suas pretensões literalmente enterradas no Costelão por um pulha.

Hoje, analisando em retrospectiva, há quem diga que aquilo teve sua importância no que viria seguir, o campeonato que importava no ano, o objetivo a ser alcançado, ainda mais no ano em que o Papo completava 100 anos de história, a Série D nacional. Sim, escapar do subsolo do inferno seria questão de sobrevivência para um clube secular como o esmeraldino seguir com ambições extra-mampitubianas (e pensar que SC já esteve atrás de nós por corpos de distância…). 

Sim, o grupo desse ano foi forjado para subir. Após a desclassificação na D em Cianorte no ano passado e a necessidade de recuperar a vaga na competição desse ano através do título da Copa FGF no Bento Freitas, a escola do mata-mata seguiu no Gauchão, só parando na já citada obra da arbitragem. Mas aquilo, sem querer querendo, também ajudou. Lisca soube tirar proveito daquele fato para aglutinar ainda mais o grupo em busca do objetivo.

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Diferente de 2012, o time buscou acumular gordura desde cedo, vencendo os dois primeiros jogos antes da parada pra Copa das Confederações, podendo curtir a festa de seu centenário sem maiores preocupações. Na volta aos jogos, campanha sem maiores sobressaltos, mantendo-se entre os dois classificados de seu grupo quase o tempo todo até o final da fase e garantindo a liderança e o mando de campo no primeiro dos dois confrontos pega-pra-capar em busca da vaga na C de 2014. 

Veio o Londrina, segundo de seu grupo e experiente, contando com tipos como Germano e Celsinho, ex-futuro-Ronaldinho em sua equipe. Primeiro jogo nervoso em Londrina. Mal começa e 1 a 0 pros da casa, resultado que se manteve até o fim. A volta, no Jaconi, tinha o Juventude na obrigação de vencer por dois gols de diferença pra seguir sonhando. Tudo ia bem até que… bom, não vou conseguir repetir a emoção do momento, acompanhem aqui o que foi esse jogo e voltem na sequência. 

Finalmente rompido o hímen do primeiro mata-mata, teto do clube nas edições de 2011 e 2012, o que separava o Ju do acesso era o Metropolitano, time catarinense de Blumenau, campeão de seu grupo na fase anterior. O jogo de ida no Vale do Itajaí – 2 a 2 com direito a virada do Papo e empate dos da casa no finalzinho – deixou aquele gosto de que a parada estava resolvida. E, como se viu ao final do jogo da volta, realmente estava. O personagem maior da decisão da vaga no Jaconi foi a apreensão, o receio de que tudo fosse por água abaixo às portas da Série C. E quase foi, como se pode ler aqui, mas esse era o ano do Juventude e nada, nem mesmo aquele cagaço, foi capaz de tirar do clube, da torcida e de seus profissionais o tão almejado acesso. 

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Alcançado o objetivo, o Juventude automutilou seu time a fim de diminuir os gastos com sua folha até o final do ano, emprestando vários de seus destaques para times das séries A e B, atitude sensata para um clube mal das pernas em termos financeiros. Mesmo assim, chegou à final da competição com um time completado por jovens da base, só perdendo a taça para o Botafogo paraibano. Lisca, um dos grandes responsáveis pela recuperação da autoestima alviverde, se despediu da papada após essa partida. Seu desgaste, dentro e fora do clube, provocado pelo seu estilo mercurial, o fez buscar ares fora do estado. Que tenha sucesso e volte um dia, as portas certamente ficaram abertas. Mas o ano ainda não havia acabado para o clube… 

conselhoparceriaO assunto que de tempos em tempos surgia nos noticiários e nas conversas de torcedores finalmente vinha à tona: a nova parceria do clube com uma empresa, a exemplo do que se deu nos anos 90. Dessa feita, será com a OAS, envolvendo gestão do clube e aumento do patrimônio físico, inicialmente por 20 anos, sendo que os próximo dois objetivarão mais o saneamento financeiro do clube (com pagamentos e parcelamentos de dívidas a fim de facilitar a captação de patrocinadores). Num segundo momento, remodelação do Alfredo Jaconi e construção de um novo centro de treinamentos a fim de desenvolver ainda mais a base do clube (obviamente o que atraiu a empresa) e atrair seleções árabes e orientais para intercâmbios visando a Copa de 2022. Óbvio que quanto antes isso tudo render frutos dentro de campo, com um possível acesso antecipado para a B, melhor – tanto para o clube (e torcedores) como empresa. Mais detalhes sobre o que já foi divulgado sobre tudo isso aqui e aqui. 

delamoreMas a hora é mais de calma e ver o que está por vir, nada de botar a carroça na frente dos bois. Se o que está planificado acontecer, excelente, é tudo que o torcedor sonhava. Mas não custa nada ter os dois pés no chão e seguir apoiando o clube. Afinal, nada acontecerá da noite para o dia. De novo mesmo, já temos o treinador – Geraldo Delamore, auxiliar de Tite até a metade desse ano – que contará com o provável retorno de todos os emprestados após o acesso, além de alguns reforços. Mas isso é assunto para a análise pré-Gauchão em 2014. 

Era isso o que de mais importante aconteceu com o clube do Jaconi em 2013, gurizada! Em meu último texto solo para o blog antes da transferência de Porto Alegre para a sucursal serrana dessa demência coletiva, tudo o que eu e qualquer torcedor do Juventude quer é que essa curva ascendente siga no ano que vem. 

Cantarolando ‘Nunca mais voltar’ e já me vendo ainda mais presente no Jaconi em 2014,

Franco Garibaldi

(fotos: Jornal Pioneiro)

Publicado em 2013, Juventude com as tags , , , , , , , , , , , , , , . ligação permanente.

4 Respostas a Um novo tempo, apesar dos perigos

  1. Diego diz:

    Excelente texto Franco, resumiu bem desde a garfada do Marcio Chagas até as boas novas desse ano. Parabéns e dá-lhe Papo!

  2. Pedro Torres diz:

    Dale Franco! Muito bom o texto velho, é isso mesmo!

    Se para alguns (muitos) clubes o ano do Centenário representou algo trágico, a ser esquecido, para nós, alviverdes, foi como sonhávamos: o ponto de partida para o recomeço.

    E esta parceria – é claro, como tu falaste, os pés devem ser mantidos no chão – veio para fechar o ano de 2013 com chave de ouro. A luta ainda é árdua, mas 2013 foi importantíssimo para a VIDA do Juventude.

  3. Saulo Morés diz:

    Nada a acrescentar, excelente resumo como sempre…

  4. baldasso diz:

    Que venha 2014 e possamos continuar nossa subida.

    Estaremos no Jaconi apoiando como sempre. Dá-lhe!

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