Olha nós aí! Na dureza da nossa pirraça, olha nós aí!

Xavante. Foto Carlos Insaurriaga 2

2013 foi o ano que vencemos os adversários e três anos de espera. O Brasil manteve o elenco, recrutou novos índios e foi à batalha com vontade de vencer e trazer a nós, torcedores, outra glória.

Em 2012 o Brasil chamou Rogério Zimmermann para tentar voltar à elite do futebol gaúcho. A classificação era difícil, mas com o CACIQUE a tribo viu o time chegar até a última rodada com chances de classificar. Infelizmente não dependia só de si, mas o elenco fez o que pôde. Depois veio a Copa Hélio Dourado e o vice-campeonato, perdendo para o Juventude, e a conquista da vaga à Copa do Brasil. Foi aí que este ano começou.

| O primeiro semestre

Para 2013 a direção Xavante demonstrou esforço louvável de manter a equipe técnica e a base do grupo. Contratou reforços e se preparou para a disputa da série A2, a eterna Segundona, ambicionando o retorno à série A. Era o objetivo principal.

Nesse meio-tempo, os Negrinhos da Estação fizeram a sua primeira participação da história do clube na Copa do Brasil. O adversário seria o Clube Atlético Paranaense. Os Xavantes receberam os rubro-negros paranaenses no Bento Freitas, no dia 3 de abril. O time pelotense jogou com muita TRANSPIRAÇÃO, honrando a característica de enfrentar de igual para igual os maiores em competições nacionais. Perdeu com um gol de pênalti cometido pelo jovem Leandro Canhoto. No jogo de volta, dezenas torcedores Xavantes viram o seu clube jogar com pujança e raça, o que foi digno de sua ALTIVEZ. O GAROTO Paulo Baier (ns) foi o diferencial da partida e o clube da casa venceu por 2 a 0 – os dois tentos marcados na segunda etapa. O Atlético-PR veio a ser, meses depois, o vice-campeão dessa competição.

Na série A2, o Xavante chegou com muita força à final do primeiro turno. O adversário foi o tradicional rival São Paulo de Rio Grande, um dos poucos clubes gaúchos que têm em sua história a disputa do campeonato brasileiro série A, assim como o Brasil. Jogando no Bento Freitas, a XAVANTADA viu os índios guerreiros amassarem os leões do Parque. No entanto, apenas uma flechada atingiu o bichano, que se manteve vivo para o jogo de volta. Em Rio Grande, no estádio Aldo Dapuzzo, os leões superlotaram as arquibancadas para RECEPCIONAR os Xavantes da cidade vizinha, que também lotaram o seu espaço. Nos primeiros 90 minutos deu 1 a 0, São Paulo. Nos pênaltis, brilharam os goleiros: Luciano, goleiro rubro-verde, defendeu três penalidades; Luiz Muller, goleiro rubro-negro, duas. Dessa forma, o São Paulo foi o campeão do primeiro turno sobre o seu rival histórico para o delírio da população rio-grandina.

Aquela noite foi sofrida, mas eu temia mais do que tudo a possibilidade da torcida não acreditar mais na causa nem naqueles índios que lutaram com tanto brio. Significaria o fim de um planejamento feito com SANGUE e SUOR e o adeus à elite do futebol do Rio Grande do Sul. No entanto, temos o CACIQUE Rogério Zimmermann que, entre qualidades e defeitos, tem o mérito de MOTIVAR AO EXTREMO o elenco. Afinal, Zimmermann conhece muito bem o Grêmio Esportivo Brasil e foi o treinador de um dos clássicos Bra-Pel mais inesquecíveis de todos os tempos: o Bra-Pel dos nove contra onze, em 2004. É por esse motivo, aliás, que tantos amarelos o odeiam.

Xavante. Foto Carlos Insaurriaga

Os índios voltaram com SANGUE NOS OLHOS para o segundo turno da competição. As camisas vermelhas balançavam mais do que as outras e os jogadores corriam em dobro. Queriam subir de QUALQUER JEITO, na MARRA se fosse preciso. Na semifinal do segundo turno, o Brasil enfrentou outra tribo de índios, os Capilés, e os despachou. Jogando na Baixada venceu o Aimoré por 3 a 0. No estádio Cristo Rei, abaixo de muita chuva, empatou em 0 a 0 e a tribo Xavante retornou à primeira divisão! Em Pelotas, a torcida aguardou o elenco e comemorou de forma ALUCINÓGENA.

No entanto os índios queriam mais. Queriam sangue e, se possível, ESCALPOS. A GRANDE final seria contra o São Paulo de Rio Grande – aquele mesmo que havia vencido nos pênaltis e conquistado a primeira vaga no Gauchão 2014. A delegação e a torcida AVANÇARAM COM TODO O ESQUADRÃO ao estádio Aldo Dapuzzo. A fúria deu tão certo que o Xavante aplicou quatro gols a um. Na Baixada, no jogo de volta, o Brasil venceu por 1 a 0 e levantou a taça. O recreio acabou. O Xavante voltou!

| O segundo semestre

Com o principal objetivo do ano conquistado, o Brasil se preparou para disputar a Copa Sul Fronteira e a Copa Willy Sanvitto. A meta era chegar à Super Copa Gaúcha e conquistar a vaga ao campeonato brasileiro da série D. Rubro-negros querem – e sempre vão querer – disputar os nacionais (rumo a TÓQUIO!).

Na Copa Willy Sanvitto o Xavante teve uma eliminação bastante SOFRÍVEL – na minha visão o principal erro que cometemos. Empatou (e jogou mal) no Bento Freitas com os FRALDINHAS (ns) do Internacional de Porto Alegre em 0 a 0. No jogo de volta, apesar da superioridade em campo, voltou a empatar sem gols. A partida foi para os pênaltis. Mesmo tendo o jogo nas mãos, o Brasil errou quando não podia e ENTREGOU O PATÊ. Os colorados avançaram de fase e tiraram um clube que PRECISA de uma vaga em nacional, mas futebol NÃO PERDOA incompetência – e nessa partida, infelizmente, o Brasil foi.

A esperança voltou-se toda à Copa Sul-Fronteira. Teria pela frente Pelotas, Farroupilha, São Paulo de Rio Grande e Bagé. Perdeu a final do primeiro turno para o maior rival. Os áureo-cerúleos do Esporte Clube Pelotas empataram em 0 a 0 no estádio da Boca do Lobo e AVACALHARAM no Bento Freitas: 3 a 0. Além de levar o primeiro turno para casa, o Lobo acabou com o tabu de não vencer por quase dez anos o Xavante na Baixada.

No segundo turno o Xavante deu o troco. Empatou em 0 a 0 (de novo!) na Boca do Lobo e venceu por 2 a 1 na Baixada. Tudo, enfim, ficou para a grande decisão da Copa.

Antes de mais nada um comentário ASSERTIVO: QUE CLÁSSICO é o Bra-Pel! O meu primeiro foi em 2001 e desde então não vejo tanta graça em nenhum outro duelo de rivais. Vermelhos e amarelos entram em confronto – sempre na bola, eu espero – e as torcidas ENSANDECIDAS empurram o seu time em busca da vitória. Perder de goleada em amistoso para o Sindicato dos Atletas do RS em casa é melhor do que perder clássico Bra-Pel. É assim que funciona.

Xavante. Foto Italo Santos

O primeiro jogo da grande final ocorreu na Boca do Lobo. Era a noite de Mithyuê e ele marcou um GOLAÇO de fora da área. Ô bosta!, gritei naquele dia (ns). O Pelotas venceu por 1 a 0 e deu fim ao SENSACIONAL (e inesquecível) tabu de 15 anos sem vencer os Xavantes no estádio da Boca do Lobo. Já sinto saudades…

Os últimos 90 minutos seriam no Bento Freitas. Esperança e apreensão foram as palavras mais marcantes no dicionário de qualquer torcedor vermelho ou amarelo antes do confronto final. O Brasil estava bem no jogo – e eu confiante. No entanto, CIRILO, um dos jogadores formados na base rubro-negra, e que fez jogos importantes pelo clube, ENTREGOU O PASTEL de forma INACREDITÁVEL. Tentou driblar quando não podia/precisava/pra que isso?! e Mithyuê (de novo!) roubou-o a pelota, invadiu a área e marcou. Com o saldo de gol qualificado (que todos sabiam que tinha, mas que não constava no regulamento – tirem suas conclusões) o Xavante precisava marcar TRÊS gols para terminar com o título do lobo. Gustavo Papa entrou na equipe vermelha e preta e mudou a cara do jogo – um MILAGRE PAPAL! Com raça, e em um intervalo pequeno de tempo na segunda etapa, o Xavante marcou dois gols, virou a partida e impediu que qualquer AGULHA passasse naquele lugar ao sul (!) do corpo dos visitantes. O Brasil manteve a pegada, mas quase tomou o empate no contra-ataque. A luta foi linda, mas o tempo terminou sem que o terceiro e salvador gol saísse. A torcida do lobo comemorou. A Xavantada também, afinal viu os índios atirarem TODAS as flechas que tinham e o Brasil venceu o clássico, oras – 2 a 1. Por pouco não foi ainda mais especial.

A título de curiosidade, o Lobo avançou à Super Copa Gaúcha, venceu e conquistou a vaga à série D 2014.

| Os números de 2013

É evidente que o Brasil teve um ano vitorioso. Fez a melhor campanha da série A2, a melhor campanha na Copa Sul-Fronteira e conquistou títulos, além da primeira participação na Copa do Brasil. O Grêmio Esportivo Brasil teve 66% de aproveitamento; em 58 partidas, venceu 33, empatou 16 e perdeu apenas nove vezes. Saldo de seis finais no ano e três canecos no armário. Venceu três clássicos Bra-Pel, empatou outros três e perdeu duas vezes. Tudo isso também fez com o clube atingisse a marca de mais de quatro mil sócios em dia. Por fim, Rogério Zimmermman, o Cacique, completou com a camisa rubro-negra duzentos jogos – venceu cem deles.

Xavante. Foto Carlos Insaurriaga 3

O ano de 2013 poderia ter sido melhor? Claro que sim. A torcida sempre quer mais porque sabe que o Grêmio Esportivo Brasil pode ser ainda maior! No entanto, aquela velha frase, conhecida por todo torcedor Xavante, sempre diz: Querer ser Xavante e ser campeão é pedir de mais. Ninguém merece tanto!

E o clube da Estação ruma a mais uma disputa de campeonato gaúcho. Se der tudo certo vai ter muita festa, cachaça e tambores retumbando paixão. Se não der, a gente continua, como fazemos há 102 anos.

Olha nós aí
Na dureza da nossa pirraça, olha nós aí
Olha nós aí
Cada qual defendendo a raça, olha nós aí

É que as promessas vão por água abaixo
E a gente se racha pra sobreviver

Tá na hora de acabar com a valentia
Quem ninguém mais aguenta
Viver por teimosia

Eu pago preço alto, a isca pra pescar
Se pesco, perco o peixe, alguém vem me tomar

Mas vou só de pirraça nessa vida dura
Eu xingo, eu berro, eu grito, eu sento a pua

Olha nós aí
Na dureza da nossa pirraça, olha nós aí
Olha nós aí
Cada qual defendendo a raça, olha nós aí!

tudo está

Música “Olha nós aí”, de Benito di Paula.
Fotos de Carlos Insaurriaga e Italo Santos (assessoria GEB).

Pedro Henrique Krüger (@pedrohckruger) e Jéssica Gebhardt (@bigmouthsays)

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5 Respostas a Olha nós aí! Na dureza da nossa pirraça, olha nós aí!

  1. Fernando Pinto diz:

    Baita final de texto, hehehe. Olha nós aí! Vamos voltar, e voltar, e voltar…

  2. Marlene Dorneles diz:

    Ótimo texto mostrando bem a trajetória do G E BRASIL à 1ª Divisão e o sofrimento e alegria da Xavantada!
    Só não concordei com as “dezenas” de torcedores que rumaram ao Paraná pois chegando lá, e as fotos comprovam, vimos que foram “centenas”, haviam torcedores Xavantes de SC, Paraná, Porto Alegre e Pelotas.

  3. Xavante diz:

    Tamu na ÁRIA.

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