Fique só nos livros, ano bipolar!

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Findados os fogaréus, um agonizante 2013 iniciava quando se falava em futebol. Pelas bandas da Linha do Parque, silêncio e gemidos fúnebres de desconfiança mútua. Afinal, nem eles sabiam o que seria feito.

No primeiro galopeio de tentar sair da inércia, o anúncio. Rudi Machado permaneceria á frente do comando técnico. Com ele, as mesmas figuras de sempre. Figuras pré-julgadas imortais, afinal ‘milianos’ em um clube segundino é um desafio pra quem possui paciência.

Um novo gerente de futebol chegou. Mas não só ele. Todo o futebol gaúcho chegou junto. Na mala de um ícone do interior gaudério vinham histórias gloriosas. Farrapos, Xavantes, Áureo-Cerúleos, Colorados e mais alguns tantos, que jamais esquecerão desse nome: Aládio Knebel.

COMISSÃO

Os combatentes começaram a chegar. Algumas figurinhas carimbadas, outras recém lançadas, mas todas objetivadas. O acesso à elite do futebol gaúcho não poderia escapar. Em 21 de janeiro o ‘tiro de marca’ foi dado. Era o início da pré-temporada rubro-verde.

Os 56 dias seguintes foram de trabalho. A agonia do torcedor só aumentava, bem como a ânsia pela temida estréia. Entre alguns poucos amistosos, uma derrota para o Brasil.

No dia 17 de março o início da ‘via sacra’. Os vacarienses foram as primeiras presas. Dois tentos a zero e um bom início de certame aliviavam as tensões da massa rubro-verde.

Avassalamos. Fizemos com que toda a desconfiança antes aflorada, esvaísse-se rapidamente. Afinal, além do sucesso à frente de nosso torcedor, ganhamos do Gaúcho e do União Frederiquense, ambos em seus domínios.

AJOELHADO

Os colorados de Santa Maria eram os próximos. Mas um zero á zero morno acabou esfriando a empolgação geral, que uma semana depois, seria totalmente acabada. O adversário era o Riopardense, lá.

Jogadores concentrados, um bom hotel. Mais de cem ‘baguais’ se enfiaram em Rio Pardo. E com uma arbitragem desastrosa, e uma atitude mais desastrosa ainda da polícia e dos torcedores locais e visitantes, o jogo terminou em quebra-pau e correria.

Pessoas machucadas, ônibus quebrados, o estádio demolido e a conta da derrota acomodada no bolso. Será que sobreviveríamos a revolução farrapa e morreríamos de gripe? Nã. Nã.

Uma goleada em casa e um empate no clássico contra os Xavantes trouxeram de volta um pouco de alegria á cidade papareia. Mas ainda faltava uma rodada. E que rodada, meus amigos.

JOGO COM O BRASIL

O combatente era o Ypiranga. E naqueles dias em que nada dá certo, a bola bate nas duas traves e sai, o personagem só podia ser ele: Gonçalves. O zagueiro Ypiranguista fez contra, aos 43 giros do ponteiro na segunda etapa, e levou o Leão à semi-final do certame.

Lá, foi tranquilito. Dois á zero em casa e dois a um fora. Estávamos na final. Contra o Brasil decidiríamos nosso futuro. E quem é que convence um coração rubro-verde de que isso era impossível?

Em 16 de maio a cidade de Rio Grande ficou estática por algumas horas. Mais de 400 rubro-verdes lotaram seu espaço no Bento Freitas. Por vezes cantaram mais que a torcida da casa, e mesmo com a derrota de 1 a 0, vibraram, choraram e comemoraram como se soubessem: domingo seria mágico.

Era possível. Decidiríamos na nossa casa, com nossa torcida, por que motivo deveríamos desacreditar? E nesse ritmo, Rio Grande amanheceu como nunca. As buzinas eram ouvidas até dentro do estaleiro.

Uma carreata para aquecer. O trânsito parou. Não era possível ver o fim. Era o prenúncio: estava chegando a hora.

LEÃO REZANDO

Entre RBS’es e Gaúcha’s, Pampa’s e Toda Cancha’s (rs), o estado se voltou para a cidade da maior praia do mundo. E eles não se arrependeram, eu tenho certeza.

Duas da tarde. Abertos os portões, o Estádio Aldo Dapuzzo ganhava cor. Duas e meia, não havia mais espaços. Três horas, foram achados espaços, mesmo que uns sobre os outros.

Que se dane a Federação GRENAL de Futebol. Pra mim e pra mais 13.000 o estádio Aldo Dapuzzo acabava de tornar-se o melhor lugar do mundo. Beira-Rio e a Arena curvaram-se aos pés de rubro-verdes e xavantes. Que espetáculo.

Márcio Chagas deu início ao ‘degladeio’. Era óbvio. Quem tivesse mais tesão, ganharia. E aos 32 minutos da primeira parte, Aylon entrou para a história.

Robert cruzou, Alê deu uma casquinha e Aylon deu uma VOADORA! Gol! O Dapuzzo tremia, por alguns instantes parecia o fim das eras. O mundo girava. Britos e Pedro Ernestos. Meu Deus.

Mas não era a redenção. Ainda.

Faltavam os pênaltis, faltava Luciano. Um, dois, três. Caio Gomes: gol. Depois de doze anos o Sport Club São Paulo estava de volta á elite. Voltamos ao convívio dos grandes. Prazer revê-los, amigos.

LUCIANO NA TRAVE

A festa não tinha fim. O caminhão dos bombeiros parecia um colchão. As agonias, aflições e desconfianças foram debruçadas e deixadas sobre ele. Tudo estava acabado. Alcançamos nosso maior objetivo.

O segundo turno foi pobre. Longe do esperado. Salários atrasados, prepotência, egocentrismo. Enfim, um desastre.

Na final do campeonato, contra o Brasil, duas derrotas. Fomos vice-campeões.

O segundo turno, dá pra não falar? Ok. Eu falo. Derrotas, algumas derrotas e outras derrotas. Em um grupo de seis, onde cinco classificavam-se, não passamos nos dois turnos.

ROBERT NA BOCA DO LOBO

Fim do futebol em 2013. Mas não das confusões e das transformações. O pleito para escolher o novo presidente do clube foi tumultuado. O até então presidente não inscreveu chapa, alegando que o clube havia acabado com a sua vida, e que o melhor para ele era nunca mais colocar seus pés lá.

O estádio estava sucateado. Os cofres limpos. A moral com as empresas, negativa. Nada poderia ficar pior. Mas para a alegria geral da nação, uma nova diretoria assumiu.

Domingos Escovar foi eleito. Pessoas com boa relação com o empresariado local assumiram. As melhoras eram uma suposição. Que logo tornaram-se realidade.

domingos_escobar

Em cerca de 20 dias, tudo que o clube precisava começou a ser feito. As obras seguem EM CHAMAS. Um treinador bom e experiente foi contratado. Agenor Piccinin chega com total respaldo da torcida e da diretoria executiva.

José Lummertz. Meyer. Preparadores experientes. Lúcio, Guilherme, Nêgo, Chumbinho, Danilo Cruz, Cesinha. Jogadores excepcionais.

O futuro é promissor. Se há mais de 10 anos freqüento as bandas da Linha do Parque, posso garantir: a empolgação e a confiança nunca foram tão visíveis quanto agora.

Mas peço: sigam nos colocando nas listas de rebaixados.

Sedento pelo Costelão 2014,
Guilherme Rajão.

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2 Respostas a Fique só nos livros, ano bipolar!

  1. Bom saber que o São Paulo tá reagindo. O que tu e os demais nos passavam após o acesso faziam temer pelo pior. Nos encontramos em janeiro no Jaconi (ao menos é o que se espera depois do recurso a ser julgado hoje no TJD, revertendo a punição daquele jogo contra o São José pela copinha…)!

  2. Guilherme Rajão diz:

    E que reação! A empolgação é interminável e nos deixa cada vez mais ansiosos pelo dia 19 de janeiro, hehehe.

    Nos vemos lá, chó. Abraço.

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