Se lembro o tempo de quebra…

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E o ano que findava sobre o horizonte dos campos da Zona Sul do estado, trazia por meio da torcida tricolor da cidade de Rio Grande, a esperança de recomeço e de retomada da identidade de um clube que se perdeu nos intransponíveis campos esburacados e de estádios sem condições que retratam a face da terceira divisão do futebol gaúcho nos dias atuais.

Assim como a tradicionalíssima música Veterano, traduzida em forma de verso através de Leopoldo Rassier e Os Serranos “(…) A tarde se encerra mais cedo…”, e com o apagar dos holofotes da terceirona 2013, quem ficou para trás foi a equipe do Sport Club Rio Grande, que amargurada por meio de atuações pífias e sombrias de sua equipe, terá que suportar mais um ano as mazelas do invisível mundo do ostracismo.

Admito sim, eu fui um dos que, com certo “salto alto”, acreditei observando mais com o coração DEMENTE do que com a razão, que pela história, pela estrutura e por estar disputando com equipes quase amadoras, uma das vagas DEVERIA DE FATO, ser do vovô tricolor. Doce ilusão, dos colocados como favoritos por este cancheiro que vos escreve (Rio Grande, Guarany-BG, Guarani-VA e Bagé), nenhum destes subiu. Deve ser por isso que o futebol se torna cada vez mais tão apaixonante.

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Desde o inicio do campeonato, o Rio Grande não empolgou. Cercado por problemas extracampo, como desentendimentos na comissão técnica, jogadores descomprometidos e a falta de apoio tanto da federação e de patrocinadores (este ponto, problema de todas as equipes, diga-se de passagem) e da torcida que não compareceu ao estádio, a equipe acumulou atuações dignas de um clube pequeno, pequeníssimo, que não condiz com a história do Sport Club Rio Grande.

No primeiro turno do COSTELÃO MAL PASSADO, a equipe da Noiva do Mar somou apenas 9 pontos, com 3 vitórias e 4 derrotas, ocupando 4º colocação. Pouco, para quem deveria estar na terceirona apenas de passagem, ou melhor, nem deveria estar. Já no segundo turno, o 4º lugar continuou sendo seu, onde desta vez classificavam-se 4, o que levou a equipe as quartas de finais. Este mesmo ponto, onde se deu por fim a participação PITORESCA do Campeão Gaúcho de 1936 no certame de 2013.

E assim o Rio Grande escreveu uma das páginas mais tristes de sua história. Algo que deve ser esquecido de todas as formas. Eu, com uma enorme tristeza, onde não seguro uma ponta das lágrimas que insistem em cair, não sei o que pensar, o que fazer e o que dizer a torcida tricolor. Porque não dá certo? Porque tem que ser assim? Para nós, amantes do futebol do interior, nada é mais triste do que ver seu clube em uma situação irrevogável, de um clube que parece não ter forças de recomeçar, de se reerguer.

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Rezo, para que 2014 seja melhor, e que os bons ventos voltem a circundar o Sport Club Rio Grande. Mas admito, se continuar da forma em que está, prevejo o mais sombrio dos futuros para o mais antigo do Brasil.

“Mui carregado dos sonhos,
Que habitam o meu peito
E que irão morar comigo
No meu novo paradeiro.”

Um agradecimento especial a gurizada do Toda Cancha que neste ano, me aceitou, me acolheu, e me colocou mais próximo do meu clube do que eu poderia imaginar. A todos os leitores que por aqui passam, um feliz natal e um próspero ano novo, recheado de suculentos NACOS de carne e um 2014 cheio de grandes embates.  Por que os anos passam, mas os clubes, as amizades, e a DEMÊNCIA, prosperam.

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As fotos são de Aline Rodrigues, da Assessoria de Imprensa do S.C. Rio Grande. 

Direto da noiva do mar e contando os dias para 2014,

Wilian Luz

Publicado em Rio Grande, Segunda Divisão 2013, Terceirona, Terceirona 2013 com as tags , , , , , , , . ligação permanente.

2 Respostas a Se lembro o tempo de quebra…

  1. Ivan Ritta diz:

    É verdade. Eu também achada (de coração) que Rio Grande, Bagé e Guarany eram os favoritos para subir. Confesso que não me lembrava do guarani-VA para subir tambem e que foi o time que subiu junto com o indio de bagé para a primeira divisão em 2006. Mas enquanto esse catarina puxador de saco da dupla grenal estiver no comando da federação, e enquanto essa população medíocre do interior der mais valor pra duplinha da capital e não for aos estádios, os clubes do interior terão o mesmo destino… fechar, fechar, fechar… como ja está acontecendo com o 14 de livramento, com o Bagé, e por ai vai….

    abraços e boas festas.

  2. Everton diz:

    O Veterano Rio Grande é um clube obsediado por espíritos que desencarnaram antes do corpo morrer. São os espíritos da velha elite, orgulhosa de seu passado de glórias, poderes e riquezas, e que não consegue pensar senão sobre os séculos XIX e XX. Elite que não conseguiu totalmente diferenciar o escravo do trabalhador, a Democracia da Aristocracia, o passado do presente, o público do privado. Felizmente, o corpo pode durar, mas não durar para sempre. E, de acordo com a experiência, a maioria desses espíritos já está contando os dias. Quando, enfim, os encostos subirem, uma revigorante oportunidade de mudança vai se seguir. Quem tiver juventude, competência, ousadia e, sobretudo, amor pelo Vovô, que assuma. Não vai se arrepender.

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